sábado, 16 de janeiro de 2016

AVALANCHE

Uma avalanchaavalanche (do francês suíço AFI[a.va.lɑ̃ʃ]) ou alude é um fenômeno que se verifica quando uma massa acumulada de neve repentinamente se movimenta de forma rápida e violenta e se precipita em direção ao vale. Durante a descida, a massa carrega cada vez mais neve e pode arrastar árvoresrochas e construções humanas, atingindo até 160 quilômetros por hora. Este destacamento de massas de neve pode ser provocado por diversas causas, como a passagem de esquiadores, a ação de fortes ventos, propagação do som etc.

Mecanismo de formação[editar | editar código-fonte]

As avalanches de neve produzem-se quando é perdida sustentação para a neve. Esta perda de sustentação e a avalanche consequente pode serespontânea ou provocada por ação humana.[1]

Avalanches espontâneas[editar | editar código-fonte]

As avalanches espontâneas produzem-se por um acúmulo excessivo de neve ou por uma mudança nas condições da neve acumulada.[2] Aquelas devidas a acumulações produzem-se em tempo de nevadas fortes e são normalmente de neve recente.[3]
Os aumentos de temperatura[4] e a chuva são as alterações mais frequentes e afetam a neve de qualquer qualidade. O segundo motivo mais frequente das avalanches naturais são as mudanças metamórficas na neve acumulada por causa do derretimento provocado pela radiação solar. Nesse caso a neve aumenta de peso relativo a superfície (isto é, a pressão) até o ponto em que as camadas inferiores não conseguem suportar.[5] Por serem neve recente ou úmida, aumenta a sua fluidez e escorregam sobre outras camadas de neve endurecida.[2]

Proteção[editar | editar código-fonte]

A alta periculosidade das avalanchas faz com que em zonas de risco criem-se específicas unidades de prevenção, que observam e analisam as condições meteorológicas e da neve para avaliar o risco. Nos locais mais expostos, é necessário provocar o deslizamento controlado das massas de neve instáveis por meio de cargas explosivas. O sistema mais vulgar para diminuir os efeitos da avalanches é a colocação de barras metálicas dispostas verticalmente, para "partir" as massas de neve ou os muros de desvio [6] .
Para permitir a circulação do transito ferroviário e/ou automóvel, nas zonas de montanha utiliza-se as chamadas protecções para-avalanche se bem que a finalidade não seja a de as parar, mas sim as proteger da avalanche. São como que um "telhado", uma galeria aberta, que cobre a via e permite que a neve possa passar por cima sem portanto provocar a paragem do tráfego. Nas zonas onde as avalanches são frequentes fala-se de corredores de avalanche [6] .

Medidas de prevenção[editar | editar código-fonte]

Segundo informações dos Bombeiros da Catalunha, para aproveitar uma saída à neve com segurança é necessário prepará-la com antecipação, conhecer o percurso (buscando o caminho que seja mais seguro),[7] conhecer a previsão meteorológica[8] e o risco de avalanches, e levar o equipamento adequado.[9] Segundo as recomendações da Proteção Civil da Catalunha, há que se ter em conta que as vibrações produzidas por um berro, queda ou movimento no chão podem iniciar uma avalanche.[10]

Outros tipos[editar | editar código-fonte]

Por extensão de sentido, hoje uma avalancha pode também significar a rápida precipitação de rochas ou lama. No caso de avalancha de rochas, as causas normalmente são terremotos e pequenos abalossísmicos. Já quando há uma avalancha de lama, esta pode ser causada pelo derretimento da neve e consequente mistura com a terra ou mesmo em encostas sem neve e atingida por fortes chuvas. De forma geral, as avalanchas de lama estão ligadas à erosão do terreno e desmatamento de bosques e matas nas zonas mais íngremes de montanhas e morros.
Em montanhas cobertas por manto nevoso, o risco de avalanchas é muito baixo em encostas com menos de 25 ou mais de 60 graus de inclinação. O risco maior se encontra em encostas com inclinação entre 35 e 45 graus, atingindo o mais alto risco com 38 graus. É justamente a esta inclinação que a prática do esqui se vê mais favorecida, levando a tragédias que ocorrem anualmente tanto no hemisfério Norte como no Sul.

Tabela europeia de risco de avalanchas[editar | editar código-fonte]

Na Europa, o risco de avalanchas é aferido utilizando-se a seguinte escala, adotada desde abril de 1993, substituindo esquemas anteriores não padronizados. Em maio de 2003 a tabela foi atualizada para aumentar sua uniformidade e precisão [11] .
Nível de riscoEstabilidade da massa de neveRisco de avalancha
1 - BaixoA neve é muito estável.A ocorrência de avalanchas é muito improvável, exceto quando grandes massas caem em encostas extremas. Avalanchas espontâneas têm consequências menores, normalmente em segurança.
2 - LimitadoAlgumas encostas têm alguma instabilidade, enquanto que na maioria delas há estabilidade da massa de neve.Avalanchas podem ocorrer quando há uma forte precipitação ou abalo mecânico em uma zona específica. Grandes avalanchas espontâneas são muito raras.
3 - MédioEm algumas encostas a neve pode estar moderadamente instável.Avalanchas podem ocorrer em algumas encostas mesmo com leves precipitações de neve ou abalos mecânicos. Avalanchas de tamanho médio o ligeiramente grande podem ocorrer espontaneamente.
4 - AltoNa maioria das encostas a neve é instável.Avalanchas devem ocorrer mesmo com pequenas precipitações de neve ou abalos mecânicos. Em alguns lugares, avalanchas de tamanho médio e grande são esperadas.
5 - AltíssimoA neve é em sua generalidade instável.Até mesmo em encostas de pouca inclinação podem ocorrer avalanchas espontâneas.

Na Física[editar | editar código-fonte]

Na física é o processo ocorrente num gás em que há um campo elétrico, e que consiste na multiplicação do número de íons e elétrons formados num evento ionizante, graças aos choques inelásticos sucessivos dos íons acelerados pelo campo com as moléculas do gás.

Na Eletrônica[editar | editar código-fonte]

Em eletrônica, existe o fenômeno da avalanche térmica que é a autodestruição de componentes que ocorre devido ao aumento de uma corrente parasita chamada corrente de fuga, que descontrolada aumenta atemperatura do componente, e em função do aumento da temperatura, aumenta a corrente de fuga, formando um sistema autoalimentado até a autodestruição.

Modelagem matemática[editar | editar código-fonte]

Tentativas de modelar o comportante de avalanches datam do começo do século XX, notavelmente o trabalho do Professor Lagotala em preparação às Olimpíadas de Inverno de 1924 em Chamonix.[12] Seu método foi desenvolvido por A. Voellmy e tornou-se popular após sua publicação em 1955 de seu Ueber die Zerstoerungskraft von Lawinen (Sobre a Força Destrutiva das Avalanches).[13]
Voellmy usou uma fórmula empírica simples, tratando uma avalanche como um bloco deslizante de neve movendo-se com uma força de arrasto proporcional ao quadrado da velocidade de seu fluxo:[14]
 \textrm{Pref} = \frac {1} {2} \, { \rho} \, { v^2} \,\!
Ele e outros posteriormente desenvolveram outras fórmulas que levam em conta também outros fatores[12]
Desde a década de 1990 muitos modelos mais sofisticados foram desenvolvidos.[15]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Ir para cima López 1988: p. 216
  2. Ir para cima Erro de citação: Tag <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs chamadas GEC
  3. Ir para cima Castellet 2005: capítulo 6.1.3
  4. Ir para cima Castellet 2005: capítulo 6.1.3.2
  5. Ir para cima Castellet 2005: capítulo 6.1.4.4
  6. ↑ Ir para:a b Ver Galerie photos com "galerie paravalanche", "râteliers" e "murs déflecteurs"
  7. Ir para cima Castellet 2005: capítulo 6.3.1.3
  8. Ir para cima Castellet 2005: capítulo 6.4
  9. Ir para cima "Aludes: prevención y seguridad".
  10. Ir para cima "Què fer en cas d'allau?".
  11. Ir para cima Tabela de risco de avalanche (em francês) - Jul. 2012
  12. ↑ Ir para:a b Snow Avalanches, Christophe Ancey
  13. Ir para cima VOELLMY, A., 1955. Ober die Zerstorunskraft von Lawinen. Schweizerische Bauzetung (English: On the Destructive Force of Avalanches. U.S. Dept. of Agriculture, Forest Service).
  14. Ir para cima Quantification de la sollicitation structures métaliques avalancheuse par analyse en retour du comportement de structures métallliques, page 14, Pôle Grenoblois d’études et de recherche pour la Prévention des risques naturels, October 2003, in French
  15. Ir para cima SATSIE Final Report (large PDF file - 33.1 Mb), October 1, 2005 to May 31, 2006

Leitura adicional[editar | editar código-fonte]

  • McClung, David. Snow Avalanches as a Non-critical, Punctuated Equilibrium System: Chapter 24 in Nonlinear Dynamics in Geosciences, A.A. Tsonsis and J.B. Elsner (Eds.), Springer, 2007
  • Mark the Mountain Guide: Avalanche!: a children's book about an avalanche that includes definitions & explanations of the phenomenon
  • Daffern, Tony: Avalanche Safety for Skiers, Climbers and Snowboarders, Rocky Mountain Books, 1999, ISBN 0-921102-72-0
  • Billman, John. "Mike Elggren on Surviving an Avalanche". Skiing magazine February 2007: 26.
  • McClung, David and Shaerer, Peter: The Avalanche Handbook, The Mountaineers: 2006. 978-0-89886-809-8
  • Tremper, Bruce: Staying Alive in Avalanche Terrain, The Mountaineers: 2001. ISBN 0-89886-834-3
  • Munter, Werner: Drei mal drei (3x3) Lawinen. Risikomanagement im WintersportBergverlag Rother, 2002. ISBN 3-7633-2060-1 (em alemão) (partial English translation included in PowderGuide: Managing Avalanche Risk ISBN 0-9724827-3-3)
  • Michael Falser: Historische Lawinenschutzlandschaften: eine Aufgabe für die Kulturlandschafts- und Denkmalpflege In: kunsttexte 3/2010, unter: http://edoc.hu-berlin.de/kunsttexte/2010-3/falser-michael-1/PDF/falser.pdf
  • Avalanches (em francês) - Jul. 2012
  • Avalanches.fr do Ministère de l'Ecologie et du Développement Durable francês, é "o sítio web" sobre tudo que tem a ver com avalanches, como dados sobre avalanches nos Alpes franceses ou, e por departamento, sítios sensíveia avalanches provocado pela chuva.Uma avalanche é um dos fenômenos denominados por “movimentos de massa” e que fazem parte da dinâmica do relevo terrestre. Elas ocorrem sempre em locais bastante íngremes e constituem o deslocamento de parte do solo e/ou material rochoso, gelo e neve.
    Os movimentos de massa ocorrem sempre devido à instabilidade do material (solo, neve, gelo, rocha) ocasionada pela atuação da força da gravidade aliada a algumas características determinantes como a inclinação do terreno, presença ou não de vegetação, e principalmente, a presença de água. Outros fatores também influenciam nesse movimento, como a ocorrência de erosões, sismicidade, degradação das raízes da vegetação que “segura” o solo, tipos e estruturas de material favoráveis à instabilidade e pequenos deslizamentos.
    Alguns movimentos de massa são bastante lentos, quase imperceptíveis, enquanto outros são bastante rápidos atingindo velocidades de quilômetros por hora.
    A avalanche de neve ou gelo costuma ocorrer devido ao degelo de glaciais ou simplesmente pelo deslizamento do solo causado pela instabilidade que a grande quantidade de água presente nele provoca. Alguns solos possuem muitas matações (pedras soltas, muito grandes e arredondadas) que aumentam a possibilidade de ocorrer deslizamentos.
    Outro tipo de avalanche muito comum é a que ocorre em regiões vulcânicas. As rochas vulcânicas ao receberem muita água da chuva ou degelo tornam-se o que é chamado em alguns lugares de “lahares”: deslizamento de terra ou lama extremamente veloz e que possui um poder muito grande de destruição. Geralmente carrega consigo, além do material piroclástico (fragmentos de origem vulcânica), pedaços de árvores, rochas, construções e o que mais houver pela frente. Esse tipo de avalanche ocorre geralmente por causa do derretimento de uma camada de gelo ou neve que se forma no topo de vulcões que estavam inativos e foram aquecidos devido à extrusão iminente.
    Como pôde ser percebido, a água é um fator determinante na ocorrência dos movimentos de massa. Isso porque, a saturação do solo diminui a coesão de suas partículas o que, aliado a força cinética desta (principalmente em solos com base rochosa) e a inexistência de vegetação acarreta o deslizamento. Em solos rochosos, a água pode ter o mesmo efeito ao penetrar por cisalhamentos nestas.
    Os movimentos de massa podem ser classificados quanto à direção em: vertical (queda de blocos), diagonal (rastejamento) e lateral (deslizamento).
    Outra classificação é dada segundo a cinemática do movimento, tipo de material envolvido, seu tamanho e forma: o rastejo, é o nome dado aos movimentos lentos onde há o deslocamento apenas da parte superior do solo em locais com declividade de 35º ou mais e que possui uma velocidade de deslizamento maior na camada superficial; os deslizamentos que podem ainda ser divididos em escorregamentos, que ocorrem devido à presença de uma camada superficial composta por material desagregado sobre rocha fresca com espessura que vai de alguns centímetros a vários metros e chama-se “regolito”; e as corridas de massa, ocasionadas por grande presença de água que faz com que a separação do material sólido da parte aquosa seja bastante dificultada; e, por último, as quedas de blocos, movimentos verticais (ou próximos a 90º) que quase sempre ocorrem por mera ação da força de gravidade.
    As avalanches encaixam-se no grupo dos deslizamentos, pois ocorrem em movimentos rápidos.

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