quinta-feira, 8 de outubro de 2015

AUMENTO TEMPERATURA DO NORDESTE

É conhecido que as chuvas do semi-árido da região Nordeste apresentam enorme variabilidade espacial e temporal. Anos de secas e chuvas abundantes se alternam de formas erráticas, e grandes são as secas de 1710-11, 1723-27, 1736-57, 1744-45, 1777-78, 1808-09, 1824-25, 1835-37, 1844-45, 1877-79, 1982-83, e 1997-98. A ocorrência de chuvas, por si só, não garante que as culturas de subsistência de sequeiro serão bem-sucedidas, e um veranico ou período seco dentro da quadra chuvosa pode ter impactos bastante adversos à agricultura da região. O regime pluviométrico de uma determinada região mantém uma forte relação com as condições hídricas do solo. Visto que a precipitação na região Nordeste apresenta uma grande variabilidade no tempo e espaço, a ocorrência de chuvas, por si, não garante que as culturas de subsistência serão bem sucedidas. No semi-árido é frequente a ocorrência de períodos secos durante a estação chuvosa que, dependendo da intensidade e duração, provocam fortes danos nas culturas de subsistência.
A região Nordeste caracteriza-se naturalmente como de alto potencial para evaporação da água em função da enorme disponibilidade de energia solar e altas temperaturas. Aumentos de temperatura associados à mudança de clima decorrente do aquecimento global, independente do que possa vir a ocorrer com as chuvas, já seriam suficientes para causar maior evaporação dos lagos, açudes e reservatórios e maior demanda evaporativa das plantas. Isto é, a menos que haja aumento de chuvas, a água se tornará um bem mais escasso, com sérias consequências para a sustentabilidade do desenvolvimento regional.
O sistema elétrico brasileiro depende do regime de chuvas. Uma pequena redução da quantidade de chuvas ou um pequeno aumento da evaporação pode levar a zero a geração de energia em grandes áreas do Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. Sentimos isso em 2001, durante o “apagão”. Aquilo foi provocado pelas poucas chuvas no sistema hidrelétrico do Sudeste, e bastou um aumento da temperatura de um ou dois graus, e a quantidade de água perdida para a evaporação, e o excesso de uso de energia para fazer funcionar sistemas de ar acondicionado e refrigeração, foram suficientes para levar os níveis dos reservatórios das usinas hidroelétricas a níveis próximos a zero, comprometendo a geração de energia.

Clima do Brasil: o futuro

As projeções de clima, liberadas pelo Quarto Relatório do IPCC (IPCC AR4), têm mostrado cenários de secas e eventos extremos de chuva em grandes áreas do planeta.  No Brasil, a região mais vulnerável, do ponto de vista social, à mudança de clima, seria o interior de Nordeste, conhecida como semi-árido, ou simplesmente o “sertão”. Reduções de chuva aparecem na maioria dos modelos globais do IPCC AR4, assim como um aquecimento que pode chegar até 3-4ºC para a segunda metade do século XXI. Isso acarreta reduções de até 15-20% nas vazões do rio São Francisco.
O Relatório do Clima do Brasil, produzido recentemente pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), tem estudado as mudanças de clima no Brasil, e para o Nordeste, para finais do século XXI. Este relatório tem usado modelos regionais de até 50 km de resolução animados no modelo global de HadAM3 do Centro Climático do Reino Unido (Hadley Centre). Segundo este relatório do Inpe, estes seriam os possíveis impactos da mudança de clima, considerando os cenários otimistas e pessimistas propostos pelo IPCC:
No cenário climático pessimista, as temperaturas aumentariam de 2 ºC a 4 ºC e as chuvas de reduziriam entre 15-20% no Nordeste até o final do século XXI. No cenário otimista, o aquecimento seria entre 1-3 ºC e a chuva ficaria entre 10-15% menor que no presente. 
Essas mudanças no clima do Nordeste no futuro podem ter os seguintes impactos:
  • A caatinga pode dar lugar a uma vegetação mais típica de zonas áridas, com predominância de cactáceas. O desmatamento da Amazônia também afetará a região.
  • Um aumento de 3ºC ou mais na temperatura média deixaria ainda mais secos os locais que hoje têm maior déficit hídrico no semi-árido.
  • A produção agrícola de subsistência de grandes áreas pode se tornar inviável, colocando a própria sobrevivência do homem em risco.
  • O alto potencial para evaporação do Nordeste, combinado com o aumento de temperatura, causaria diminuição da água de lagos, açudes e reservatórios.
  • O semi-árido nordestino ficará vulnerável a chuvas torrenciais e concentradas em curto espaço de tempo, resultando em enchentes e graves impactos sócio-ambientais. Porém, e mais importante, espera-se uma maior frequência de dias secos consecutivos e de ondas de calor decorrente do aumento na frequência de veranicos.
  • Com a degradação do solo, aumentará a migração para as cidades costeiras, agravando ainda mais os problemas urbanos.

Consequências da mudança do clima no Nordeste:

As projeções apresentadas no Relatório do Clima do Inpe foram geradas usando modelos climáticos globais e regionais, e o fato de todos os modelos convergirem numa situação de clima mais quente e seco pode fazer com que consideremos essas projeções como tendo um grau de certeza grande. Considerando um modelo em particular (o modelo do Centro Climático britânico - Hadley Centre) e o cenário pessimista, apresenta uma tendência de extensão da deficiência hídrica por praticamente todo o ano para o Nordeste, isto é, tendência a “aridização” da região semi-árida até final do século XXI.  Define-se “aridização” como sendo uma situação na qual o déficit hídrico que atualmente apresenta-se no semi-árido durante 6-7 meses do ano seja estendido para todo o ano, consequência de um aumento na temperatura e redução das chuvas. Em resumo, grande parte do semi-árido nordestino, onde a agricultura não irrigada já é atividade marginal, tornar-se-ia ainda mais marginal para a prática da agricultura de subsistência.
Aquecimento global, com a elevação do nível dos oceanos, aumento da intensidade e da frequência das ressacas nos últimos anos, a ocupação irregular da orla e mudanças provocadas pelo homem nos rios que desaguam no mar são apontados, por especialistas em climatologia e fenômenos marinhos, como causas mais prováveis da redução das praias. Uma elevação de 50 cm no nível do Atlântico poderia consumir 100 metros de praia no Norte e no Nordeste. Em Recife, por exemplo, a linha costeira retrocedeu 80 metros de 1915 a 1950, e mais de 25 metros de 1985 e 1995.
Os ambientalistas estão preocupados também com a caatinga, apontada como uma das ações mais urgentes. A caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro, abriga uma fauna e uma flora únicas, com muitas espécies endêmicas, ou seja, que não são encontradas em nenhum outro lugar do planeta. Trata-se de um dos biomas mais ameaçados do Brasil, com grande parte de sua área tendo já sido bastante modificada pelas condições extremas de clima observadas nos últimos anos, e potencialmente são muito vulneráveis às mudanças climáticas.
O clima mais quente e seco poderia ainda levar a população a migrar para as grandes cidades da região ou para outras regiões, gerando ondas de “refugiados ambientais”, aumentando assim os problemas sociais já existentes nos grandes centros urbanos do Nordeste e do Brasil.

O que pode ser feito: avaliações do impacto e vulnerabilidade as mudanças climáticas

A população mais pobre é a que sofrerá mais e a região mais afetada seria um quadrilátero no Nordeste, compreendendo desde o oeste do Piauí, o sul do Ceará, o norte da Bahia e oeste de Pernambuco, onde estão as cidades com menor desenvolvimento humano. As projeções de clima para o futuro indicam riscos de secas de 10 anos ou mais.
Para um país com tamanha vulnerabilidade, o esforço atual de mapear tal vulnerabilidade e risco, conhecer profundamente suas causas setor por setor, e subsidiar políticas públicas de mitigação e de adaptação ainda se situa bem aquém de suas necessidades. O conhecimento sobre impactos setoriais avançou um pouco sobre a vulnerabilidade da mega diversidade biológica e de alguns agro-ecossistemas (milho, trigo, soja e café) às mudanças climáticas, com indicações iniciais de significativa vulnerabilidade. Nos setores de saúde, recursos hídricos e energia, zonas costeiras, e desenvolvimento sustentável do semi-árido e da Amazônia, a quantidade de análises de impactos e vulnerabilidade é substancialmente menor, o que aponta para uma premente necessidade de induzir estudos para esses setores.
São mais comuns os estudos de vulnerabilidade a mudanças dos usos da terra, aumento populacional e conflito de uso de recursos naturais, porém, é urgente um esforço nacional para a elaboração de um “Mapa Nacional de Vulnerabilidade e Riscos às Mudanças Climáticas”, integrando as diferentes vulnerabilidades setoriais e integrando estas com as demais causas de vulnerabilidade. Um plano contra a mudança climática incluiria tanto ações de adaptação (como mudar o zoneamento em cidades litorâneas para evitar o avanço do mar) quanto de mitigação. 

Implementação de um sistema brasileiro de alerta precoce de seca e desertificação

Considerando a sensibilidade do Nordeste às variações climáticas, e ante uma potencial mudança do clima nessa região, considerada como a mais vulnerável às reduções de chuva e aumento das temperaturas, é necessária uma ação coordenada do governo para enfrentar a mudança de clima. O governo brasileiro está criando um sistema para prever a ocorrência de grandes períodos de seca no semi-árido e apontar as áreas suscetíveis a um processo de desertificação desencadeado por mudanças climáticas.
Batizado de Sistema Brasileiro de Alerta Precoce de Secas e Desertificação, o projeto visa à criação e implantação de um sistema, que permita trabalhar com a questão mais imediata que são as grandes secas episódicas que atingem a região, assim como a criação de uma ferramenta de diagnóstico para identificar as áreas mais afetadas pela degradação ambiental, e mais suscetíveis à desertificação.2014 está sendo um dos anos mais secos do Brasil. As chuvas escassas estão prejudicando a agricultura, ameaçando o fornecimento de energia elétrica e fazendo com que o debate sobre as mudanças climáticas volte com força total. De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas Globais (IPCC), o aquecimento global é inequívoco. O fenômeno é causado por fatores naturais, mas é intensificado significativamente pela ação humana: o IPCC avaliou 577 trabalhos científicos, descrevendo cerca de 80 mil séries de dados, para chegar a essa conclusão. E as consequências já podem ser sentidas na pele.
A temperatura média do planeta subiu 0,7ºC ao longo do século 20. E não é só: esse aquecimento vem ocorrendo de maneira mais rápida nos últimos 25 anos. Em geral, espera-se uma elevação em torno de 4°C até o fim do século. Isso está desencadeando várias alterações em todo o planeta, como mudança no regime das chuvas; elevação do nível do mar (que deverá subir em média entre 18 e 59 cm até o final do século, consumindo regiões costeiras e até ilhas inteiras); e aumento na frequência de eventos climáticos extremos, como enchentes, tempestades, furacões e secas; além de interferir na agricultura e contribuir para o processo de desertificação.
No Brasil, o clima ficará mais quente (com aumento gradativo e variável da temperatura média em todas as regiões do país entre 1oC e 6oC até 2100) e o regime de chuvas também vai mudar: as precipitações diminuirão significativamente em grande parte das regiões central, Norte e Nordeste do país; e aumentarão nas regiões Sul e Sudeste. Isso é o que aponta o primeiro Relatório de Avaliação Nacional(RAN1), lançado em 2013 pelo Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC).
“Estes estudos mostram que, no Brasil, a temperatura média aumentou aproximadamente 0,75°C até o final do século 20 (considerando a média anual entre 1961-90 de 24,9°C), sendo 1998 o ano mais quente”, afirmou o pesquisador José Marengo, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), durante a 1ª Conferência Nacional de Mudanças Climáticas Globais (Conclima), que lançou o sumário executivo do relatório. 
Regiões diferentes, mudanças diferentes
O relatório aponta que, como o Brasil é um país de dimensões continentais, as mudanças climáticas não afetarão da mesma forma todas as regiões. “De modo geral, é possível perceber um aumento nas temperaturas em todo o país, porém com intensidades diferentes em cada região. Já o regime de chuvas será diferente, com regiões tendo diminuição no volume de precipitações e outras tendo aumento”, explica o meteorologista Tercio Ambrizzi, professor de Instituto de Astronomia Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP e um dos coordenadores do Grupo de Trabalho 1 do RAN1.
Na região Norte, a temperatura deverá aumentar de 1oC a 6oC até 2100, com diminuição de 40% a 45% no volume de chuvas. No entanto, os pesquisadores sugerem que o desmatamento da Amazônia é uma questão mais urgente, tanto para proteger o bioma quanto para evitar o agravamento das mudanças climáticas. Caso o desmatamento alcance 40% na região no futuro, haverá uma mudança drástica no padrão do ciclo hidrológico, com redução de 40% na chuva durante os meses de julho a novembro – o que prolongaria a duração da estação seca e provocaria o aquecimento superficial do bioma em até 4oC, de acordo com o relatório.
As temperaturas terão um aumento relativamente baixo, e em ritmo mais lento, na região Nordeste: entre 0,5oC e 4oC até 2100, sendo que o maior aquecimento acontecerá no final do século. As chuvas também diminuirão em taxa menor, ficando em torno de 10% a 35% no período.
Já as regiões Sul e Sudeste seguem uma tendência diferente, com aumento relativamente baixo das temperaturas e crescimento do número de chuvas. De acordo com o relatório, essas regiões ficarão entre 0,5oC e 3oC mais quentes até 2100, e entre 25% e 30% mais chuvosas. A região Centro-Oeste deve seguir a mesma tendência, com projeção da elevação das temperaturas entre 3oC e 6oC no período e aumento no volume de chuvas. Muitas dessas mudanças já podem ser sentidas. Em São Paulo, por exemplo, a temperatura mínima (durante a madrugada) aumentou nos últimos anos, ou seja, estamos tendo madrugadas mais quentes.
Impacto
Essas mudanças no clima trarão uma série de impactos em diversos setores, como nos recursos hídricos, na geração e distribuição de energia, e na agricultura. Não apenas a quantidade, mas também a qualidade dos recursos hídricos está comprometida. Entre os problemas a serem enfrentados, está o risco de colapso no abastecimento de água em várias regiões urbanas, devido a estiagens mais prolongadas; maior risco de inundações; elevação do nível do mar e entrada de água salina nos lençóis subterrâneos que abastecem grande parte das cidades litorâneas e intensificação dos efeitos da poluição nos corpos hídricos, reduzindo ainda mais a disponibilidade e a qualidade hídrica. “Mesmo nas áreas em que houver aumento de vazão, prevê-se uma diminuição da qualidade, tanto pelo aumento da temperatura como pela elevação da carga poluente proveniente do escoamento superficial e da superação da capacidade das estações de tratamento e dos sistemas de esgotamento sanitário”, apontou o engenheiro agrônomo Eneas Salati, diretor-técnico da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável, durante o 1º Conclima.
A energia também é um ponto preocupante. Como as hidrelétricas são responsáveis por 85% da geração de eletricidade no Brasil, a redução do volume das chuvas em grande parte do país acarretará perdas significativas. Até mesmo o biocombustível sentirá o impacto, já que a elevação das temperaturas e a diminuição das chuvas inviabilizarão culturas como mamona e soja, sobretudo no Nordeste e no Centro-Oeste, fazendo com que essas culturas migrem mais para o Sul.
A agricultura também será afetada, com muitas culturas tendo que se deslocar devido às temperaturas elevadas e à estiagem. Culturas como feijão, soja, trigo e milho serão especialmente atingidas, sofrendo grandes reduções de área de plantio e deslocamento para regiões mais frias. “Com as mudanças climáticas, as zonas agrícolas do país deverão ser repensadas”, afirma Ambrizzi.
Ainda há tempo
Mas os pesquisadores apontam que ainda há tempo de mudar esse cenário. Existe uma série de ações que podem ser tomadas para mitigar o impacto das mudanças climáticas e minimizar suas consequências. O primeiro passo é reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE). Caso os níveis desses gases continuem a aumentar na atmosfera, as alterações climáticas serão ainda mais severas. “O problema é que esses gases permanecem na atmosfera por cerca de 50 a 100 anos. Então os gases já emitidos demorarão a ser dissipados. Por isso, a redução das emissões é de extrema importância”, declara Ambrizzi.
Para contribuir com a diminuição da emissão de gases de efeito estufa, governo e sociedade precisam pensar em fontes de energia limpa, além de novos modelos para a indústria e o transporte. Outra ação importante consistirá em brecar o desmatamento e a exploração ilegal de madeira, já que esses fatores contribuem mais para as emissões globais do que o setor dos transportes. “Temos que continuar tentando diminuir as emissões para que seja possível manter o nível de elevação da temperatura o mais baixo possível para daqui a 100 anos ou mais. A discussão agora é tentar não passar de um limiar aceitável e tentar nos adaptar a essas mudanças”, acredita Ambrizzi.
Projeções do Inpe apontam para diminuição do volume de chuvas na região Norte, aumento da temperatura no Centro Oeste, seca no Nordeste, aumento de extremos de seca, chuva e temperatura no Sudeste e aumento do volume de chuvas no Sul
por Portal BrasilPublicado11/04/2012 19h28Última modificação29/07/2014 09h01
As projeções do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC – sigla em inglês) da ONU sobre o aquecimento do planeta foram fundamentais para alertar a sociedade e os governos para a questão.
Segundo os estudos realizados pelo grupo, que reúne cientistas do mundo todo, nos próximos 100 anos poderá haver um aumento da temperatura média global entre 1,8ºC e 4,0ºC. Além disso, o nível médio do mar deve subir entre 0,18 m e 0,59 m, o que pode afetar significativamente a atividade humana e os ecossistemas terrestres. 
Para se ter uma ideia de como o processo de aquecimento da Terra está acelerado, basta saber que o planeta demorou 10 mil anos para que a temperatura aumentasse 5ºC. Agora pode levar apenas 200 anos para aumentar mais 5°C. 
Com o objetivo de projetar as consequências desse fenômeno para o Brasil, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) traçou dois cenários: um pessimista, que estima aumento da temperatura no País entre 4ºC e 6°C, e outro otimista, com alta entre 1ºC e 3°C. 
As duas projeções apontam para diminuição do volume de chuvas na região Norte, aumento da temperatura no Centro Oeste, seca no Nordeste, aumento de extremos de seca, chuva e temperatura no Sudeste e aumento do volume de chuvas no Sul, mas com alta evaporação por causa do calor, o que afeta o balanço hídrico. 
“Essas alterações climáticas causam aumento do número de eventos extremos, ou seja, passam a ocorrer mais vezes chuvas fortes, por exemplo, que provocam enchentes e deslizamentos”, afirma o geólogo Eduardo Macedo. 
O Brasil possui legislação que lida com essa questão, que é a Política Nacional sobre Mudança do Clima. Ela estabelece metas como a redução da emissão de gases de efeito estufa entre 36% e 39% até 2020, tendo como base as emissões previstas para aquele ano.
Multidisciplinar
Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT)  possui hoje 13 subprojetos voltados para o estudo das mudanças climáticas, com o objetivo de produzir conhecimento sobre o assunto de uma forma que seja acessível aos tomadores de decisão. 
Para Paulo Nobre, pesquisador do INCT, as mudanças climáticas afetam a economia, as energias renováveis, o meio ambiente, a saúde. Por isso, o desafio é tratar o tema de forma multidisciplinar, quantificar os efeitos e incorporar as políticas públicas.
O geólogo Macedo acredita que é cedo para relacionar os atuais eventos climáticos com o aquecimento global. E alerta: “Diminuir a emissão dos gases não vai fazer o fenômeno parar. Vai demorar mais 100 anos para o planeta voltar ao que era antes. Nós temos que nos adaptar à nova realidade”.

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