sábado, 10 de outubro de 2015

LABIRINTITE

Sarina Grosswald, educadora, é especialista em aprendizagem cognitiva que recentemente foi diretora do primeiro estudo do tipo sobre os efeitos do programa de Meditação Transcendental em crianças com deficiências de aprendizagem relacionadas com linguagem. Dra. Grosswald e seu trabalho foram extensivamente apresentados na mídia nacional dos Estados Unidos, incluindo PBS e ABC News.

Steven Rector, M.D.

Steven Rector, médico, tem praticado medicina de emergência durante os últimos 18 anos. É diplomado do Conselho Americano de Medicina de Emergência.

Aqui os Drs. Grosswald e Rector
respondem sobre síndrome do estresse.

P: Eu realmente me estresso com coisas que não aborrecem outras pessoas, como falar na frente de um grupo ou ter que cumprir um prazo. A MT pode ajudar?

P: Há pesquisas para mostrar estes efeitos?

P: E sobre o estresse causado por privação do sono? Eu quase que nunca tenho uma boa noite de sono. A técnica da Meditação Transcendental pode me ajudar com isso?

P: Um pouco de estresse não pode ser uma coisa boa? Ele não nos dá uma força para fazermos coisas que não faríamos sem ele, como cumprir prazos?

P: Eu tiro férias pelo menos uma vez por ano. O estresse se vai por um tempo, mas de volta para o trabalho eu começo a sentir as pressões crescendo.

P: Dizem que o estresse é a causa de 90% das doenças. Que tipo de mudanças ocorre no corpo como resultado do estresse?

P: Olhando mais positivamente, os níveis de hormônio se tornam mais equilibrados quando o estresse é diminuído por meio da técnica da Meditação Transcendental?

  • A labirintite real (a infecção ou inflamação do labirinto) pode ser causada por vírus, bactérias, lesão na cabeça, alergia ou reação a um determinado medicamento
Você acorda cedinho e parece que tudo está girando. Aí, você sente tontura, enjoo, perde o equilíbrio e tem um grande mal-estar. Cuidado, isso pode ser labirintite.

Labirintite é um termo usado popularmente para descrever quadros de tontura e vertigem. Mas, na verdade, é uma doença pouco frequente, caracterizada por uma infecção ou inflamação no labirinto (estrutura do ouvido interno constituída pela cóclea, responsável pela audição, e pelo vestíbulo, responsável pelo equilíbrio).
"As alterações do equilíbrio decorrentes do labirinto deveriam ser denominadas alterações vestibulares", ensina Eliézia Alvarenga, otorrinolaringologista do Hospital Samaritano de São Paulo.

Essas alterações vestibulares, ao contrário, são muito comuns, e atingem cerca de 33% das pessoas em algum período da vida, de acordo com uma pesquisa realizada pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) no ano passado. E podem ser desencadeadas pela má alimentação e pelo estresse.

Uma questão de equilíbrio

O equilíbrio corporal é algo complexo e depende das respostas dos dois labirintos (direito e esquerdo, que devem estar em sintonia), do sistema musculoesquelético, que envolve a coluna e nos mantém ereto; e do sistema visual, que tem uma atuação no sistema modulador e transmissor dos impulsos nervosos responsáveis pelo equilíbrio, dadas pelo sistema nervoso central.

"Quando qualquer doença causa um distúrbio nesse sistema, podem ser desencadeadas tonturas, instabilidades ou até vertigens fortes com náuseas e vômitos. Isso é a `labirintite', termo genérico para as doenças do labirinto", explica Ricardo Ferreira Bento, professor do Departamento de Oftalmologia e Otorrinolaringologia e diretor da Divisão de Otorrinolaringologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). Como o labirinto é parte do sistema do ouvido, a labirintite é relacionada à diminuição auditiva, zumbido ou sensação de "ouvido cheio".

São inúmeras as causas das chamadas labirintites.  O labirinto pode ser afetado por alterações inflamatórias, infecciosas, traumáticas, metabólicas, vasculares, degenerativas, neurológicas, endócrinas, tumorais, por medicações ou abuso de drogas entre outras. Já a labirintite real (a infecção ou inflamação do labirinto) pode ser causada por vírus, bactérias, lesão na cabeça, alergia ou ser uma reação a um determinado medicamento.

"Apesar do quadro de tonturas e náuseas ser muito desagradável, na maioria das vezes a labirintite não é causada por um problema de maior gravidade", diz Luiz Ubirajara Sennes, professor do Departamento de Oftalmologia e Otorrinolaringologia e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Otorrinolaringologia da FMUSP. De qualquer forma, ele recomenda sempre procurar auxílio médico quando houver uma crise de tontura, para que seja investigada sua causa e afastada a suspeita de doenças graves.

Cuidado com o que você come

Os alimentos também podem interferir nas crises de labirintite.  Os três principais inimigos do ouvido interno são o açúcar, o sal e a cafeína. A ingestão de açúcar em excesso pode interferir nas estruturas do labirinto, fazendo com que ele mande mensagens erradas ao cérebro. O sal está relacionado ao aumento da pressão nos vasos, o que também pode perturbar o labirinto. E a cafeína pode estimular demais o labirinto, também causando perturbações.

"Hábitos alimentares inadequados como ingestão de muita gordura e açúcar podem levar a alterações metabólicas que irão afetar o correto funcionamento do labirinto (colesterol aumentado, hipoglicemia por hiperinsulinismo, entre outras)", alerta Sennes.

É preciso prestar atenção não apenas no que se come, mas também em como se come. Comer sentado à mesa, sem pressa e tranquilamente, diminui o estresse, ajuda a digestão e faz bem para todo o corpo – até mesmo para o equilíbrio. Outra atitude que ajuda é comer a cada três horas, pois o labirinto precisa de um aporte constante de glicose e oxigênio para exercer suas funções. Ficar em jejum, portanto, não é uma boa ideia.

Hidratar-se também é essencial. Beber aproximadamente dois litros de água por dia é fundamental para que todas as reações biológicas do corpo ocorram adequadamente.

CUIDADOS PARA EVITAR CRISES

  • Para se evitar uma crise de alterações vestibulares, ou labirintite, é possível adotar uma série de atitudes. A primeira delas é tomar cuidado especial com a alimentação, tendo uma dieta balanceada e evitando alimentos gordurosos ou ricos em açúcar e carboidratos. Cafeína e álcool também devem ser evitados. Outra atitude importante é ficar longe do cigarro. A nicotina e outras substâncias do cigarro são tóxicas para o labirinto.

    A prática de exercícios físicos também pode ajudar, pois estimula a circulação e o bem-estar de todo organismo.

    Enfim, um estilo de vida saudável, que une alimentação equilibrada e prática regular de exercícios físicos, além de evitar situações de estresse, pode ajudar – e muito – a impedir a deflagração de uma crise de labirintite. "A vida saudável com peso adequado, alimentação regular, exercícios físicos e ausência de estresse é a melhor prevenção para as alterações do labirinto", afirma Sennes.

No stress

O estresse também pode levar a tonturas, pois é uma alteração do estado normal do organismo, com mudanças na liberação de hormônios, das funções cardiovasculares e digestivas, do sistema nervoso e psicológicas que podem afetar secundariamente o labirinto.
O estresse influencia no desencadeamento da sensação de tontura, o que, muitas vezes, acaba confundindo o diagnóstico da labirintite.

Mas ainda não se sabe com certeza se o estresse poderia causar a labirintite. No entanto, sabe-se que ele pode desencadear uma crise, assim como agravar seus sintomas.
"O estresse, muitas vezes, pode ser o gatilho para a crise e sua manutenção, gerando insegurança e retroalimentando a tontura e o estresse. Em um determinado momento dificulta saber o que veio primeiro: a tontura ou o estresse", diz Alvarenga.

Nem toda tontura é labirintite

Tontura não é doença, mas, sim, um sintoma que pode surgir em numerosas doenças. É um sinal de alerta de que algo não vai bem no organismo.

As tonturas estão entre os sintomas mais frequentes em todo o mundo e são de origem labiríntica em 85% dos casos. Mas elas podem estar relacionadas a outros problemas também. Um deles é o já citado estresse. Outros podem ser queda repentina da pressão arterial, desidratação e queda na taxa de açúcar no sangue (hipoglicemia), e até mesmo problemas cardíacos, hipertensão e tumores.
"Por isso, é sempre importante procurar serviço médico especializado para diagnosticar as causas e realizar o tratamento adequado", recomenda Bento.

Para descobrir as causas, inicialmente é feita uma série de testes, que são chamados de otoneurológicos, para diagnosticar se o problema é no labirinto e o que o provoca. Quando diagnosticada a labirintite, o tratamento varia de acordo com a causa, e pode ir de medicamentos para melhorar problemas do labirinto e da circulação sanguínea até intervenções cirúrgicas.

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São informações táteis percebidas pela pele, que chegam através dos músculos e articulações, informações óticas (por isso, quando fechamos os olhos, podemos perder a noção do equilíbrio) e as informações auditivas que vêm através dos sons.
Para entender melhor o que é labirintite, uma doença que pode comprometer o equilíbrio, é preciso conhecer um pouco a anatomia do ouvido interno, que fica atrás da membrana do tímpano. Ele é constituído pela cóclea, uma estrutura enovelada semelhante a um caracol, que contém as terminações do nervo auditivo, e por três canais semicirculares. Logo abaixo deles está o vestíbulo.
Todas as células que revestem essas estruturas têm a capacidade de receber as ondas sonoras que fazem vibrar o tímpano e, identificando-as, transformá-las em estímulo nervoso, ou seja, num sinal elétrico que, através do nervo auditivo, alcança o cérebro onde são decodificados os impulsos recebidos.
Quando essas estruturas sofrem processos inflamatórios, infecciosos, destruições ou compressões mecânicas podem provocar os sintomas próprios da labirintite.
SINTOMAS DA LABIRINTITE
Drauzio –  O que provoca a labirintite?
Antonio Douglas Menon – A labirintite é uma doença que pode acometer tanto o equilíbrio quanto a parte auditiva. Os órgãos responsáveis pelo equilíbrio e pela audição estão situados dentro do ouvido interno e se comunicam com o sistema nervoso central através dos nervos da audição e do nervo vestibular.
Doenças infecciosas, inflamatórias, tumorais e mesmo alterações genéticas podem ocasionar alterações nessas estruturas anatômicas e provocar sintomas como vertigem e tonturas.
Drauzio – Qual é a diferença entre vertigem e tontura?
Antonio Douglas Menon – Vertigem vem do latim “vertere” e quer dizer rodar. A definição clássica de vertigem é a  alucinação do movimento. Tontura admite outras definições. O indivíduo tem a sensação de desequilíbrio, de instabilidade, de pisar no vazio, a impressão de que vai cair.
Drauzio – Vamos deixar bem claro quais sintomas diferenciam a crise de labirintite da tontura comum que a pessoa sente porque se alimentou mal, por exemplo.
Antonio Douglas Menon – Na vertigem, o indivíduo vê os objetos do ambiente rodar a sua volta ou seu corpo rodar em relação ao ambiente. Pode parecer a mesma coisa, mas não é. São duas manifestações diferentes. Uma é subjetiva e a outra, objetiva. Esses sintomas, associados ou não a náuseas, vômitos e sudorese, caracterizam a crise labiríntica típica.
Sentir-se mal e ter a sensação de desmaio podem ser sintomas de hipoglicemia, de hipotensão ou de uma síncope, e nada têm a ver com o labirinto. É o caso do indivíduo que vai à igreja sem comer, fica sentado muito tempo na mesma posição, tem uma queda nos níveis de açúcar e sente-se mal, com náusea.
Drauzio – Além de sentir as coisas girarem, que outras características tem a labirintite?
Antonio Douglas Menon – Além da vertigem, a labirintite pode apresentar manifestações neurovegetativas. Ou seja, na fase aguda a doença, a labirintite pode ser acompanhada por náuseas, vômitos, sudorese e até por alterações gastrintestinais. Ela pode também estar associada a manifestações auditivas, como perda de audição, sensação de plenitude auditiva (sensação de ouvido cheio ou tapado), zumbido. Trata-se de manifestações audiovestibulares que podem acompanhar a crise de vertigem, embora nem isso nem o inverso sempre aconteçam.
No entanto, existem quadros completos que ocorrem, por exemplo, na Síndrome de Ménière, uma doença comum cujas principais características são crise vertiginosa acompanhada de surdez flutuante, zumbido e alterações neurovegetativas, como náuseas, vômitos, mal-estar e diarreia, que impedem o paciente de locomover-se, de movimentar-se.
Drauzio – A manifestação mais ou menos típica da labirintite é a tontura surgir quando a pessoa muda a posição da cabeça. Por que isso acontece?
Antonio Douglas Menon – Além da doença de Ménière, outras doenças vestibulares dão vertigem. Uma delas é a vertigem postural paroxística. Seu portador desencadeia a crise, quando movimenta a cabeça ou movimenta a cabeça e o corpo conjuntamente.
Drauzio – O que acontece dentro da cabeça nesse momento?
Antonio Douglas Menon – Dentro do labirinto, nos canais semicirculares, há um líquido – a endolinfa – e uma configuração de otólitos, pedras pequeninas que se movimentam quando o indivíduo move a cabeça. No caso da vertigem postural paroxística, na área do utrículo e do sáculo nas máculas, existem as otocônias, pedrinhas situadas sobre a mácula que se movimentam quando a pessoa mexe a cabeça. Esse é um fator desencadeante da vertigem e um quadro bem definido dentro da otorrinolaringologia.
Existem outras doenças vestibulares que podem provocar vertigem além da síndrome de Ménière e da vertigem postural paroxística, como as neuronites ou neurites vestibulares (processos inflamatórios no nervo e nos gânglios vestibulares) e os neurinomas ou schwanomas que são patologias tumorais importantes.
Drauzio – Todas as alterações que aparecem nessa região do ouvido interno podem provocar labirintite?
Antonio Douglas Menon – Provocam manifestações traduzidas pela vertigem clássica, rotatória, ou tontura caracterizada por desequilíbrio e instabilidade.
LABIRINTITE, ÁLCOOL E MEDICAMENTOS
Drauzio  O álcool  pode desencadear um processo semelhante a esse?
Antonio Douglas Menon – Pode provocar. Ingerido em doses um pouco maiores, deixa o indivíduo tonto, com alterações vestibulares. São reflexos da ação do álcool sobre o labirinto por causa da hipotensão que ele acarreta dentro das estruturas do vestíbulo.
Drauzio – Alguns medicamentos também podem provocar essa manifestação?
Antonio Douglas Menon – As drogas vestibulotóxicas, por exemplo, também podem provocar manifestações semelhantes às do álcool. Alguns antibióticos aminoglicosídeos, entre eles a gentamicina e outros mais ototóxicos que agem sobre a cóclea inclusive, principalmente a estreptomicina, podem ter alguns efeitos colaterais. No entanto, atualmente um dos tratamentos utilizados para a doença de Ménière, por exemplo, é a injeção intratimpânica de drogas, como a gentamicina e corticoides -dexametasona.
Drauzio  A droga é aplicada no tímpano?
Antonio Douglas Menon – Há várias técnicas para se fazer isso. Com a cabeça do paciente rodada para o lado, aplica-se uma injeção de gentamicina diretamente no ouvido médio. Através das janelas redonda e oval, ela vai para o interior do vestíbulo e atua sobre as estruturas do ouvido interno, principalmente as vestibulares, fazendo com que cesse o quadro vertiginoso.
FAIXA ETÁRIA E AÇÃO DOS MEDICAMEENTOS
Drauzio – Labirintite em criança existe, mas é pouco frequente.Qual a relação entre crises de labirintite e idade?
Antonio Douglas Menon – A labirintite incide mais na idade adulta, a partir dos 40 ou 50 anos, decorrente de alterações metabólicas e vasculares. Níveis aumentados de colesterol, triglicérides e ácido úrico podem acarretar alterações dentro das artérias, alterações essas que diminuem a quantidade de sangue nas áreas do cérebro e do labirinto.
Drauzio  Como agem os medicamentos usados para tratar labirintite?
Antonio Douglas Menon – Há vários tipos de medicamentos. Há os vasodilatadores que facilitam a circulação sanguínea, porque melhoram o calibre dos vasos muitas vezes reduzido pelas placas de ateromas. Existem os labirintossupressores, drogas que suprimem a tontura através de sua ação no sistema nervoso. Existem, ainda, aqueles que atuam sobre outros sintomas, suprimindo a náusea, o vômito e o mal-estar.
Drauzio – Sem tratamento, quanto tempo a crise costuma durar?
Antonio Douglas Menon – Depende do tipo da doença. A fase aguda pode durar de minutos ou horas a dias conforme a intensidade da crise.
Geralmente na doença de Ménière, caracterizada por vertigem com náuseas, vômitos, perda auditiva e zumbido, é necessário sedar o paciente, porque na maior parte das vezes a crise é desencadeada pelo estresse. Nesse caso, elas podem ser mensais, anuais ou desaparecem por dois ou três anos.
Drauzio – Às vezes são crises subentrantes?
Antonio Douglas Menon – São subentrantes, mas sempre com perda da audição. É a chamada surdez flutuante, porque se alternam períodos de queda e de melhora da audição.
CUIDADOS COM O ESTILO DE VIDA
Drauzio – Você falou em estresse. Que outros fatores do estilo de vida interferem na sucessão das crises?
Antonio Douglas Menon – A parte psíquica e emocional é muito importante, assim como certos fatores alimentares. Geralmente, em indivíduos pré-diabéticos, o excesso de açúcar está relacionado com crises subentrantes por causa da hipoglicemia. Bebidas gasosas que contenham quinino também podem desencadear zumbido no ouvido, por exemplo. Na verdade, cada organismo reage de uma maneira diferente diante do estímulo a que está sendo submetido.
Drauzio – As crises podem ter alguma relação com a prática de exercícios físicos?
Antonio Douglas Menon – O exercício físico provoca um desgaste, pois queima muitas calorias. Se a pessoa fizer exercício sem um preparo prévio adequado, por exemplo, sem ingerir alimentos que mantenham a taxa de glicose no sangue em bom nível, em decorrência da hipoglicemia pode ter queda de pressão, alterações no sistema vestibular, tontura, mal-estar e desequilíbrio.
Drauzio – Quando aparece um doente em plena crise, além de prescrever os medicamentos adequados, você recomenda que permaneça numa posição específica?
Antonio Douglas Menon – Recomendo que ele fique na posição em que se sentir melhor, não importa qual seja ela, sentado, deitado de costas ou de lado. Em geral, esses pacientes sabem muito bem como se posicionar durante a crise.
Drauzio  Na sua experiência, qual a posição que eles preferem?
Antonio Douglas Menon – Há quem goste de ficar sentado, mas a maioria prefere ficar em decúbito dorsal lateral com a cabeça um pouco levantada.
Drauzio  Em relação à alimentação, o que você recomenda?
Antonio Douglas Menon – Recomendo uma dieta extremamente leve constituída por alimentos fáceis de digerir e líquidos à vontade. Prescrevo também medicamentos para controlar náuseas e vômitos, a fim de que o indivíduo consiga alimentar-se. Às vezes, ele precisa ser hospitalizado para receber medicação parenteral, ou seja, soro na veia com glicose, soro fisiológico, cloreto de sódio, visando à sua hidratação adequada. Existem, ainda, medicações atuantes, muito usadas em anestesias, que melhoram a crise vertiginosa rapidamente. Esse tratamento, porém, só deve ser feito no hospital por causa dos efeitos colaterais que essas drogas apresentam.
Drauzio – Qual a conduta mais indicada para as pessoas que periodicamente apresentam crises de labirintite?
Antonio Douglas Menon – É preciso fazer um tratamento de base, no sentido de prevenir as crises, se possível respaldado pelo diagnóstico etiológico da doença. Conhecer sua causa permite tratar melhor o paciente. Em sua grande maioria, os tratamentos são sintomáticos, com drogas que deprimem o labirinto e evitam as crises de tontura.
Drauzio – Quanto ao estilo de vida, o que você aconselha? As pessoas podem dirigir automóvel, por exemplo?
Antonio Douglas Menon – Durante a crise, nunca, porque poderão ocasionar acidentes graves. Fora dela, dependendo do remédio, as pessoas podem levar vida normal. Atualmente, a grande maioria das drogas de manutenção não restringe as atividades dos pacientes. Por outro lado, em geral eles sabem o que costuma desencadear as crises, se é virar muito a cabeça ou ouvir ruídos muito fortes, e se previnem contra esse tipo de agressão.
Drauzio – A pessoa que tem crises com determinada frequência, além de tomar remédios, o que deve fazer para evitá-las?
Antonio Douglas Menon – Geralmente, a pessoa sabe quais são os fatores que desencadeiam suas crises. Ela se mantém em equilíbrio por informações que partem do labirinto e vão para o cérebro. São informações visuais, táteis ou que partem de seus músculos e articulações. Quando ocorre uma informação errada no cérebro, o indivíduo tem tontura, tem vertigem. Às vezes, são fatores visuais. Há pacientes que não podem ver objetos em movimento, nem mesmo a movimentação das imagens na televisão ou na tela do computador.
Drauzio – A influência da visão é nítida. Pessoas de olhos fechados se desequilibram facilmente.
Antonio Douglas Menon – Pessoas privadas da visão baseiam-se muito na informação tátil. Elas tocam as coisas e enviam ao cérebro informações sobre seu posicionamento no espaço naquele momento.
CINETOSE OU DESORIENTAÇÃO ESPACIAL
Drauzio – Crianças que ficam tontas dentro de automóveis em movimento, por exemplo, ou pessoas que começam a ler durante uma viagem e ficam tontas estão tendo uma crise de labirintite?
Antonio Douglas Menon – Isso não é labirintite. É uma doença do movimento que se chama cinetose, sem ligações com as doenças vestibulares do labirinto. Acomete pessoas que em determinadas condições de movimento apresentam manifestações neurovegetativas caracterizadas por tonturas, náuseas e vômitos.
A cinetose é uma patologia bastante comum e relacionada com a enxaqueca. Crianças e jovens com esse tipo de problema, geralmente, na idade adulta ou na puberdade, têm crises de enxaqueca.
Drauzio – Como se trata a cinetose?
Antonio Douglas Menon – Previnem-se as crises com drogas, principalmente com dimenidrato, escopolamina em adesivos cutâneos, e antieméticos (domperidona). Nos navios e aviões, costuma haver comprimidos desse medicamento à disposição dos passageiros com sintomas de cinetose.
Drauzio  O mal-estar que as pessoas sentem num barco balançando está associado à labirintite?
Antonio Douglas Menon – Não. Esse mal-estar, chamado de motion sickness, também é desencadeado por mecanismo neurovegetativo.
Drauzio – Você disse que esses episódios têm relação com a enxaqueca?
Antonio Douglas Menon – Estudos mostram que de 60% a 80% das crianças com a chamada vertigem postural da infância, na fase adulta, manifestam alguma forma de enxaqueca. Esse é um dado muito importante para diagnóstico e tratamento.
Drauzio – Crianças com cinetose têm prevalência alta de enxaqueca na vida adulta. O problema pode desaparecer com o crescimento?
Antonio Douglas Menon – Pode desaparecer com a idade por mecanismos que ainda não conhecemos direito. É mais ou menos o mesmo que acontece com a enxaqueca. Sabe-se como acontecem as crises, quais são as alterações vasculares e os fatores desencadeantes, e que existe uma tendência familiar para o problema, mas não se descobriu ainda sua causa.
Drauzio – No caso da labirintite, identificado o elemento causador da doença, o tratamento cura as pessoas?
Antonio Douglas Menon – Identificada a causa e estabelecido o tratamento adequado, a doença desaparece. Quando a causa não é evidente, é preciso ficar atento, fazer alguns exames e não deixar de fazer o diagnóstico, pois existem doenças no sistema nervoso central que podem provocar manifestações no labirinto. Entre elas destacam-se esclerose em placas, tumores no nervo auditivo, no cerebelo e nas áreas do tronco cerebral, além de doenças imunológicas.
Crianças que manifestem quadros de tontura constante e desequilíbrio exigem uma avaliação clínica bastante detalhada, porque alguns tumores podem provocar esses sintomas. Afastada a hipótese de vertigem postural ligada à enxaqueca e de cinetose, se os sintomas persistem, elas devem ser examinadas não só pelo otorrinolaringologista, mas também por neurologistas. Vertigem em criança deve ser levada a sério.

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