sábado, 23 de janeiro de 2016

DENTE DE LEITE

Caiu... E agora? Quando a criança perde os primeiros dentes de leite, muitos pais guardam de recordação, transformam em pingentes ou estimulam a o filho a colocá-lo embaixo do travesseiro, à espera da fada do dente. No entanto, a ciência oferece outras possibilidades (muito nobres!) de destino para esse pedacinho do seu filho.
Você pode, por exemplo, guardar o dente extraído em um recipiente com soro fisiológico, dentro de uma caixinha de isopor com gelo, e encaminhá-lo para uma universidade de odontologia da sua cidade. Muitas instituições recebem essas doações, que são úteis para diferentes tipos de pesquisa e para o estudo da anatomia durante as aulas. Outra possibilidade é entrar em contato com laboratórios ou universidades que realizam pesquisas com células-tronco. A instituição enviará à família ou ao consultório do odontopediatra responsável pela extração um recipiente específico, com um líquido usado exclusivamente para conservar os tecidos da polpa do dente (a parte encontrada no centro da raiz, onde possivelmente há tecidos com células-tronco).
"As pesquisas com célula-tronco estão cada vez mais avançadas. Aquelas encontradas na polpa dos dentes contam com a facilidade de acesso, já que o dente cai naturalmente", explica Marcelo Bönecker, professor de Odontopediatria da USP (Universidade de São Paulo), uma das primeiras instituições a criar um banco de dentes para receber as doações. É de lá o Projeto Fada do Dente, focado em pesquisas sobre o autismo infantil. Vale lembrar que, se a criança precisar extrair um dente permanente por algum outro motivo, ele também pode ser doado – sua polpa contém células-tronco do mesmo jeito. Além da USP, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a Universidade Federal de Minas Gerais e a Universidade de Ribeirão Preto são algumas das instituições que recebem doações.
"Trabalhos recentes mostram que essas células oferecem grandes possibilidades de sucesso em tratamentos de doenças como lúpus e diabetes", aponta o professor. Os pais interessados podem contratar um laboratório para armazenar os dentes de leite do filho, assim como se faz com o cordão umbilical. O material será, então, congelado e ficará à disposição da criança, caso ela precise de um tratamento desse tipo no futuro. Para isso, é preciso desembolsar cerca de R$ 1.800 para a contratação do serviço e R$ 400 por ano para manutenção do dente.
A fase da janelinha
Toda criança passa por ela. Algumas encaram o período com bom humor, outras sofrem e sentem vergonha, mas o fato é que a troca faz parte do desenvolvimento e é normal. "Hoje isso tem acontecido mais cedo. Os primeiros dentes caem por volta dos 5 ou 6 anos de idade. As meninas costumam passar por esse processo um pouco antes, em comparação aos meninos", diz Marcelo Bönecker. ‘
Ao comer, falar ou fazer a escovação, seu filho pode começar a sentir o dente mais mole. Com o tempo, a raiz vai se desprendendo, até que um dia ele simplesmente cai ou fica solto a ponto de os pais ou mesmo a própria criança conseguirem puxá-lo. "Nesses casos, quando o dente cai ou é extraído em casa, quase não ocorre sangramento. Se houver um pouco, basta enrolar uma pedra de gelo em uma gaze e pressionar sobre o local para estancar", ensina Bönecker. De acordo com o especialista, a temperatura baixa provoca constrição dos vasos sanguíneos e ameniza a situação. É por isso que alguns profissionais recomendam que as crianças tomem sorvete após a remoção de algum dente. "E essa parte elas adoram, não é?", brinca o professor. Depois de aberta a janela, a ponta do dente permanente aparece em algumas semanas, mas seu crescimento completo pode levar entre 6 e 8 meses.
Quando o dente não quer cair
Nem sempre esse processo acontece de forma natural, embora essa seja a melhor maneira de garantir um crescimento ósseo normal. Às vezes, antes de um dente cair, seu substituto começa a nascer na posição errada, encavalado no outro. Nessa situação, leve a criança ao consultório para que o dentista retire-o. "Como essa é uma fase em que o maxilar e a mandíbula estão em crescimento, o problema costuma se resolver sozinho depois da extração. O próprio movimento muscular de falar e de comer já estimula a correção, sem precisar recorrer aos aparelhos ortodônticos”, esclarece Bönecker.
Quando a criança não quer perdê-lo    
Há também outro tipo de situação: o dente está mole, quase caindo, mas a criança não quer extraí-lo. "Existe um fator psicológico. Algumas crianças lidam muito bem com isso, enquanto outras sentem que é uma perda. E não deixa de ser", coloca o professor da USP. Medo, insegurança de ter a aparência modificada ou da possibilidade de sofrer bullying na escola são alguns dos motivos de resistência. Acostumados a isso, profissionais especializados no público infantil podem ajudar os pais a lidar com a situação. "Algumas crianças vêm ao consultório e não querem que eu remova os dentes. Dependendo do caso, fazemos um trato: ela volta para casa e, se o dente não cair sozinho em dois dias, combinamos de ela voltar", conta Bönecker. O importante é fazer com que o acontecimento não seja traumático e ajudar a criança a encará-lo com naturalidade.
Risco de engolir
Em alguns casos, o dente fica tão mole que dá medo de cair de repente e a criança engolir sem perceber. E se acontecer durante a noite, enquanto dormem? "Não existe um caso sequer relatado na literatura", tranquiliza Paulo César Rédua, presidente da ABO (Associação Brasileira de Odontopediatria). Durante o sono, é praticamente impossível que isso ocorra, porque a tendência é eliminar o que estiver na boca, e não deglutir. E, se acontecer, não tem problema: do mesmo jeito que entrou, o dente será expelido quando a criança for ao banheiro. O perigo maior é o de aspirar. Aí, sim, ele pode entrar nas vias aéreas e causar problemas mais graves.
Para chegar até esse ponto, no entanto, precisa estar realmente muito mole. Para não correr o risco, basta ficar atento. Se a raiz estiver quase se desprendendo e ainda assim a criança não quiser extrair, talvez seja a hora de levá-la ao consultório e pedir a avaliação de um especialista.É sumamente importante que os pais conheçam a cronologia da erupção dos dentes das crianças, a fim de melhor avaliarem o desenvolvimento de sua dentição.
A estatura (altura) e o nascimento dos dentes das crianças são facilmente observáveis e espelham seu desenvolvimento.
No entanto, as idades em que irrompem os dentes, tanto os dentes de leite (decíduos ou provisórios) quanto os permanentes, varia muito. Diferenças de até um ano, com o aqui relatado, podem estar dentro da normalidade e individualidade da criança.
Todos sabemos que a idade de vida (idade cronológica) geralmente não coincide com a idade de maturação do desenvolvimento (idade biológica).
O crescimento e o desenvolvimento variam de indivíduo para indivíduo, dependente de sua genética e outros fatores.
As meninas sempre têm maturação mais cedo que os meninos, de tal forma que se pode esperar que as idades aqui referidas (que correspondem à média) sejam menores para as meninas e maiores para os meninos.
Havendo diferença, entre a idade cronológica e a biológica, de mais de 6 meses, é recomendável consultar um especialista.
Nas imagens a seguir, mais importante do que a idade, em se refere ao nascimento do dente, é a cronologia de erupção dos dentes, isto é a seqüência com que eles irrompem na boca da criança.
Ainda que está seqüência também possa apresentar variações individuais, elas podem ser prenuncio de alguma anormalidade. Principalmente naqueles casos em que um dos dentes erupciona e o corresponde no outro lado à arcada (seu homólogo) não erupciona. Exemplo: O Incisivo Central Superior direito erupciona e o esquerdo tarda mais de 3 meses para mostrar sua presença. Quando isto acontece, levanta-se a suspeita de que há algum impedimento ou obstrução no caminho de erupção. Isto pode ser um dente extra numerário, um cisto, ou posição atópica genética ou traumática.
Tão logo se caracterize a irregularidade na seqüência de erupção um especialista deve avaliar esta situação.
Erupção dos dentes de leite
Dentição Decídua (Do nascimento aos 6 anos)
Os dentes decíduos, vulgarmente chamados dentes provisórios ou dentes-de-leite (pela sua cor mais branca), são em número de dez (10) na arcada dentária superior e, com a mesma denominação e número na arcada dentária inferior.
Incisivos Centrais
Incisivos Laterais
Caninos
Primeiros molares decíduos
Segundos molares decíduos
Os dentes decíduos para irromperem devem rasgar a gengiva e isto dói. A criança fica inquieta e até irritada com o nascimento dos dentes, procuram alguma coisa para morder. Um artefato de borracha, que a criança morda, pode ser boa ajuda para apressar o rompimento da gengiva.
A erupção dos primeiros dentes decíduos, os Incisivos Centrais inferiores, pode ser esperada em redor dos 7 meses de idade, imediatamente a seguir os Incisivos Centrais superiores e depois os Incisivos laterais. Há relatos de crianças que já nascem com os Incisivos Centrais. Diz a história que Robespiare nasceu com dentes...
Aos quatro anos a criança deverá estar com todos os dentes de leite erupcionados. Dentição decídua completa, que permanece assim até os 6 anos, quando nasce o primeiro molar permanente, e inicia-se a dentição mista. Antes dos 6 anos observam-se dois aspectos importantes: a presença de Diastemas dos Primatas e os diastemas que se abrem entre os Incisivos decíduos. Estes dois assuntos serão descritos em separado.


Diastema dos Primatas e Diastemas dos 6 anos
O espaço entre os Caninos e Laterais decíduos superiores e Primeiros Molares e caninos decíduos inferiores têm o nome de "Diastema dos Primatas". É herança antropológica, remanescente da evolução das espécies, em que os ancestrais do Homo Sapiens tinham estes espaços onde se alojava o sobre passe oclusal dos caninos que eram muito grandes. 
O "Diastema dos Primatas" é maior na arcada inferior do que na superior 
Outros espaços (diastemas) iniciam-se a aparecer, a partir dos 5 anos de idade, entre os Incisivos decíduos, tanto inferiores quanto superiores. Estes espaços são proverbiais, pois os Incisivos Permanentes que irão substituí-los tem diâmetro mésio-distal maior. Graças a estes diastemas eles encontram lugar nas arcadas para erupcionarem. Uma criança com 6 anos que não apresenta estes diastemas, entre os Incisivos e que também não tem os Diastemas dos Primatas, muito provavelmente terá problemas de falta de espaço na mudança dos dentes.


ESCLARECIMENTO: Os diastemas que se formam entre os Incisivos decíduos, a partir dos 5 anos de idade, são ocasionados pelo crescimento transversal do maxilar superior (maxila), na sutura palatina.
Na imagem aparecem flechinhas com a intenção de chamar a atenção para a abertura destes diastemas.
Entenda-se que este movimento não é ocasionado por deslocamento para frente (protrusão) dos Incisivos e sim em movimento transversal, que não se pode evidenciar nesta imagem. 

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