A araruta (Maranta arundinacea), espécie do gênero Maranta, é uma erva cuja raiz tem fécula branca que é alimentícia. Também é conhecida como agutiguepe,araruta-caixulta, araruta-comum, araruta-especial, araruta-gigante, araruta-palmeira, araruta-raiz-redonda, araruta-ramosa, embiri[1] e agutingue-pé.
Etimologia[editar | editar código-fonte]
"Araruta" é oriundo do termo aruaque aru-aru, "farinha de farinha"[1] . "Embiri" provém do tupi embira'i, "embira pequena"[2] .
Descrição[editar | editar código-fonte]
A araruta é uma planta originária das regiões tropicais da América do Sul. Estudos arqueológicos mostram evidências do cultivo de araruta nas Américas há, pelo menos, 7 000 anos.
Segundo a sabedoria popular, a araruta tem vários usos medicinais, mas é na culinária que o uso desta planta se destaca, recomendada para pessoas com restrições alimentares ao glúten (doença celíaca). Considerada como um alimento de fácil digestão, a fécula da araruta é usada no preparo de mingaus, bolos e biscoitos. Por esta característica, é indicada para idosos, crianças pequenas e pessoas com debilidade física ou doentes em recuperação. Também pode se produzir papel com a araruta.
Encontra-se em processo de extinção devido ao fato de a indústria alimentícia ter substituído o polvilho de araruta pelo de mandioca ou pela farinha de trigo ou milho, prejudicando, assim, o cultivo daquela planta. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Agrobiologia tem feito um trabalho de resgate da araruta em sua Fazendinha Agroecológica Km 47, onde as variedades são cultivadas organicamente.
Toda araruta tem seu dia de mingau
- 6 de agosto de 2014|
- 19h48|
- Por Redação Paladar
NHAC!
na primeira quinta-feira de cada mês
na primeira quinta-feira de cada mês
Por Neide Rigo
A araruta é a cabeça de bacalhau dos vegetais: todo mundo sabe que existe, mas ninguém viu. Do rizoma dessa planta se extrai uma fécula finíssima que era muito usada no passado para biscoitos, brevidades e mingaus. Dela sobrou apenas fina poeira: o ingrediente sofre sério risco de desaparecer.
Rara. Difícil de ser encontrada, a fécula da araruta substitui com vantagens outros amidos. FOTO: Neide Rigo/Estadão
Quando você acha um pacote como o nome de araruta ou ararutinha, custando duas vezes mais que polvilho de mandioca, e confere a lista de ingredientes, está lá: “fécula de mandioca” – o mesmo polvilho que custa a metade. Ou, pior, a informação não está escrita, mas, se você liga para o serviço de atendimento ao consumidor e inventa que sofre de alergia mortal à mandioca, o impostor confessa: “Bem, veja bem, é amido de mandioca, mas a araruta está em falta e o polvilho tem o mesmo comportamento”.
Desconfie sempre. O comportamento não é o mesmo. A araruta faz um mingau menos visguento, mais macio, e deixa biscoitos mais crescidos e crocantes. E, se vendem uma coisa pela outra – nada contra o polvilho de mandioca –, deveriam ao menos cobrar o mesmo preço.
Uma verdadeira araruta hoje custa caro, cerca de R$ 40 o quilo. E seu uso já não é mais o mesmo. Minha mãe conta que sacos enormes de fécula de araruta serviam para alimentar a família com biscoitos e papas. Hoje, a fécula é usada quase como uma especiaria, para fazer cobertura transparente para tortas de frutas ou espessar molhos. É ótima substituta do amido de milho, pois espessa em temperatura mais baixa, fica mais transparente e é insípida. Aliás, o polvilho de araruta substitui com vantagem qualquer amido para engrossar molhos. E se tiver a raiz fresca pode extrair o amido na hora, com o leite ou líquido que vai ser usado, como na receita ao lado.
Agora, nem toda arrowroot é a nossa araruta. Estudiosos acreditam que a Maranta arundinacea, da família das marantáceas, considerada a verdadeira, é sul-americana. Entre os índios aruaques era chamada aru-aru, alimento dos alimentos, e servia também para curar ferimentos e mordida de cobra.
A araruta tem defensores ardorosos. Já vi pequenas produções na Bahia, no Espírito Santo e em Minas Gerais movidas mais pelo prazer de não deixá-la morrer do que pelo lucro.
No processo de extração da fécula, a araruta é ralada com água até soltar o líquido leitoso, que é peneirado para separar a fibra e deixado em repouso para sedimentar a fécula (também chamada de amido, polvilho ou goma). Depois de algumas horas, o líquido pode ser desprezado, sobrando o amido, que é seco e transformado em pó.
Se quiser comprar o polvilho, procure casas de produtos naturais, feiras de produtores ou vá ao Facebook. Wagner Finotti, produtor de Uberlândia (MG), vende na páginafacebook.com/chacaraparadisouberlandia. Pedro Coni, de Conceição de Almeida, no Recôncavo Baiano, ( saboresdeararutas at gmail.com) entrega pelo correio. Ambos vendem também mudas da planta.
Às vezes, especialmente no inverno, encontro araruta no bairro da Liberdade, mas os vendedores dizem que é batata chinesa. Se tiver jeito de araruta, pode comprar que é ela. Dura alguns meses até começar a brotar. Daí é só deitá-la num vaso e cobrir com 10 cm de terra e não deixar a araruta morrer.
RECEITA:
+ Gratinado com araruta
+ Gratinado com araruta
MEDIDAS
1 colher de sopa de fécula de araruta equivale a 50g do rizoma (bata no liquidificador com parte do líquido frio da receita e peneire antes de levar ao fogo).
Se for trocar maisena ou polvilho por araruta, use a mesma quantidade. Se for substituir a farinha de trigo, troque 1 colher de sopa dessa por 2 colheres de chá de araruta.
Se estiver usando o pó, não se esqueça de que, do mesmo modo que a maisena, a araruta deve ser diluída em líquido frio antes de ir ao fogo.
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