sábado, 29 de agosto de 2015

METOMIMIA

A metonímia consiste em empregar um termo no lugar de outro, havendo entre ambos estreita afinidade ou relação de sentido. Observe os exemplos abaixo:
1 - Autor pela obra: Gosto de ler Machado de Assis(= Gosto de ler a obra literária de Machado de Assis.)

2 - Inventor pelo invento: Édson ilumina o mundo. (= As lâmpadas iluminam o mundo.)

3 - Símbolo pelo objeto simbolizado: Não te afastes da cruz. (= Não te afastes da religião.)

4 - Lugar pelo produto do lugar: Fumei um saboroso havana. (= Fumei um saboroso charuto.)

5 - Efeito pela causa: Sócrates bebeu a  morte. (= Sócrates tomou veneno.)

6 - Causa pelo efeito: Moro no campo e como do meu trabalho. (= Moro no campo e como o alimento que produzo.)

7 - Continente pelo conteúdo: Bebeu o cálice todo. (= Bebeu todo o líquido que estava no cálice.)

8 - Instrumento pela pessoa que utiliza: Os microfones foram atrás dos jogadores. (= Os repórteresforam atrás dos jogadores.)

9 - Parte pelo todo: Várias pernas passavam apressadamente. (= Várias pessoas passavam apressadamente.)

10 -  Gênero pela espécie: Os mortais pensam e sofrem nesse mundo. (= Os homens pensam e sofrem nesse mundo.)

11 -  Singular pelo plural: A mulher foi chamada para ir às ruas na luta por seus direitos. (= As mulheresforam chamadas, não apenas uma mulher.)

12 - Marca pelo produto: Minha filha adora danone. (= Minha filha adora o iogurte que é da marca danone.)

13 - Espécie pelo indivíduo: O homem foi à Lua. (= Alguns astronautas foram à Lua.)

14 - Símbolo pela coisa simbolizada: A balança penderá para teu lado. (= A justiça ficará do teu lado.)
Saiba que:
Atualmente, não se faz mais a distinção entre metonímia e sinédoque (emprego de um termo em lugar de outro), havendo entre ambos relação de extensão. Por ser mais abrangente, o conceito de metonímia prevalece sobre o de sinédoque.Metonímia ou transnominação é uma figura de linguagem que consiste no emprego de um termo por outro, dada a relação de semelhança entre o segundo e o termo entre as orações ou a possibilidade de associação entre cinco ou mais figuras de linguagem destes. Por exemplo: "Palácio do Planalto" é usado como um metônimo (uma instância de metonímia) para representar a presidência do Brasil, por ser esse o nome do edifício-sede do governo federal.
Outro exemplo é "Hollywood", que é usado como uma metonímia para a indústria de cinema dos Estados Unidos, por causa da fama e identidade cultural de Hollywood, um distrito da cidade de Los Angeles,Califórnia, como o centro histórico de estúdios e estrelas de cinema.[1] Um edifício que abriga a sede do governo ou a capital nacional é muitas vezes usado para representar o governo de um país, como "Westminster" (Parlamento do Reino Unido) ou "Washington" (governo dos Estados Unidos).[2] Outro exemplo é beber um copo, onde o copo é usado no lugar do seu conteúdo.
A metonímia é geralmente utilizada para a não repetição de palavras em textos. Como em entrevistas nas quais o entrevistado (ex.: Jorge Amado) pode tanto ser chamado pelo primeiro nome, pelo sobrenome ou pelo nome completo (ex.: Jorge declarou, Amado declarou, ou Jorge Amado declarou).
É a utilização de uma palavra ou parte da significação da palavra, a fim de passarmos uma ideia.
Na metonímia, um termo substitui outro não porque a nossa sensibilidade estabeleça uma relação de semelhança entre os elementos que esses termos designam (caso da metáfora), mas porque esses elementos têm, de fato, uma relação de dependência. Dizemos que, na metonímia, há uma relação de contiguidade entre sentido de um termo e o sentido do termo que o substitui. Contiguidade significa “proximidade”, “vizinhança”.
Uma palavra, em metonímia, pode ser substituída por uma que tem um significado parecido ou igual.

Tipos de Metonímia[editar | editar código-fonte]

  • Autor pela obra:
Gosto de ler Jorge Amado = Gosto de ler os livros de Jorge Amado
  • Continente pelo conteúdo:
Comi um prato de macarrão! = Comi todo o macarrão que estava no prato
  • Parte pelo todo:
Completou dez primaveras = Completou dez anos
  • Instrumento pelo portador:
Os flashes o seguiam aonde fosse = Os fotógrafos o seguiam aonde fosse
  • Gênero pela espécie:
Nós, os mortais, lutamos dia a dia por nossa sobrevivência = Nós, os seres-humanos, lutamos...
  • Singular pelo plural:
A mulher conquistou seu lugar! = Todas as mulheres conquistaram...
  • Marca pelo produto:
Meu filho adora danone. = Meu filho adora iogurte da marca danone
  • Matéria pelo objeto:
Lavou os cristais e as porcelanas para usá-los no jantar. = Lavou os copos e os pratos...
  • O sinal pela coisa significada:
A cruz o salvará! = A  o salvará
  • Embalagem pelo conteúdo
— Comi um pacote de bala inteiro = Comi todas as balas que estavam no pacote.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Wikcionário
Wikcionário possui o verbetemetonímia.

Referências

  1. Ir para cima Gibbs, Jr., Raymond W.. "Speaking and Thinking with Metyonymy", in Pattern and process: a Whiteheadina perspective on linguistics, ed. Klaus-Uwe Panther and Günter Radden (em inglês). Amsterdam: John Benjamins Publishing, 1999. p. 61–76. ISBN 9027223564 Página visitada em 08 de outubro de 2013.
  2. Ir para cima Beard, Adrian. The Language of Politics (em inglês). Londres: Routledge, 2000. p. 24. ISBN 978-0415201780 Página visitada em 08 de outubro de 2013.
Ícone de esboçoEste artigo sobre linguística ou um linguista é um esboço relacionado ao Projeto Ciências Sociais. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.
Ícone de esboçoEste artigo sobre literatura é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o“O Bento caiu como um touro
No terreiro
E o médico veio de Chevrolé
Trazendo o prognóstico
E toda a minha infância nos olhos”.
No terceiro verso, o eu lírico, em vez de empregar a palavra “carro” preferiu utilizar “Chevrolé”, mantendo entre elas uma relação de inter-dependência, já que “Chevrolé” é uma marca de carro. Temos assim a metonímia, uma figura de linguagem que consiste em usar uma palavra no lugar de outra, mantendo uma relação de implicação mútua, nesse caso, a substituição do produto pela marca.
Observe este outro exemplo de metonímia:
“Trabalhava ao piano, não só Chopin como ainda os estudos de Czerny”. (Murilo Mendes)
Nesse caso, uma relação de causa-efeito permitiu que o poeta usasse a palavra Chopin (compositor de uma partitura musical) para designar a própria partitura (a obra “causada” pelo autor).
A metonímia ocorre quando empregamos:
  1. O efeito pela causa ou vice-versa: “Conseguiu sucesso com determinação e suor” (trabalho).
  2. O nome do autor pela obra: “Ler Guimarães Rosa é um projeto desafiador” (a obra).
  3. O continente (o que está fora) pelo conteúdo (o que está dentro): “Bebeu só dois copos e já saiu cambaleando” (a bebida).
  4. substantivo concreto pelo abstrato: “Tratava-se de um papo-cabeça” (intelectual).
  5. O abstrato pelo concreto: “Era difícil resistir aos encantos daquela doçura” (pessoa meiga, agradável).
  6. A marca pelo produto: “Comprei uma caixa de Gilette” (lâmina de barbear).
  7. O instrumento pela pessoa: “Quantos quilos ela come por dia?
    Quilos? Não sei, mas ela é boa de garfo” (o instrumento utilizado para comer). (Luiz Vilela)
  8. O lugar pelo produto: “Queria tomar um Porto fervido com maçãs” (o vinho).
  9. O sinal pela coisa significada: “O trono inglês está abalado pelas recentes revelações sobre a família real” (o governo exercido pela monarquia).
  10. O singular pelo plural: “O brasileiro tenta encontrar uma saída para suportar a crise” (um indivíduo por todos).
  11. A parte pelo todo: “Enormes chaminés dominam os bairros fabris da cidade inglesa”. (fábricas)
  12. A classe pelo indivíduo: “Depois desse episódio, não acredito mais no Juizado brasileiro” (os juízes).
  13. A matéria pelo objeto: “O jantar foi servido à base de porcelanas e cristais” (matéria de que é feito o objeto).
No cotidiano, a metonímia é também é muito empregada para orientar usuários em guias turísticos, terminais de transportes, ginásios esportivos, postos de gasolina e rodoviários, etc. Eles vêm em forma de criptogramas, imagens ou grupo de imagens que integram uma escrita sintética, resumida.
Fontes
CEREJA, William Roberto e MAGALHÃES, Thereza Cochar. Literatura Brasileira em diálogo com outras literaturas. 3 ed. São Paulo, Atual editora, 2005, p.36-8.
PIRES, Orlando. Manual de Teoria e Técnica Literária. Rio de Janeiro, Presença, 1981, p. 101.
SAVIOLE, Francisco Platão. Gramática em 44 lições. 15 ed. São Paulo, Ática, 404.

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