O estresse é um sintoma muitas vezes indescritível. Ele pode ser caracterizado por sensações de medo, desconforto, preocupação, irritação, frustração, indignação, nervoso, e pode ser motivado por diversos motivos distintos. Além disso, muitas vezes, a causa para o estresse é desconhecida.
Causas
Uma pessoa pode sentir estresse em alguns momentos importantes de sua vida, motivada, possivelmente, por ansiedade, apreensão e preocupação, como por exemplo:
- Começar em um emprego novo ou escola nova
- Mudar-se para uma casa nova
- Casar-se
- Ter um filho
- Terminar um relacionamento.
Uma doença, seja com você ou com um amigo ou ente querido, é uma causa comum de estresse. Sentimentos de estresse e ansiedade são comuns em pessoas que se sentem deprimidas e tristes também.
Alguns medicamentos podem provocar ou piorar os sintomas de estresse. Estes podem incluir:
- Alguns medicamentos inalados usados para tratar asma
- Medicamentos para tireoide
- Algumas pílulas dietéticas
- Alguns remédios para resfriado.
Produtos com cafeína, cocaína, álcool e tabaco também podem provocar ou piorar os sintomas de estresse e ansiedade.
Quando essas sensações ocorrem com frequência, a pessoa pode ter um distúrbio de ansiedade. Outros problemas em que o estresse pode estar presente:
- Transtorno obsessivo compulsivo (TOC)
- Síndrome do pânico
- Transtorno por estresse pós-traumático (TEPT).
prevenção
Prevenção
Todo estresse só é negativo quando se torna excessivo. O problema é que na maior parte das situações do dia-a-dia as pessoas são tomadas por tantas preocupações que o estresse em excesso tem se tornado um problema comum dos tempos de hoje. Mas sabia que esse tipo de nervosismo pode ser prevenido com algumas mudanças simples no seu cotidiano? Pequenos hábitos, como respiração e mudanças no dia-a-dia ajudam a controlar e evitar o problema. Confira essas e outras dicas a seguir:
Alimentar-se de forma balanceada
Alimentação muitas vezes parece ser remédio para todos os problemas, e talvez seja mesmo. No caso do estresse, ter pratos equilibrados ajuda o organismo de muitas formas. Ter um consumo adequado de gorduras, carboidratos, proteínas, vitaminas e minerais é essencial para o bem-estar do organismo. Se o nosso organismo recebe diariamente esses nutrientes, por meio da alimentação, naturalmente ele irá funcionar melhor, aumentando a energia e vitalidade que precisamos para enfrentar os problemas do cotidiano. No entanto, se existe carência ou excesso de algum elemento, o nosso corpo precisa fazer um esforço para compensar isso, o que gera mais desgaste. Por outro lado, também há a perda de nutriente durante o quadro de estresse crônico, que é agravado pelo consumo de itens como cafeína, açúcar e sal.
Praticar atividades físicas
Exercícios têm diversas características que se relacionam com o relaxamento de quem os pratica. Em primeiro lugar há a liberação de hormônios que otimizam o funcionamento do corpo. A adrenalina age na redução do estresse, o cortisol atua como anti-inflamatório, o glucagon aumenta a quantidade de glicose no fígado, o GH (hormônio do crescimento) transmite bem-estar e a endorfina produz a sensação de prazer e melhora a qualidade do sono.
Além disso, existe um mecanismo que os especialistas chamam de senso de propósito. Quando fazemos algo com a convicção de que isso está contribuindo para a nossa saúde, damos para a nossa mente comandos do tipo "isso é bom para mim", "estou seguindo na direção certa" e "estou cumprindo um propósito", que vai alimentando a nossa sensação interna de que merecemos algo bom, somos boas pessoas. Desta forma, a prática de uma atividade física ajuda a mudar um pouco o foco, saindo daquele problema que ficou incomodando o dia todo e estava causando estresse.
Mudar a postura
Ter uma postura melhor é benéfico também para a mente. E a palavra "postura" aqui não significa apenas a forma como recebemos as informações, e sim com a maneira que posicionamos nosso corpo no dia a dia. Para provar esse ponto, os especialistas costumam sugerir um exercício: primeiro posicione a cabeça para frente e encolha os ombros, curve as costas para frente, como se estivesse deprimido, e tente pensar em algo alegre. Difícil, não é mesmo? Em seguida, espalhe-se na cadeira como em um dia de verão na praia, e depois tente pensar em uma conta para pagar. Igualmente complicado! A forma com que usamos o nosso corpo tem um reflexo direto no nosso estado interno e na nossa capacidade de lidar com os problemas.
Procure rir mais
Estudos de 1989 foram os primeiros a demonstrar alguma relação entre o riso e a redução do estresse, ao perceber que voluntários que assistiam vídeos humorísticos tinham uma queda maior nos hormônios cortisol e adrenalina, do que os que assistiam a qualquer vídeo. Depois disso, vários outros estudos confirmaram esse achado, que o riso reduz os níveis de hormônios e substâncias ligados ao estresse.
Rir libera endorfinas, que são hormônios que promovem a sensação de bem-estar; também ativa a sua resposta ao estresse, aumentando a sua frequência cardíaca e pressão arterial e criando uma sensação de relaxamento. Por fim, ele também estimula a circulação e ajuda a relaxar os músculos, o que reduz os sintomas físicos do estresse.
Além do mais, a risada tem o dom de mudar a perspectiva de quem está rindo sobre as situações. Como grande parte do estresse é devido a pensamentos, julgamentos e pressões internas por resultados que vamos criando no decorrer do dia, rir pode ser uma boa alternativa para conseguir ver a situação sobre um ponto de vista diferente.
Fazer sexo
Sexo vai além do prazer: os mecanismos hormonais da prática sexual beneficiam o corpo a lidar com estresse. O contato íntimo produz alterações químicas cerebrais, melhorando o humor devido à liberação de testosterona, estrogênio, prolactina, hormônio luteinizante e prostaglandina na corrente sanguínea.
Dormir melhor
O estresse prolongado, antes de tudo, funciona como uma agressão ao nosso organismo. E dormir bem é uma das melhores formas do corpo se recuperar desse tipo de ataque. Quando você está descansado, tem uma maior clareza de pensamento e uma habilidade maior para reagir aos estímulos agressores. Pessoas que ficam longos períodos com privação de sono tendem estar mais desatentas e com os reflexos lentos. Tanto que pessoas que dormem pouco tendem a ser mais irritadas e diversos estudos relacionam transtorno de humor com pessoas que trabalham com turnos trocados.
Respirar direito
A respiração está diretamente relacionada com nossas emoções e tem a capacidade de regulá-las de duas formas: primeiro por um mecanismo fisiológico, já que o estado de ansiedade nos faz inalar o ar com mais rapidez e de forma mais rasa, e mudar isso conscientemente ajuda a acalmar, pois o corpo volta ao equilíbrio. Outro ponto está no fato do indivíduo, ao tornar sua respiração consciente, traz sua atenção ao momento presente. Com isso o estado de ansiedade tende a ser minimizado.
Auto incentivar-se
Dentro da psicologia existe um termo chamado "Positive talk" (em livre tradução, algo como fala positiva). O conceito vem do fato de que todas as pessoas conversam consigo mesmas, mas enquanto algumas sabem fazer isso como uma forma de alento e carinho, outras não sabem se auto incentivar: a maior parte das pessoas cultiva pensamentos de injustiça, sofrimento e pesar, além de fazer julgamentos sobre si mesmo que certamente não faria para os outros. O problema é que ter esse tipo de pensamento gera um círculo vicioso, que faz com que a pessoa se vitimize mais e, com isso, fiquem mais propensas a situações de estresse prolongado.
Deixar o celular de lado
Hoje em dia o celular parece parte de nós, mas saiba que ele ajuda (e muito!) a aumentar o estresse das pessoas. Um estudo publicado no BMC Public Health em 2011 acompanhou 4156 jovens de 20 a 24 anos de idade por um ano, relacionando seu uso de celular com problemas de saúde mental, como depressão, estresse e falta de sono. Foi percebido que aqueles que usam muito seus telefones tinham incidências mais altas de estresse, principalmente naqueles que percebiam esse uso como algo estressante. Diversos fatores podem ajudar nisso. Muitas pessoas acabam continuando conectadas ao trabalho, por exemplo, por meio de seus celulares, não permitindo que elas tenham tempo de descanso. Outra questão é o imediatismo desses aparelhos: o uso excessivo do celular, das redes sociais e aplicativos pode colaborar com o estresse, na medida em que se torna mais uma obrigação, porque aparece para a outra pessoa a que horas que você abriu o aplicativo ou conversou pela última vez. Claro que não há problemas em se usar o celular, desde que seu uso seja equilibrado.
diagnóstico e exames
Buscando ajuda médica
O estresse é um sentimento normal. Ele pode, inclusive, ajudar uma pessoa em seu dia a dia, melhorando seu desempenho no trabalho, por exemplo. No entanto, quando o estresse é muito grande, você pode senti-lo em seu corpo por meio de algumas reações específicas. Pode reparar, quando você está muito estressado, você pode notar:
- Um ritmo cardíaco acelerado
- Batimento fora do ritmo
- Respiração acelerada
- Sudorese
- Tremores
- Tontura.
Outros sinais de estresse incluem:
- Fezes soltas
- Necessidade frequente de urinar
- Boca seca
- Problemas para engolir.
Procure um médico se esses e outros sintomas surgirem e estiverem lhe causando preocupação. Além do mais, estes não são sinais exclusivos de estresse, mas sim de problemas de saúde mais graves.
Na consulta médica
Especialistas que podem diagnosticar estresse são:
- Clínico geral
- Otorrinolaringologia
- Psiquiatria
- Psicologia.
Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:
- Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
- Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou suplementos que ele tome com regularidade
- Se possível, peça para uma pessoa te acompanhar.
O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:
- Quando os sintomas surgiram?
- Se você pudesse descrever seus sintomas, como o faria?
- Como é sua rotina no dia a dia?
- Você se considera uma pessoa com altos índices de estresse?
- Você tem enfrentado dificuldades em sua vida pessoal, no trabalho ou nos estudos?
- O estresse tem prejudicado sua vida de qualquer forma?.Estresse é um termo que se vulgarizou nos últimos tempos. Queixa-se de estresse o homem que chega em casa depois de um dia de muito trabalho, de trânsito pesado e das filas do banco. Queixa-se a mulher que enfrentou uma maratona de atividades domésticas, profissionais e com os filhos. À noite, terminado o jantar, com as crianças recolhidas, os dois mal têm forças para trocar de roupa e cair na cama.A palavra estresse não cabe nesse contexto. O que eles sentem é cansaço, estão exaustos e uma noite de sono é um santo remédio para recompor as energias e revigorá-los para as tarefas do dia seguinte.A palavra estresse, na verdade, caracteriza um mecanismo fisiológico do organismo sem o qual nós, nem os outros animais, teríamos sobrevivido. Se nosso antepassado das cavernas não reagisse imediatamente, ao se deparar com uma fera faminta, não teria deixado descendentes. Nós existimos porque nossos ancestrais se estressavam, isto é, liberavam uma série de mediadores químicos (o mais popular é a adrenalina), que provocavam reações fisiológicas para que, diante do perigo, enfrentassem a fera ou fugissem.É pela ação desses mediadores que, num momento de pavor, os pelos ficam eriçados (diante do cão ameaçador, o gato fica com os pelos em pé para dar impressão de que é maior), o batimento cardíaco e a pressão arterial aumentam, o sangue é desviado do aparelho digestivo e da pele, por exemplo, para os músculos que precisam estar fortalecidos para o combate ou para a fuga. Vencido o desafio, vem a fase do pós-estresse. Quem já passou por um susto grande sabe que depois as pernas ficam trêmulas e, às vezes, andar é impraticável.No entanto, o estresse do mundo moderno é muito diferente do que existia no passado. Resulta do acúmulo de pequenos problemas que se repetem todos os dias. A promissória a vencer no banco e o compromisso com hora marcada prejudicado pelo congestionamento inexplicável não liberam mediadores na quantidade necessária para enfrentar um animal ameaçador, mas provocam um discreto e constante aumento da pressão arterial e do número dos batimentos cardíacos que, sem dúvida, trazem consequências nefastas para o organismo.EFEITOS DO ESTRESSE CONSTANTEDrauzio – Como os pequenos problemas do dia a dia, a longo prazo, acabam criando uma situação de estresse?Alexandrina Meleiro – O estresse é uma defesa natural que nos ajuda a sobreviver, mas a cronicidade do estímulo estressante acarreta consequências danosas ao nosso organismo. Embora a tendência do indivíduo seja elaborar estratégias para resolvê-las, muitas vezes, ele vai se adaptando às exigências do chefe intransigente, à situação econômica difícil, aos revezes do dia a dia. Se não conseguir criar essas estratégias, seu organismo não irá reagir convenientemente diante dos problemas e dará sinais de cansaço que podem afetar os sistemas imunológico, endócrino, nervoso e o comportamento do dia a dia. A continuidade dessa situação afeta a pessoa, exaurindo suas forças e ela cai num estado de exaustão, de estresse propriamente dito. Caso não consiga reverter o processo, as consequências não tardarão a surgir: aumento da pressão arterial, crises de angina que podem levar ao infarto, dores musculares, nas costas, na região cervical, alterações de pele, etc. Daí a importância de a pessoa estar alerta para os sinais que o corpo registra.Drauzio – Ninguém fica estressado de um dia para o outro. Na prática, essas manifestações corporais vão ocorrendo lentamente e a pessoa se acostuma com elas. Que dicas você dá para reconhecer que o mecanismo de estresse está se instalando?Alexandrina Meleiro – Há pessoas que experimentam picos de adrenalina e vivem bem assim. Os corredores de Fórmula 1, por exemplo, mostram-se bem adaptados ao estresse inerente à sua profissão.Quando se deve desconfiar de que algo diferente está ocorrendo? Se a pessoa notar que já não se levanta com a mesma disposição, a mesma energia para desempenhar suas atividades diárias, que se irrita com os outros facilmente, que seu comportamento está fugindo do padrão habitual, se não consegue dormir, ou mesmo dormindo a noite inteira, não acorda descansada, pois o sono não foi tranquilo e reparador, precisa ficar atenta. Algo dentro dela está avisando que as coisas não vão bem e que é fundamental tomar certas medidas para evitar consequências mais sérias. Em geral, é alguém de fora que chama atenção para o problema. A roda da vida quase sempre impede que a própria pessoa perceba com clareza o que está acontecendo com ela.CATEGORIA DIAGNÓSTICA DO ESTRESSEDrauzio – Podemos dizer que o estresse é uma doença?Alexandrina Meleiro – O estresse não está categorizado na classificação internacional das doenças. O que se observa, porém, já há algumas décadas, é que ele está presente nos consultórios dos médicos de diversas especialidades: cardiologistas, pneumologistas, endocrinologistas, clínicos gerais, psiquiatras. Isso leva a crer que, em breve, haverá uma modificação no Código Internacional de Medicina e ele será considerado uma categoria diagnóstica. Atualmente, é classificado como uma síndrome que afeta vários órgãos.Não é raro a pessoa procurar um médico, ser examinada, fazer exames e ouvir: “Isso não é nada. É só emocional”. Ora, se é emocional, é alguma coisa. Não é sensato esperar que as doenças se instalem (hipertensão, lesões nas coronárias, hipertrofia cardíaca) para tomar uma providência. Se existe um fator emocional que está desencadeando o desconforto, ele precisa ser valorizado. Nesses momentos, é sempre bom perguntar o que pode estar favorecendo o aparecimento dos sintomas. Aquilo que é estressante para um indivíduo, pode não significar nada para outro. A reação de cada um está vinculada à genética, ao temperamento, à personalidade, à maneira de perceber e assimilar as situações.Dois irmãos, mesmo que sejam gêmeos e criados da mesma forma, podem desenvolver reações absolutamente diferentes. Um se descontrola se fica preso no trânsito na volta para casa; o outro aproveita a ocasião para ouvir música, relaxar, esvaziar a cabeça e esquecer o chefe ranzinza que cobra o serviço com urgência e depois o esquece em cima da mesa. Se a promissória está para vencer na semana seguinte, um perde logo o sono e a tranquilidade, enquanto o outro deixa tudo para resolver na véspera do vencimento.É bom lembrar que não existem problemas sem solução. Basta que nos empenhemos em encontrá-la. Nem sempre aparece a solução ideal, a que gostaríamos de alcançar, mas temos de aceitá-la, seja ela temporária ou definitiva.Drauzio – O que provoca mais estresse, preocupar-se com antecedência ou deixar tudo para a última hora?Alexandrina Meleiro – Claro que quem costuma protelar as decisões indefinidamente, em determinado momento, terá de enfrentar as consequências desse comportamento sossegado. No entanto, sofrer antecipadamente não ajuda a resolver o problema. É preciso aprender a gerenciar os acontecimentos e a buscar estratégias para encontrar uma solução. Veja o caso da pessoa que fez um empréstimo no banco. O razoável é que levante algumas possibilidades para juntar o dinheiro do pagamento e estabeleça metas de poupança. Reduzir as compras no supermercado, abrir mão do celular, cortar despesas com o supérfluo pode ser um bom caminho.A pessoa que não sabe administrar os problemas de cada dia precisa aprender a fazê-lo. Às vezes, a ajuda de um profissional é indispensável para evitar que a qualidade e o tempo de vida fiquem seriamente comprometidos por esse comportamento.TENDÊNCIA AO ESTRESSE NA INFÂNCIADrauzio – Certas tendências comportamentais podem ser observadas já nas crianças pequenas. Às vezes, na mesma família, desde cedo dois irmãos demonstram atitudes opostas diante dos compromissos. Um precisa ter o material arrumado, a lancheira organizada e o uniforme em ordem bem antes de sair para a escola. O outro deixa tudo para a última hora e não se mostra nem um pouco preocupado. Não se pode atribuir apenas à educação essa forma diferente de encarar os compromissos, você não acha?Alexandrina Meleiro – Não é só a educação, mas é também a educação que interfere nessa forma de agir. Às vezes, nos deparamos com dois irmãos, gêmeos até, um muito sossegado e o outro extremamente agitado. É uma característica individual, uma exigência interna. Por isso, diante de um mesmo evento cada um reagirá a seu modo.Todos temos, porém, uma maquininha de fabricar estresse. O irmão que precisa ter tudo em ordem antes de se arrumar para a escola demonstra uma necessidade de perfeição, de ser organizado para sentir-se bem que o outro desconhece. Pouco importa para quem não é exigente se a camisa está abotoada, os tênis limpos, o lanche bem arrumado. Se, em geral, os desligados tendem a usufruir melhor qualidade de vida, são eles que penam para sobreviver no mercado competitivo de trabalho. Por isso, o importante é aprender a adequar-se às exigências. Nem ser o menino que quer tudo perfeito nem o relaxado que não se abala com nada.Drauzio – Quer dizer que esse que não arruma o material escolar, provavelmente será o que terá problemas com o banco mais tarde?Alexandrina Meleiro – Não necessariamente, porque ele pode mudar de comportamento. Caso contrário, é bem provável que tenha sérios aborrecimentos, porque o mundo não perdoa nem é complacente. Se os pais não souberem dizer não para filhos, se não lhes ensinarem um mínimo de organização, não os estarão preparando para a vida. Por outro lado, se forem exigentes demais, podem estar estimulando o estresse do filho. Vamos analisar casos extremos diante do exame vestibular. O desorganizado não consegue estruturar-se para estudar e, na hora da prova, se perde entre as questões. O outro, apesar da boa perfomance intelectual que demonstrou ao longo da vida escolar, tem um lapso de memória e não consegue lembrar-se do que estudou.Drauzio – Isso é estresse?Alexandrina Meleiro – Isso é uma exigência interna decorrente do estresse, da cobrança que ele se impõe na vida, diante das coisas que executa e faz. E se pensarmos que só os adultos estão sujeitos a desenvolver esse quadro, estaremos enganados. As crianças estão cada dia mais estressadas. Elas vão para a escola, estudam línguas estrangeiras e informática, fazem natação, balé, judô e não têm tempo para mais nada.É preciso desde cedo aprender a organizar a vida. Sem dúvida, o trabalho é essencial na vida de adultos e crianças, mas não é tudo. Todos precisam de lazer e a maioria das pessoas estressadas não sabe sentir prazer. Muitos não se permitem gozar a satisfação de ter completado uma tarefa, seja ela qual for. Sentir prazer ameniza o impacto do estresse.Nós temos sempre que pensar no lado positivo das coisas. Isso ajuda os neurotransmissores a não detonar nosso organismo. Se houve uma enchente na marginal e o trânsito estava engarrafado, ter seguro para consertar o carro ou escapar ileso da confusão já é uma grande conquista. Se formos capazes de olhar o lado positivo, mesmo que tudo pareça muito complicado, é um caminho para encontrar uma saída. Na verdade, construímos nosso destino e garantimos a qualidade de nossas vidas de acordo com o modo de enfocar possíveis contratempos.NÍVEIS DE EXIGÊNCIADrauzio – Quando está brincando, a criança exterioriza uma felicidade de dar inveja. Ela não está preocupada com a escola nem com a lição de casa sem fazer. Curte aquele momento. Com o adulto é diferente. Os momentos felizes duram pouco, porque logo está preocupado com problemas, às vezes, insolúveis. A que se deve essa insatisfação permanente do adulto?Alexandrina Meleiro – Em geral, essa insatisfação permanente que os adultos carregam como um fardo deriva do aprendizado de um comportamento. A criança não está preocupada com as tarefas, mas a mãe, o pai e os professores cobram que sejam feitas no prazo certo e com capricho. Essa cobrança vai sendo internalizada e, em dado momento, ela passa a cobrar de si mesma um desempenho impecável e perde essa coisa gostosa da infância que é sentir-se feliz e nada mais. Alcançar sempre a perfeição é um objetivo estressante e quase impossível. E as pessoas se torturam por causa disso. Esses extremos de cobrança aumentam o nível de estresse e favorecem a adição de drogas, do álcool, os quadros de depressão, ansiedade e somatização.Drauzio – O estresse pode ser uma doença crônica. Como os estados de agitação e desânimo podem evoluir para o estresse?Alexandrina Meleiro – O estresse age como os cupins que vão roendo a madeira até sobrar só uma capa externa de verniz. Quando nos damos conta, ele já danificou vários órgãos, comprometeu a performance profissional e o relacionamento dentro e fora de casa. Não importa o que o tenha provocado. Ele interfere em todas as áreas porque as pessoas não são constituídas por departamentos estanques. A primeira reação é de enfrentamento. Depois, o organismo opõe resistência ao estímulo, produz menos adrenalina e glicose para vencer o obstáculo, entra num processo de falência e surgem as doenças. Por isso, é importante as pessoas estarem alerta para o que compromete sua qualidade de vida.RELAÇÃO ENTRE ESTRESSE E ÁLCOOLDrauzio – Qual a relação entre o estresse e o álcool?Alexandrina Meleiro – O trânsito está congestionado, as pessoas param no bar e tomam uma cerveja. Aproxima-se a hora da reunião com a diretoria ou de falar em público, um uísque ajuda a criar coragem. O álcool funciona como um grande ansiolítico. Se possui esse lado angelical – amenizar a ansiedade em certos momentos -, tem também um lado diabólico: a necessidade de recorrer ao álcool aumenta sistemática e gradativamente e inúmeros prejuízos decorrem de seu uso crônico.É muito comum em profissões de maior impacto de estresse, a existência de um número grande de etilistas. Por quê? Porque diante de situações que não sabe administrar, a pessoa recorre ao álcool (e a outras drogas, como maconha, cocaína, energizantes, etc.) para se anestesiar, criando, assim, uma fantasia de bem-estar com consequências potencialmente desastrosas.Drauzio – Que profissões são essas?Alexandrina Meleiro – Em geral, as profissões de maior impacto de estresse são as que lidam com o ser humano, nas quais a interrelação pessoal é permanente. Médicos, professores, jornalistas são exemplos de gente que não pode falhar. Recentemente, os policiais passaram a engrossar esse grupo, assim como as pessoas que trabalham em bolsas de valores e em bancos por causa da instabilidade do sistema financeiro. Outro dia me perguntaram se as donas de casa estariam livres do estresse. Não estão. Gerir uma casa com orçamento minguado e múltiplas responsabilidades as tornam sujeitas a cargas maciças de estresse.Drauzio – Algumas têm mais atribuições que o alto executivo de uma empresa.Alexandrina Meleiro – Exatamente. Elas têm de administrar o orçamento, orientar os filhos que estão também estressados com os trabalhos da escola, acalmar o marido que chega de mau humor porque brigou com o chefe. Muitas ainda trabalham fora e procuram dar conta da dupla jornada com profissionalismo.Na verdade, geralmente a mulher é a pessoa que mais trabalha na família. Não tem folga nos fins de semana nem nos feriados. A dona de casa acaba sendo o centro de tudo. Todas as pancadas recaem sobre ela.Há tempos, uma pesquisa espanhola comparou os níveis de estresse em homens e mulheres. A não ser na infância, independentemente da profissão, na faixa etária entre 30 e 40 anos, o nível de estresse feminino era de 6% a 10% maior do que o masculino. Uma matéria publicada pela revista Veja destacou a vida de grandes executivas que tinham de conciliar o cuidado com os filhos e as atividades profissionais. Raramente os pais dessas crianças deixavam de trabalhar para levá-las ao médico. Isso era responsabilidade das mães. Se cabe a elas tanta responsabilidade, é preciso que aprendam a gerenciar suas vidas para transformar essa fonte de estresse em fonte de prazer.PROFILAXIA DO ESTRESSEDrauzio – Que conselhos você dá para prevenir o estresse?Alexandrina Meleiro – O primeiro passo é identificar a causa do estresse e verificar se é possível afastá-la. Se não for, é preciso criar estratégias para resolvê-la. Às vezes, a solução encontrada não é a ideal, mas é a que se pode pôr em prática naquele momento.Além disso, horas de sono e de lazer para reduzir os níveis constantes de adrenalina também são boa medida profilática.A atividade física, mas sem cobrança de desempenho perfeito, é fundamental nesse processo e curtir alguns hobbies ajuda muito desde que não estejam relacionados com o trabalho do dia a dia. Se sou médica, vou me distrair fazendo crochê, tricô ou pintura para meu cérebro descansar nesse período.Acima de tudo, a pessoa não deve automedicar-se. Incluo nisso o álcool que anestesia, os tranquilizantes e os analgésicos. Se a pessoa não conseguir controlar os níveis de estresse sozinha, deve procurar ajuda profissional.Drauzio – Acredito que os mediadores produzidos pelo estresse são consumidos pelo exercício físico. Era o que acontecia quando o homem encontrava um leão pela frente. Ou ele lutava ou saía correndo. De qualquer forma, estava consumindo os mediadores liberados pelo estresse. Por isso, andar, subir escadas, movimentar-se, enfim, têm um papel crucial no combate ao estresse, você não acha?Alexandrina Meleiro – Sem dúvida. A atividade física ajuda a neutralizar a ação dos neurotransmissores que são liberados pelo estresse, porque nosso organismo tem uma fábrica excelente de endorfina. Se fizermos exercícios, quaisquer que sejam eles, por mais de 20 minutos, o nível de endorfina, principalmente no cérebro, aumenta e isso proporciona uma sensação de bem-estar. Na época em que o professor Jatene era ministro da Saúde, dizia que, quando a coisa pegava fogo, saía andando pelo Ministério para baixar o nível de adrenalina e liberar endorfina a fim de refletir melhor para tomar medidas acertadas.
- Falar de estresse todo mundo fala – mas pouca gente sabe o que, de fato, é esse mal. "A s pessoas usam essa palavra para dizer que o dia foi corrido, com um monte de coisas para fazer, mas isso não necessariamente gera sinais de estresse, um mecanismo fisiológico sem o qual nem o ser humano nem os animais teriam sobrevivido até os dias de hoje", diz Selma Bordin, psicóloga do Hospital Israelita Albert Einstein.
Quando nossos ancestrais se deparavam com situações de perigo, como o encontro inesperado com um animal, precisavam defender-se – seja atacando ou fugindo. As duas reações possíveis demandam uma série de ajustes do corpo. "O batimento cardíaco acelera porque tem que bombear mais sangue, os músculos precisam receber mais energia, há um aumento da respiração e da pressão arterial, entre outras coisas", explica a dra. Selma.
Atualmente, vivendo em cidades e enfrentando problemas bem diversos dos da selva – como pressões para atingir metas –, o corpo continua preparando-nos para lutar ou fugir quando nos sentimos ameaçados. Mas, em geral, não partimos para a briga física, nem saímos em disparada. E toda a adrenalina, por exemplo, liberada em nosso sangue, fica sem função.Sinais
Ninguém adoece, devido ao estresse, de um dia para o outro . E o próprio corpo avisa que as coisas não vão bem, basta prestar atenção. Confira alguns sinais que podem indicar estresse:- sensação de desgaste constante
- alteração de sono (dormir demais ou pouco)
- tensão muscular
- formigamento (na face ou nas mãos, por exemplo)
- problemas de pele
- hipertensão
- mudança de apetite
- alterações de humor
- perda de interesse pelas coisas
- problemas de atenção, concentração e memória
- ansiedade
- depressão
Causas
Os chamados estressores podem ser:- internos: da própria pessoa, ligados a características de personalidade, como perfeccionismo, pressa, querer fazer tudo ao mesmo tempo.
- externos: do ambiente. Mudanças em geral, até mesmo as positivas, desencadeiam estresse – porque exigem uma adaptação. Assim, são grandes fatores estressantes externos, por exemplo: o nascimento de um filho, mudanças profissionais (troca de emprego, promoção, demissão), aposentadoria, mudança de casa, divórcio, doença ou morte de pessoas queridas. Mas há também os pequenos, como o trânsito, que pode acabar tendo um peso importante para muitas pessoas.
"Quão estressante é um fator depende sempre do fator em si e da forma que a pessoa lida com ele", comenta a dra. Selma.Veja o potencial estressante de algumas situações, sendo 100 o maior possível*.- morte do cônjuge - 100
- divórcio - 73
- prisão - 63
- morte de um parente querido - 63
- casamento - 50
- demissão do trabalho - 47
- aposentadoria - 45
- reconciliação conjugal - 45
- gravidez - 40
- grandes conquistas pessoais - 28
- problemas com o chefe - 23
- férias - 13
*Fonte: The Social Readjustment Rating Scale, dos psiquiatras Thomas H. Holmes e Richard H. Rahe, ambos da Universidade de Washington, nos Estados Unidos.Como evitar e tratar
É bom lembrar que estresse todo mundo tem, mas até certo ponto. No dia-a-dia, situações diversas apresentam-se para as pessoas, que se adaptam a elas. "É preciso ter estresse para poder viver. O problema é quando ele se torna excessivo, quando supera a capacidade de adaptação da pessoa ou quando ele persiste por muito tempo", alerta a psicóloga.Algumas atitudes simples podem evitar ou amenizar o estresse:- dormir direito
- cuidar da saúde
- alimentar-se de forma saudável
- fazer atividades físicas
- proporcionar-se momentos de prazer
- refletir sobre a maneira de lidar com as situações e buscar mudanças
"Se com esses cuidados a própria pessoa não conseguir controlar os níveis de estresse, deve procurar ajuda profissional", aconselha a profissional.Três procedimentos ajudam a tratar o estresse:- identificar os estressores
- aumentar a resistência pessoal a ele
- quando for possível, eliminá-lo
Quão estressante é um fator depende sempre do fator em si e da forma que a pessoa lida com eleVocê também pode gostar de:
No tratamento, o psicólogo ajuda o paciente a encontrar formas de contornar os estressores que não podem ser mudados. "Se meu problema é o trânsito, vou tentar horários, rotas alternativas. Se não tenho escolha, não vou ficar dentro do carro chorando e gritando. Eu posso aproveitar esse tempo para ouvir música, uma fita de idiomas, ler alguma coisa enquanto está parado. Precisamos resolver o que fazer com o problema", diz a dra. Selma.Já os estressores internos, aqueles que são resultado de características de personalidade, requerem um trabalho maior. "Ninguém muda com pequenas dicas, e psicoterapia pode ser necessária. Quando o jeito de lidar com as coisas é problemático, é aconselhável procurar um psicólogo", orienta a dra Selma.Importante: em nenhum momento deve-se lançar mão da automedicação. "Não existe medicação para tratar estresse. Alguns médicos prescrevem complexos vitamínicos. Se o estresse for crônico e evoluir para um estado depressivo ou ansioso, encaminhamos para avaliação de um psiquiatra", explica.Estresse (português brasileiro) ou stresse (português europeu) pode ser definido como (a) a soma de respostas físicas e mentais causadas por determinados estímulos externos (estressores) e que permitem ao indivíduo (humano ou animal) superar determinadas exigências do meio ambiente e (b) o desgaste físico e mental causado por esse processo.O termo estresse foi tomado emprestado da física, onde designa a tensão e o desgaste a que estão expostos os materiais, e usado pela primeira vez no sentido hodierno em 1936pelo médico Hans Selye na revista científica Nature.O estresse pode ser causado pela ansiedade e pela depressão devido à mudança brusca no estilo de vida e a exposição a um determinado ambiente, que leva a pessoa a sentir um determinado tipo de angústia. Quando os sintomas de estresse persistem por um longo intervalo de tempo, podem ocorrer sentimentos de evasão (ligados à ansiedade e depressão). Os nossos mecanismos de defesa passam a não responder de uma forma eficaz, aumentando assim a possibilidade de vir a ocorrer doenças, especialmente cardiovasculares.Índice
[esconder]Terminologia[editar | editar código-fonte]
O termo estresse, agaste ou consumição, foi usado por Selye (1976)[1] com um sentido neutro - nem positivo nem negativo. Ele o definiu como "reação não específica do corpo a qualquer tipo de exigência" ou falta de esportes físicos. A partir dessa definição Selye diferencia dois tipos de estresse: o eustresse (eustress) ou agaste, que indica a situação em que o indivíduo possui meios (físicos, psíquicos...) de lidar com a situação, e o distresse (distress) ou esgotamento, que indica a situação em que a exigência é maior do que os meios para enfrentá-la. Apesar de ainda ser usado em inglês, o termo "distresse" caiu quase em desuso, sendo substituído pelo próprio termo estresse, que passou a ter o sentido (atual) negativo de desgaste físico e emocional[2] .Outro termo importante no estudo do estresse é o termo estressor ou esgotador, que indica um evento ou acontecimento que exige do indivíduo uma reação adaptativa à nova situação; a essa reação se dá o nome de coping (ing. lidar). Tais reações de coping ou adaptação podem ser funcionais ou disfuncionais, conforme cumpram ou não sua função na superação da situação na adaptação a ela[3] .Os estressores, dependendo do grau de sua nocividade e do tempo necessário para o processo de adaptação, dividem-se em[3] :- acontecimentos biográficos críticos (ing. life events): são acontecimentos (a) localizáveis no tempo e no espaço, (b) que exigem uma reestruturação profunda da situação de vida e (c) provocam reações afetivo-emocionais de longa duração. Esse acontecimentos podem ser positivos e negativos e ter diferentes graus de normatividade, ou seja, de exigência social. Exemplos são casamento, nascimento de um filho, morte súbita de uma pessoa, acidente, etc;
- estressores traumáticos: são um tipo especial de acontecimentos biográficos críticos que possuem uma intensidade muito grande e que ultrapassam a capacidade adaptativa do indivíduo (ver trauma);
- estressores quotidianos (ing. daily hassels): são acontecimentos desgastantes do dia a dia, que interferem no bem-estar do indivíduo e que veem essas experiências como ameaçadoras, dolorosas, frustrantes ou como perdas. São exemplos: problemas com peso ou aparência, problemas de saúde de parentes próximos que exigem cuidados, aborrecimentos com acontecimentos diários (cuidados com a casa, aumento de preços, preocupações financeiras, etc.);
- estressores crônicos (ing. chronic strain): são (a) situações ou condições que se estendem por um período relativamente longo e trazem consigo experiências repetidas e crônicas de estresse (exemplos: excesso de trabalho, desemprego, etc.) e (b) situações pontuais (ou seja com começo e fim definidos) que trazem consigo consequências duradouras (Exemplo: estresse causado por problemas decorrentes do divórcio).
Exemplos de estressores:- desprezo amoroso;
- dor e mágoa;
- luz forte;
- níveis altos de som;
- eventos: nascimentos, morte, guerras, reuniões, casamentos, divórcios, mudanças, doenças crónicas, desemprego e amnésia;
- responsabilidades: dívidas não pagas e falta de dinheiro;
- trabalho/estudo: intimidação ("bullying"), provas, tráfego lento e prazos pequenos para projetos;
- relacionamento pessoal: conflito e decepção;
- estilo de vida: comidas não-saudáveis, fumo, alcoolismo e insônia;
- exposição de estresse permanente na infância (abuso sexual infantil).
Teorias do estresse[editar | editar código-fonte]
As várias teorias do estresse, antes de serem teorias concorrentes, são teorias complementares, que se baseiam umas nas outras.Reação de emergência[editar | editar código-fonte]
Uma das primeiras teorias do estresse, apresentada pelo fisiologista Walter Cannon em 1914, ainda antes de a palavra ser utilizada com o sentido atual, foi a chamada "teoria da luta ou fuga" (fight-or-flight). Segundo essa teoria em situações de emergência o organismo se prepara para "o que der e vier", ou seja, para lutar ou fugir, segundo o caso. Esse tipo de reação foi observado em animais e em humanos. Estudos empíricos puderam observar um outro tipo de reação, chamado "busca de apoio" (tend-and-befriend), observado pela primeira vez em mulheres[4] [5] . Essa outra reação ao estresse caracteriza-se pela busca de apoio, proteção e amizade em grupos.Síndrome geral de adaptação[editar | editar código-fonte]
Essa teoria, chamada general adaption syndrome em inglês, é a teoria original de Seyle (1936), segundo a qual o organismo reage à percepção de um estressor com uma reação de adaptação (ou seja, o organismo se adapta à nova situação para enfrentá-la), que gera uma momentânea elevação da resistência do organismo. Depois de toda tensão deve seguir um estado de relaxamento, pois apenas com descanso suficiente o organismo é capaz de manter o equilíbrio entre relaxamento e excitação necessário para a manutenção da saúde. Assim se o organismo continuar sendo exposto a mais estressores, não poderá retornar ao estágio de relaxamento inicial, o que, a longo prazo, pode gerar problemas de saúde (exemplo: problemas circulatórios). Esse processo atravessa três fases[6] :- Reação de alarme: a glândula hipófise secreta maior quantidade do hormônio adrenocorticotrófico que age sobre as glândulas suprarrenais. Estas passam a secretar mais hormônios glicocorticoides, como ocortisol. Este por sua vez inibe a síntese proteica e aumenta a quebra de proteínas nos músculos, ossos e nos tecidos linfáticos. Todo esse processo provoca um aumento do nível de aminoácidos no sangue, que servem ao fígado para a produção de glucose, aumentando assim o nível de açúcar no sangue - a excessiva produção de açúcar poder levar a um choque corporal. Outra consequência da inibição da síntese de proteínas é a inibição do sistema imunológico.
- Estágio de resistência: caracterizado pela secreção de somatotrofina e de corticoides. Gera, com o tempo, um aumento das reações infecciosas.
- Estágio de esgotamento: não cessando a fonte de estresse, as glândulas suprarrenais se deformam. Doenças de adaptação podem aparecer.
O modelo de Henry[editar | editar código-fonte]
Este modelo diferencia as reações corporais de acordo com a situação estressora: fuga gera um aumento de adrenalina, luta de noradrenalina e testosterona, depressão (perda de controle, submissão) um aumento de cortisol e uma diminuição de testosterona[7] .O modelo transacional de Lazarus[editar | editar código-fonte]
Esse modelo, também chamado de modelo cognitivo, sublinha a importância de processos mentais de juízo para o estresse: segundo ele, as reações de estresse resultam da relação entre exigência e meios disponíveis. Essa relação é, no entanto, mediada por processos cognitivos (juízos de valor e outros). Assim, não apenas fatores externos podem agir como estressores, mas também fatores internos, como valores, objetivos, etc. O modelo prevê dois processos de julgamento[3] :1. Juízo primário (primary appraisal): modificações, que exigem uma adaptação do organismos para a manutenção do bem-estar, são julgadas quanto a três aspectos - se a situação é (a) irrelevante, (b) positiva ou (c) negativa para os objetivos do indivíduo. Se os acontecimentos são considerados irrelevantes ou positivos, não ocorre nenhuma reação de estresse; reações de adaptação são típicas de situações julgadas negativas, nocivas ou ameaçadoras.2. Juízo secundário (secondary appraisal): Após a decisão sobre a necessidade de adaptação, ocorre um julgamento dos meios disponíveis (recursos para essa adaptação, para a solução do problema. Se a relação entre exigências e meios for equilibrada, então a situação é tomada por um desafio - o que corresponde ao conceito de eustresse (estresse positivo, ver acima "Definições"); se os estressores forem tomados por um dano ou perda, o indivíduo experimenta emoções de tristeza e de diminuição da autoestima ou de raiva; se os estressores forem considerados uma ameaça a emoção é medo - ambos os casos correspondem ao distresse de Seyle.Teoria da manutenção de recursos de Hobfoll[editar | editar código-fonte]
A teoria do grupo de pesquisa de Hobfoll apresenta uma compreensão mais ampla e mais ligada ao contexto social do estresse. Ela parte do princípio de que o ser humano tem por objetivo manter os recursos pessoais (ing. resources) que têm e buscam gerar novos. Estresse define-se aqui como uma reação ao meio ambiente em que ou (1) há uma ameaça de perda de meios, ou (2) há uma real perda de meios, ou ainda (3) o aumento de meios esperado fracassa depois de um investimento com o objetivo de aumentá-los.O modelo estresse-vulnerabilidade[editar | editar código-fonte]
De acordo com o modelo estresse-vulnerabilidade o irromper de um transtorno mental ou de uma doença física está ligado, de um lado, à presença de uma predisposição genética ou adquirida no decorrer da vida (vulnerabilidade) e, de outro, à exposição a estressores. Quanto maior a predisposição, menor precisa ser o nível de estresse para que um distúrbio qualquer irrompa. A relação entre vulnerabilidade e estresse, no entanto, é mediada pela resiliência, ou seja, a capacidade do indivíduo de resistir ao estresse[3] . Importante para este tema é o conceito de salutogênese.Reação ao estresse em homens e mulheres[editar | editar código-fonte]
Embora a reação mais descrita seja a de fuga-ou-luta, no ano 2000 surgiu uma nova visão sobre o fenômeno, distinguindo a forma de reagir dos homens e mulheres. Estas seriam menos propensas a lutar ou fugir, apresentando reação de cuidado com a prole, mediada por neurotransmissores diferentes dos que atuam nos homens.[8]Referências
- ↑ Seyle, H. (1976). Stress in health and disease. Boston: Butterworth.
- ↑ Nitsch, Jürgen R. (1981). "Zur gegenstandbestimmung der Stressforschung". Em J.R. Nitsch (Hrsg.), Stress. Theorien, Untersuchungen, Massnahmen (p. 29-51). Bern: Huber.
- ↑ a b c d Perrez, Laireiter & Baumann, 2005, cap. 11 em: Meinrad Perrez & Urs Baumann, Urs (2005) (Hrgs.). Lehrbuch klinische Psychologie - Psychotherapie, 3. Aufl. Bern: Huber.
- ↑ * Taylor, S.E., Klein, L.C., Lewis, B.P., Gruenewald, T.L., Gurung, R.A.R., & Updegraff, J.A. (2000). "Biobehavioral responses to stress in females: Tend-and-befriend, not fight-or-flight". Psychological Review, 107, 411-429.
- ↑ psychologytoday: Tend-and-befriend.
- ↑ Verbete Anpassungssyndrom, allgemeines em Pschyrembel Klinisches Wörterbuch (2007), 261. Aufl. Berlin: de Gruyter.
- ↑ Faller, Herrmann & Lang, Herrmann (2006). Medizinische Psychologie und Soziologie. Heidelberg: Springer.
- ↑ Mulheres e homens – diferença e preconceito (10 de setembro de 2011).
Bibliografia[editar | editar código-fonte]
- Faller, Herrmann & Lang, Herrmann (2006). Medizinische Psychologie und Soziologie. Heidelberg: Springer. ISBN 3-540-29995-5
- Nitsch, Jürgen R. (1981). "Zur gegenstandbestimmung der Stressforschung". Em J.R. Nitsch (Hrsg.), Stress. Theorien, Untersuchungen, Massnahmen (p. 29-51). Bern: Huber. ISBN 3-456-80699-X
- Perrez, Meinrad & Baumann, Urs (2005) (Hrgs.). Lehrbuch klinische Psychologie - Psychotherapie, 3. Aufl. Bern: Huber. ISBN 3-456-84241-4
- Seyle, H. (1976). Stress in health and disease. Boston: Butterworth.
Ligações externas[editar | editar código-fonte]
Ver também[editar | editar código-fonte]
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