sexta-feira, 3 de março de 2017

FUNÇAO CONTINUA

Em matemática, uma função é contínua quando, intuitivamente, as pequenas variações nos objectos correspondem a pequenas variações nas imagens. Nos pontos onde a função não é contínua, diz-se que a função é descontínua, ou que se trata de um ponto de descontinuidade.

Definições de continuidade[editar | editar código-fonte]

Em espaço topológico[editar | editar código-fonte]

Diz-se que uma função  entre espaços topológicos é contínua se a imagem recíproca de qualquer aberto de  é um aberto de 

Exemplos[editar | editar código-fonte]

Esta função é descontínua nos inteiros.
Estes exemplos usam propriedades da imagem recíproca, ou seja, dada uma função  e um conjunto  o conjunto 
  • Seja  um conjunto com a topologia discreta   com qualquer topologia, então qualquer função  é contínua.
Basta ver que,  aberto temos que,  e portanto é aberto, o que mostra que  é uma função contínua.
  • Seja  um conjunto com a topologia grosseira   com qualquer topologia, então qualquer função  é contínua.
De fato, pois, como os dois únicos abertos de  são  e  basta verificar se suas imagens inversas são abertos. Mas  e  e, por definição,  e  são abertos em qualquer topologia em 
  • Sejam  e  funções contínuas. Então  também é uma função contínua.
Fato pois: qualquer que seja  aberto, pela continuidade de  temos que  é um aberto em  Portanto, pela continuidade de   é um aberto em  Mas  o que prova a continuidade de 

Em espaço métrico[editar | editar código-fonte]

Diz-se que uma função  é contínua no ponto  se  é um ponto isolado do domínio ou, caso seja ponto de acumulação de  se existir o limite de  com  tendendo a  e esse limite for igual a 
OBS.: Não faz sentido calcular limites em pontos que não são de acumulação. Caso insistíssemos teríamos que qualquer valor seria limite de  com  tendendo a 
Em análise real, essa definição é escrita na forma tradicional Epsilon-Delta, ou seja, diz-se que uma função  é contínua num ponto  do seu domínio se, dado  tal que  então 
Esta definição, com uma pequena adaptação, pode ser usada para uma função de um espaço métrico  em outro espaço métrico  a função  é contínua em  quando dado  tal que 
Em termos de bolas, dados dois espaços métricos  dizemos que a aplicação  é contínua em  se, dada uma bola aberta  de centro  e raio  pode-se encontrar uma bola  de centro  e raio  tal que  [1]
Função contínua em termos de bolas.png
Diz-se que f é contínua em seu domínio, ou simplesmente contínua, se ela for contínua em todos os pontos desse domínio.

Exemplo[editar | editar código-fonte]

  • Seja   e  espaços métricos não vazios. Se  tivermos que  então a aplicação  é contínua e a constante  é chamada de constante de Lipschitz. Na reta Real toda aplicação Lipschitiziana é uniformemente contínua.

Equivalência das definições[editar | editar código-fonte]

Se  e  são espaços métricos, e  as topologias geradas pelas métricas em  e  então uma função  é contínua pela definição topológica se, e somente se, ela é contínua pela definição métrica.

Em termos de limites[editar | editar código-fonte]

Uma função  é dita ser contínua em um ponto  de seu domínio se:
Observa-se que esta definição exige que o limite à esquerda exista assim como o limite da direita e que a função esteja definida no ponto com o mesmo valor de limite para o ponto.

Função sequencialmente contínua[editar | editar código-fonte]

Uma função  em que  e  são espaços topológicos, é sequencialmente contínua em um ponto  quanto ela comuta com o limite de sequências, ou seja, quando para toda sequência  cujo limite (em ) seja  temos que o limite (em ) de  é  Uma forma elegante de escrever isso é 

Propriedades[editar | editar código-fonte]

  • Função Composta: Se  e  são funções contínuas, então é imediato (pela definição topológica) que a função composta  é contínua.
  • Se  é uma bijeção contínua de um espaço topológico compacto  em um espaço topológico de Hausdorff  então  é um homeomorfismo.
  • O conjunto dos zeros de uma aplicação contínua entre um espaço topológico  e a reta real  com a topologia usual, é um conjunto fechado. Em particular, o conjunto das matrizes singulares é fechado em  pois o determinante define uma aplicação contínua nesse espaço.
  • Sejam  e  dois espaços topológicos e  uma aplicação contínua. Então  restrita a  ainda é uma aplicação contínua.

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Munkres, J. (1966). Elementary Differential Topology, edição revisada. Annals of Mathematics Studies 54. Princeton University Press. ISBN 0-691-09093-9
  • Lima, Elon Lages (2013). Análise Real - Funções de uma variável. Coleção Matemática Universitária. 1 12ª ed. IMPA. 198 páginas. ISBN 978-85-244-0048-3
  1. Ir para cima LAGES, Elon (1977). Espaços métricos. Rio de Janeiro: IMPA. 32 páginas

Nenhum comentário:

Postar um comentário