sábado, 20 de fevereiro de 2016

CRUSTACIOS

Crustacea (crustáceos) é um subfilo do filo Arthropoda (artrópodes) que agrupa um numeroso e diversificado conjunto de invertebrados que inclui cerca de 50 000espécies validamente descritas. A maioria dos crustáceos são organismos marinhos, como as lagostascamarõescracaspercebestatuís (Emerita brasiliensis, que vivem enterrados nas areias das praias do Brasil), os siris e os caranguejos, mas também existem crustáceos de água doce, como a pulga-d'água (Daphnia) e mesmo crustáceosterrestres como o bicho-de-conta.
Podem encontrar-se crustáceos em praticamente todos os ambientes do mundo, desde as fossas abissais dos oceanos até glaciares e lagoas temporárias dos deserto

Alimentação[editar | editar código-fonte]

Existe uma grande variedade de hábitos alimentares nos crustáceos, podendo ser filtradores de matéria orgânica em suspensão, carnívorosherbívorossaprófagos. Comumente, determinados apêndices torácicos, adaptaram-se para a coleta de alimento, predação ou consumo de suspensão. A boca é ventral e o trato digestivo quase sempre reto.[1]

Excreção[editar | editar código-fonte]

excreção é feita pelas glândulas antenais ou glândulas verdes, em conjunto com as glândulas maxilares; são glândulas de igual função e estrutura, diferindo apenas na posição em que abrem seus poros. Também existem nefrócitos, que são células que fagocitam os excretas e fazem sua degradação intracelularmente. A principal excreta nitrogenada produzida é a amônia.[1]

Reprodução[editar | editar código-fonte]

A maioria dos crustáceos é dióica, eles têm sexos separados, existem apêndices especializados para a reprodução; por exemplo, em decápodos podem se distinguir um par anterior de pleópodos como tendo função copulatória. Os ovários são semelhantes aos testículos em estrutura e localização. Algumas espécies apresentam mesmo dimorfismo sexual, não só em termos do tamanho, mas também de outras características: no caranguejo de mangalScylla serrata, uma espécie abundante da região indo-pacífica, a fêmea é maior que o macho e têm o abdome mais largo, podendo assim incubar os ovos com maior segurança.
Durante a cópula, o macho transfere para a fêmea uma cápsula com os espermatozoides, denominada espermatóforo, que ela abre na altura em que liberta os óvulos, este espermatóforo é depositado na espermateca, que é uma espécie de receptáculo seminal, os ovidutos em alguns grupos conectam diretamente com as espermatecas, e usam suas aberturas como gonóporos. A cópula pode ser precedida por comportamentos de corte, principalmente em alguns decápodos, por exemplo, o Caranguejo-Eremita, macho segura a fêmea com um quelípodo e bate atingindo-a com o outro, ou puxando-a para frente e para trás. Os sexos também podem se atrair por meio de feromônios. Os ovos são centrolécitos; nesse tipo de ovo, o núcleo é circundado por uma pequena “ilha” de citoplasma não-gemado no meio de uma grande massa de gema. A clivagem é superficial. Os ovos são muitas vezes incubados pela fêmea até o embrião estar totalmente formado, não sendo incomum encontrar camarões e caranguejos com ovos presos às patas abdominais. Os ovos geralmente libertam larvas chamadas de Náuplio que são pelágicas, fazendo parte do zooplâncton.

Morfologia dos crustáceos[editar | editar código-fonte]

Para além das características gerais, é importante mencionar os principais apêndices de um crustáceo típico, localizados dos lados de cada segmento e cujo número e aspecto são usados para a sua identificação.[2]
Estes apêndices são igualmente articulados e tipicamente birramosos e podem apresentar birreme (bifurcação nos apêndices); as suas partes típicas são:
  • protópode, a porção que articula com o corpo do animal;
  • exópode, a porção seguinte, localizada do lado externo do corpo;
  • endópode, uma parte paralela ao exópode, localizada do lado interno do corpo;
  • os epípodes e endites, que são apêndices adicionais do protópode, os primeiros localizados no corpo do protópode, os segundos na sua extremidade.
Um apêndice com todas estas partes também se denomina filópode.

Ontogenia e metamorfoses[editar | editar código-fonte]

Os crustáceos apresentam dois tipos de estratégias de desenvolvimento: (1) por crescimento direto do animal que emerge do ovo e (2) por metamorfoses, através de uma série de fases larvares.
O crescimento direto pode ser simples, em que o animal apenas aumenta de tamanho até atingir a maturação sexual, ou anamórfico, em que a morfologia do animal se altera em cada muda, seja pelo aumento do número de segmentos ou de apêndices no corpo; por vezes, a primeira larva pode ser bastante diferente do adulto.
O crescimento por metamorfoses, em que as larvas são normalmente pelágicas, é uma estratégia de reprodução que assegura a maior dispersão da espécie.
Os crustáceos apresentam três tipos básicos de larvas:
  • Náuplio – formado por três segmentos cefálicos com os apêndices típicos da cabeçaantênulasantenas e mandíbulas e com um único olho na parte central do corpo; o tronco começa sem segmentação, mas em cada muda vão aparecendo novos segmentos, no último dos quais se encontra um télson birramoso; a cabeça é protegida por um “escudo cefálico”, um princípio de carapaça. Em algumas espécies, o olhonaupliar é conservado nos adultos.
Os restantes dois tipos de larvas encontram-se apenas nos membros do grupo Malacostraca, ao qual pertencem os camarões e caranguejos:
  • Zoea – é uma forma com uma grande carapaça, que protege a cabeça e parte do tórax, um abdome segmentado e com um telson bem desenvolvido; os olhos compostos formam-se nesta fase; apresentaexópodes natatórios nos apêndices tráxicos, mas os pleópodes estão ausentes ou pouco desenvolvidos.
  • Mysis – é ainda uma larva pelágica com apêndices birramosos em todos os segmentos torácicos e abdominais; apresenta formas muito variadas, dependendo das espécies.
Existe ainda uma quarta forma que faz a transição para o estado adulto (nos crustáceos demersais é nesta fase que o animal se fixa no substrato) e que é muitas vezes considerada uma pós-larva:
  • Megalopa - caracteriza-se por apresentar pleópodes nos segmentos abdominais.
As diferenças no aspecto das várias larvas dos crustáceos levaram no passado a considerá-las espécies separadas. Foi só quando os investigadores começaram a criar larvas em aquários e observaram as suas metamorfoses que foi possível identificar todas estas fases; no entanto, esta criação é difícil, uma vez que as diferentes larvas podem requerer condições diferentes e, por essa razão, ainda subsistem muitas espécies para as quais não se conhece completamente o ciclo de vida.

Taxonomia[editar | editar código-fonte]

classificação científica dos crustáceos não está inteiramente estabelecida, uma vez que, devido ao grande número e diversidade de espécies e formas, as relaçõesevolutivas não são claras.
A lista que segue trata como classes os diferentes grupos geralmente considerados como clades dos crustáceos e é a recomendada pela ITIS (Integrated Taxonomic Information System ou Sistema Integrado de Informação Taxonómica).
Subfilo Crustacea ou Crustaceomorpha

Registros fósseis de crustáceos[editar | editar código-fonte]

Os registos mais antigos de fósseis de crustáceos parecem ser de cracas do período Cambriano (543 a 490 milhões de anos), portanto, de entre os animais mais antigos que se conhecem. As lagostas e caranguejos, com os seus exosqueletos calcificados deixaram boas marcas das eras Mesozóica e Cenozóica. A “Camada de Lagostas” da ilha de Wight, na Inglaterra é famosa pelas formas bem conservadas de lagostas do período Cretácico. Na Alemanha, também se encontram bons fósseis de crustáceos do período Jurássico no calcário de Solnhofen.
O grupo com registo fóssil mais completo entre os crustáceos é o grupo Ostracoda, pequenos animais com uma carapaça similar a dos moluscos bivalves. Os mais antigos pertencem ao período Cambriano, aparecem mais diversificados no Ordoviciano e são especialmente abundantes no Silúrico. Em certos casos, os depósitos destas “conchas” formam um tipo de rocha por vezes usada em construção: a coquina. Ospenhascos brancos de Dover, na Inglaterra, são um bom exemplo desta rocha.

Culinária[editar | editar código-fonte]

Os Crustáceos são Utilizados pela Culinária Mediterrânea, Sino Japonesa, Tailandesa e também na Brasileira. No Brasil o consumo de camarão, siri, e caranguejo é mais frequente, enquanto que em Portugal e Espanha o consumo de percebes e lagostas é maior.

Gallery[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. ↑ Ir para:a b RUPPERT, Edward E. BARNES, Robert D. Zoologia dos invertebrados. 6ed. São Paulo: Roca, 1996.
  2. Ir para cima Madeira, Alda Maria Backx Noronha “Introdução ao estudo dos artrópodes” notas do curso BMP-0222 – Introdução à Parasitologia Veterinária no site do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo, Brasilacessado a 2 de julho de 2009Os crustáceos são animais invertebrados e pertencem à classe dos artrópodes, desta classificação fazem parte os seres que possuem pernas articuladas, mas sem espinha dorsal. Também pertencem a esta categoria a craca (encontradas em ecossistemas litorâneos), o camarão, a lagosta e o caranguejo.

    Informações importantes sobre os crustáceos

    A maioria dos crustáceos habita no mar, mas há algumas espécies de caranguejos que são capazes de viver também no ambiente terrestre. O bicho-de-conta (também conhecido como tatuzinho), encontrado facilmente nos jardins domésticos, também faz parte desta classe.

    Quase todos os seres desta espécie nascem de ovos, sendo que maioria deles atravessa uma fase intermediária pelo qual se mostram muito diferentes dos animais em que se transforma quando adultos. Ao chegarem à fase adulta, cobrem-se com uma casca grossa (carapaça). Posteriormente, essas cascas sofrem um processo natural de mudança e substituição.

    O menor crustáceo que há na natureza é a pulga da água, cujo tamanho é tão reduzido que ela mal pode ser visualizada a olho nu. O maior deles é um caranguejo, encontrado no Japão, pois ele possui pernas muito grandes e estas possibilitam que ele se movimente em grande velocidade. 

    Os crustáceos de menor tamanho servem de alimento para muitos peixes, principalmente quando ainda se encontra em sua forma larval; nesta fase são devorados em grandes quantidades por algumas espécies de baleias. Estas preferem alimentar-se de camarões que, por sua parte, também se alimentam de outros tipos de crustáceos. Desta forma, o equilíbrio da cadeia alimentar no ecossistema aquático é mantido.

    Classificação científica:

    Reino: Animalia
    Filo: Arthropoda
    Subfilo: Crustacea

    Curiosidades: 

    - A palavra crustáceo origina-se do latim, onde crusta significa carapaça dura.

    - O coração do camarão, um dos crustáceos mais conhecidos, fica situado na cabeça do animal.

    - A Carcinologia é o ramo da Zoologia que estuda os crustáceos.

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