A etiologia (do grego "αιτία", aitía, causa) é o estudo ou ciência das causas. Não há que se falar em etiologia como termo restritivo duma ciência isoladamente. A biologia, acriminologia, a psicologia, a medicina e várias outras ciências possuem em seu campo de actuação a presença de conhecimento etiológico, visando a busca das causas que deram origem ao seu objecto de estudo. O conceito abrange toda a pesquisa que busca as causas de determinado objecto ou conhecimento.
No ramo da biologia, a etiologia preocupa se com as causas das doenças. Os agentes ou factores que causam uma doença, podem ser classificados como factoresendógenos (do próprio organismo) ou exógenos (do ambiente), pelo papel que desempenham na causalidade multifactorial das doenças e pelo seu potencial agressivo (virulência). Estudada em patologia humana, veterinária e vegetal.
Modelo biopsicossocial[editar | editar código-fonte]
É importante enfatizar que na etiologia de doenças e factos nunca existe apenas um único causador. E é consideravelmente difícil definir qual o causador mais importante e quais são irrelevantes, o que geralmente são temas polémicos no meio científico. Actualmente nas ciências da saúde se segue o modelo biopsicossocial, que considera todas as doenças com origens simultaneamente biológicas, psicológicas e sociais sendo necessário uma actuação multiprofissional para efectivamente combater a doença, dando preferência para a prevenção primária.[1]
Por exemplo, para o desenvolvimento de um câncer (tumor), existem factores biológicos (predisposição genética, reacção a toxinas, displasias, etc.), factores psicológicos (comportamentos de risco, estresseprejudicial a saúde, dependência psicológica em substâncias cancerígenas, entre outros) e factores sociais (reforço social para o uso de álcool, tabaco e outras drogas, propagandas para uso de produtos cancerígenos, trabalhos insalubres, etc.). E apenas fazer o tratamento médico não vai resolver o problema a longo prazo se por exemplo a pessoa for fumante, alcoolista, trabalhar com toxinas e viver em um ambiente contaminado com metais pesados.
Mito etiológico[editar | editar código-fonte]
Mito etiológico é o termo usado na antropologia para os mitos que descrevem o surgimento de algo.
Ex.: o fogo foi encarcerado pelo demiurgo no interior de determinada madeira; a produção do fogo por fricção seria portanto, apenas o desvelamento, a reconstituição de um ato primordial. (v. Lévêque, 1990, p.96)
Outro exemplo notável de um mito etiológico envolve a renomada Calçada dos Gigantes, localizada na Irlanda do Norte, que é um sítio de colunas de basalto interligadas formando o que parece ser uma gigantesca calçada, sendo esta na verdade o resultado de uma erupção vulcânica que ocorreu sob certas condições naturais peculiares entre 50 a 60 milhões de anos atrás.[2] Obviamente a lenda irlandesa sobre criaturas mitológicas gigantes com manifestadas habilidades de pedreiro tem servido para explicar e justificar algo incompreensível ao povo autóctone sobre seu meio ambiente;[3] a ocupação humana na Irlandateve início após a última era glacial, no mesolítico, por volta de 8 mil anos antes da Era Comum.[4]
Fonte[editar | editar código-fonte]
Lévêque, Pierre; "As Primeiras Civilizações - vol. III - Os indo-europeus e os semitas", Lisboa-Portugal:Edições 70, 1990, 168p.
Referências
- ↑ MINAYO, Maria Cecília de Souza. Saúde-doença: uma concepção popular da etiologia. Cad. Saúde Pública [online]. 1988, vol.4, n.4 [cited 2011-03-13], pp. 363-381 . Available from: <http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X1988000400003&lng=en&nrm=iso>. ISSN 0102-311X. doi: 10.1590/S0102-311X1988000400003.
- ↑ United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization - World Heritage Convention: Giant's Causeway and Causeway Coast
- ↑ The Giant Crystal Project Site: Formation of basalt columns / pseudocrystals; a lenda de Finn McCool, o gigante irlandês; sítio acessado em 25 de outubro de 2011
- ↑ Oxford University Press: A New History of Ireland - Prehistoric and Early Ireland (Volume I), Edited by Dáibhí Ó Cróinín; ISBN13: 9780198217374, ISBN10: 0198217374, 1302 pp.Etiologia é um ramo de estudo destinado a pesquisar a origem e a causa de um determinado fenômeno.A etiologia está presente em diversas ciências diferentes, como a psicologia, biologia, criminologia, antropologia e etc.Porém, este método de estudo é bastante comum na medicina, no intuito de analisar as prováveis causas dos diversos tipos de doenças.Quando são descobertos os causadores (ou causador) de uma doença específica, estes são chamados de “agentes etiológicos”, justamente por serem os organismos responsáveis pelo desenvolvimento de determinada patologia.Saiba mais sobre o significado de agente etiológico.Em outras áreas do conhecimento, a etiologia é utilizada para explicar o surgimento de algo, seja um costume, uma tradição ou um ritual específico.A antropologia, por exemplo, se ocupa em traçar uma cronologia sobre como se iniciaram alguns dos costumes típicos de algumas sociedades contemporâneas ou já extintas.Essas teorias são chamadas de “mitos etiológicos”, que consistem nas histórias populares que narram como algo teria surgido.Etimologicamente, este termo se originou a partir da palavra grega aitía, que significa “causa”, “culpa” ou mesmo “responsabilidade”.
Sinônimos de etiologia
- Base
- Causa
- Origem
- Motivo
- Razão
- Fundamento
Ver também o significado de patologia. ste artigo trata basicamente das REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DE SAÚDE/DOENÇA de um segmento da classe trabalhadora que vive em favelas do Rio de Janeiro. Mais especificamente, discute-se aqui a visão etiológica das doenças, a partir da perspectiva popular, em confronto com os modelos biomédicos e com as interpretações correntes da antropologia e da sociologia médica. Fundado em trabalho de campo, esse estudo aponta para o fato de que, como fragmento da cultura popular, a visão de saúde-doença é pluralista, ecológica e holística. A base de concepções populares é a sua própria inserção no mundo material, histórico, vivo e repleto de contradições. O modo de pensar saúde-doença que é, ao mesmo tempo, o modo de pensar a vida e a morte, remete às raízes tradicionais desses grupos mas também à sua inserção no mundo industrial; faz parte do imaginário social que ultrapassa os limites de tempo, do espaço e das classes, mas se projeta de forma específica, contribuindo tanto para definir como para questionar as políticas e os serviços oficiais de saúde.
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