sábado, 26 de setembro de 2015

ONÇA PINTADA

onça-pintada (nome científicoPanthera onca), também conhecida por pintadaonça-verdadeirajaguarjaguarapinimajaguaretêacanguçucanguçu[4] e onça-preta (somente no caso dos indivíduos melânicos), é uma espécie de mamífero carnívoro da família Felidae encontrada nas Américas. É o terceiro maior felino do mundo, após o tigre e o leão, e o maior do continente americano. Apesar da semelhança com o leopardo (Panthera pardus) é evolutivamente mais próxima ao leão (Panthera leo). Ocorre desde o sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina, mas está extinta em diversas partes dessa região atualmente. Nos Estados Unidos, por exemplo, estáextinta desde o início do século XX, mas possivelmente ainda ocorre no Arizona. É encontrada principalmente em ambientes de florestas tropicais, e geralmente não ocorre acima dos 1 200 m de altitude. A onça-pintada está fortemente associada com a presença de água e é notável como um felino que gosta de nadar.
É um felino de porte grande, com peso variando de 56 a 92 kg, podendo ter até 158 kg, e comprimento variando de 1,12 a 1,85 m sem a cauda, que é relativamente curta. Se assemelha ao leopardo fisicamente, se diferindo desse, porém, pelo padrão de manchas na pele e pelo tamanho maior. Existem indivíduos totalmente pretos. Tem uma mordida excepcionalmente poderosa, mesmo em relação aos outros grandes felinos. Isso permite que ela fure a casca dura de répteis como a tartaruga e de utilizar um método de matar incomum: ela morde diretamente através do crânio da presa entre os ouvidos, uma mordida fatal no cérebro.
É um animal crepuscular e solitário. É um importante predador e pode comer qualquer animal que seja capaz de capturar, desempenhando um papel na estabilização dos ecossistemas e na regulação das populações de espécies de presas. Porém, tem preferência por grandes herbívoros, podendo atacar o gado doméstico. Frequentemente convive com a onça-parda (Puma concolor), influenciando os hábitos e comportamento deste outro felino. Caça formando emboscadas. A área de vida pode ter mais de 100 km², com os machos tendo territórios englobando o de duas ou três fêmeas. A onça-pintada é capaz de rugir e usa esse tipo de vocalização em contextos deterritorialidade. Alcança a maturidade sexual com cerca de 2 anos de idade, e as fêmeas dão à luz geralmente a dois filhotes por vez, pesando entre 700 e 900 gramas. Em cativeiro, a onça-pintada pode viver até 23 anos, mais do que em estado selvagem.
IUCN considera a espécie como "quase ameaçada", dado sua ampla distribuição geográfica, mas suas populações estão caindo, principalmente por causa da perda e fragmentação do seu habitat. Entretanto, localmente ela pode estar em sério risco de extinção, como em áreas da América Central e do Norte e na Mata Atlântica brasileira. O comércio internacional de onças ou de suas partes é proibido, mas o felino ainda é frequentemente caçado por fazendeiros e agricultores na América do Sul. Apesar de ter se reduzido, sua distribuição geográfica ainda é ampla, e há boas chances de sobrevivência da espécie a longo prazo na Amazônia e no Pantanal. Ela faz parte damitologia de diversas culturas indígenas americanas, incluindo a dos maiasastecas e guaranis e a caça à onça-pintada é uma atividade carregada de simbolismo, principalmente entre os pantaneiros.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Onça origina-se do termo grego lygx, através do termo latino luncea e do termo italiano lonza.[4] No Brasil, o nome onça-pintada é o mais utilizado, sendo que pintada é uma alusão à pelagem cheia de manchas e rosetas, ao contrário da outra onça, a onça-parda.[4]
Jaguar origina-se do termo tupi ya'wara, e pode ser traduzido como fera e até cão, já que o termo era utilizado pelos indígenas para se referir a qualquer "fera" antes da chegada dos europeus.[5] Com a colonização européia e a chegadas dos cães, a palavra passou a ser usada apenas como referência aos cachorros, e ya'war-e'te ("fera verdadeira") passou a se referir à onça-pintada, originando o termo jaguaretê.[5] "Yaguareté" é um nome usado em países de língua espanhola em que há muitos descendentes dos guaranis, como a Argentina e Paraguai.[5] Acanguçu e canguçu originam-se do termo tupi akãgu'su, que significa "cabeça grande", através da junção dea'kãga (cabeça) e u'su ("grande").[4] Jaguarapinima vem do tupi ya'wara (onça) e pi'nima (pintada)[4] .
A designição pantera no nome científico, vem do latimpantheraPanthera, em grego, é uma palavra para leopardo, πάνθηρ. A palavra é uma composição de παν- "todos" e θήρ vem de θηρευτής "predador", significando "predador de todos" (animais), apesar de que esta deve ser considerada uma etimologia popular.[6] A palavra deve ter uma origem do Sânscritopundarikam, que significa tigre.[7]

Taxonomia e evolução[editar | editar código-fonte]

Embora numerosas subespécies foram reconhecidas no passado, estudos recentes sugerem a existência de três apenas.
A onça-pintada é o único membro atual do gênero Panthera no Novo MundoFilogenias moleculares evidenciaram que o leão, o tigre, o leopardo, o leopardo-das-nevese o leopardo-nebuloso compartilham um ancestral em comum exclusivo, e esse ancestral viveu entre seis e dez milhões de anos atrás apesar do registro fóssil apontar o surgimento do gênero Panthera entre 2 000 000 e 3 800 000 de anos atrás.[8] [9] Estudos filogenéticos geralmente mostram o leopardo-nebuloso como um táxon basal ao gênero Panthera.[8]
Baseado em evidências morfológicas, o zoológo britânico Reginald Pocock concluiu que a onça-pintada é mais próxima ao leopardo.[10] Entretanto, filogenias baseadas no DNA são inconclusivas à posição da onça-pintada em relação às outras espécies do gênero, mas coloca a onça-pintada como mais próxima do leão.[8] Fósseis de espécies extintas do gênero Panthera, como o jaguar-europeu (Panthera gombaszoegensis) e o leão-americano(Panthera atrox), mostram características tanto da onça-pintada quanto do leão.[10] Análise do DNA mitocondrial apontam para o surgimento da espécie entre 280 000 e 510 000 anos atrás, bem depois do que é sugerido pelo registro fóssil, que considera seu surgimento há cerca de 1,5 milhões de anos.[11] [12]
Relações filogenéticas da onça-pintada.[8]


Neofelis nebulosa - pantera-nebulosa




Panthera tigris - tigre


Panthera uncia - leopardo-das-neves




Panthera pardus - leopardo



Panthera leo - leão


Panthera onca- onça-pintada





Filogenia inferida a partir de estudoscitogenéticos e moleculares.

Ancestrais[editar | editar código-fonte]

Apesar de habitar o continente americano, a onça-pintada descende de felinos do Velho Mundo. Cerca de 2,87 milhões de anos atrás, a onça-pintada, o leão e o leopardo, compartilharam um ancestral comum na Ásia.[8] [13] No início do Pleistoceno, os precursores da atual onça atravessaram aBeríngia e chegaram na América do Norte: a partir daí alcançaram a América Central e a América do Sul.[13] [14] A linhagem da onça-pintada se separou da linhagem do leão (que compartilham um ancestral comum exclusivo, sendo a espécie mais próxima da onça-pintada), há cerca de 2 milhões de anos.[8]
Existe a discussão se Panthera gombaszoegensis seria uma subespécie da atual onça-pintada.[15] Isso pode mudar a história evolutiva da onça, considerando até de que ela surgiu na África e não na Ásia.[14]

Subespécies e variação geográfica[editar | editar código-fonte]

A última delineação taxonômica foi feita por Pocock em 1939. Baseado em origens geográficas e morfologia de crânio, ele reconheceu oito subespécies. Entretanto, ele não teve acesso a um número suficiente de espécimes para fazer uma análise crítica das subespécies, e expressou dúvida sobre a validade de várias delas. Uma reconsideração posterior reconheceu apenas três subespécies.[16]
Estudos recentes não demonstraram a existência de subespécies bem definidas, e muitos nem reconhecem a existência delas.[17] Larson (1997) estudou a variação morfológica na onça-pintada e demonstrou que existe variação clinal entre a ocorrência sul e norte da espécie, mas a variação dentro das subespécies é maior do que entre elas, e portanto, não há garantia da existência das subespécies.[18] Um estudo genético confirmou a ausência de divisões geográficas entre as populações, apesar de que foi demonstrado que grandes barreiras geográficas, como o rio Amazonas, limita o fluxo gênico entre as populações.[11] Um estudo subsequente, caracterizou mais detalhadamente a variação genética e encontrou diferenças populacionais nas onças da Colômbia.[19]
As divisões de Pocock (1939) ainda são regularmente citadas em muitas decrições do felino. Seymour reconhece apenas três subespécies.[1] [16]
  1. Panthera onca onca Linnaeus, 1758Venezuela através da bacia amazônica, incluindo
    • P. onca peruviana Blainville, 1843: costa do Peru
  2. P. onca hernandesii Gray, 1857: oeste do México – incluindo
  3. P. onca palustris Ameghino, 1888(a maior subespécie, pesando mais de 135 kg):[20] Ocorre no Pantanal, regiões do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Brasil, ao longo da bacia do rio Paraguai no Paraguai e nordeste da Argentina.
Mammal Species of the World continua a reconhecer nove subespécies, adicionando P. o. paraguensis Hollister, 1914.[1]

Distribuição geográfica e habitat[editar | editar código-fonte]

A onça-pintada é presente desde o México, passando pela América Central, até a América do Sul, incluindo toda a bacia Amazônica, no Brasil.[21] Os países que a onça-pintada ocorrem são: ArgentinaBelize,BrasilBolíviaColômbiaCosta Rica (particularmente na península de Osa), EquadorGuiana FrancesaGuatemalaGuianaHondurasMéxico,NicaráguaPanamáParaguaiPeruSurinameEstados Unidos eVenezuela. Foi extinta de El Salvador, do Uruguai e de quase toda a Argentina.[2] [22] Ocorre nos 400 km² do Reserva Natural de Cockscomb em Belize, nos 5 300 km² da Reserva da Biosfera Sian Ka'an, no México, nos 15 000 km² do Parque Nacional de Manú no Peru, nos 26 000 km² do Parque Indígena do Xingu e nos cerca de 1 800 km² do Parque Nacional do Iguaçu, ambos no Brasil, e em muitas outras unidades de conservação ao longo de sua distribuição.[2]
A onça-pintada vive em uma ampla variedade de habitats, desde campos abertos até florestas densas, mas geralmente, associados a cursos d'água permanentes.
A inclusão dos Estados Unidos na lista é baseada em ocorrências casuais no sudoeste do país, nos estados do ArizonaTexas e Novo México.[23] No início do século XX, a onça-pintada ocorria ao norte até o Grand Canyon e a oeste até o Sul da Califórnia.[23] É provável que em tempos pré-históricos, a onça-pintada tivesse uma ampla distribuição pela América do Norte, como fica evidenciado pela existência de fósseis e representações culturais de uma subespécie da região,Panthera onca augusta.[24] Fósseis de onça-pintada, datados entre 40 000 e 15 000 anos atrás, mostram a ocorrência dessa espécie na era do Gelo até oMissouri.[25]
A ocorrência em tempos históricos da espécie inclui a metade sul dos Estados Unidos no limite norte, e quase todo continente sul-americano, no limite sul.[26] [2]Atualmente, sua distribuição ao norte recuou 1 000 km, e ao sul, cerca de 1500 km.[2] [22]
A onça-pintada habita florestas tropicais na América do Sul e América Central, áreas abertas, e com inundações periódicas, como o Pantanal.[22] Historicamente, ocorria nas florestas de carvalho dos Estados Unidos.[22] Estudos com armadilhas fotográficas e rádio colar mostram que elas preferem áreas com densa vegetação, evitando áreas abertas, o que se reflete em uma preferência por áreas de floresta densa e chuvosa, sendo escassa em regiões mais secas, como nos pampas argentinos, nas secas savanas do México, e centro-sul dos Estados Unidos.[22] [27] A onça-pintada é dependente de cursos d'água permanentes, vivendo preferencialmente próximo a rios e pântanos, e é uma boa nadadora, apreciando passar parte significativa do dia dentro d'água.[22] [26] Não costuma ocorrer em altitudes maiores de 1 200 m, mas há registros em altitudes de até 3 800 m na Costa Rica, 2 700 na Bolívia e 2 100 m no Peru.[22]

Descrição[editar | editar código-fonte]

A cabeça da onça-pintada é robusta e a mandíbula é extremamente poderosa. O tamanho dos indivíduos tende a ser maior quanto mais longe das regiões equatoriais.
A onça-pintada é um animal robusto e musculoso. Tamanho e peso variam consideravelmente: o peso normalmente está entre 56 a 96 kg. Os maiores machos registrados pesavam até 158 kg (tendo o peso de uma leoa ou tigresa), e as menores fêmeas chegavam a ter 36 kg.[28] [17] As fêmeas são entre 10 a 20 % menores que os machos.[16]O comprimento da ponta do focinho até a ponta da cauda varia de 1,12 m a 1,85 m.[17] [29] Sua cauda é a menor dentre os grandes felinos, tendo entre 45 e 75 cm de comprimento. Suas pernas são consideravelmente mais curtas se comparadas a um tigre ou leão com mesma massa corporal, mas são mais grossas e robustas. A onça-pintada tem entre 63 a 76 cm na altura da cernelha.[30] É o maior felino das Américas e o terceiro maior do mundo, só não sendo maior que o leão e o tigre.[22] [26] [16]
Variações no tamanho são observadas ao longo das regiões de ocorrência da onça, com o tamanho tendendo a aumentar nos indivíduos nos limites norte e sul da distribuição geográfica, com os menores indivíduos sendo encontrados na Amazônia e regiões equatoriais adjacentes.[22] Um estudo realizado na Reserva da Biosfera Chamela-Cuixmala na costa do Pacífico no México, reportou medidas de massa corporal ao redor de 50 kg, não muito maior que uma onça-parda.[31] Em contraste, noPantanal, a média de peso foi de cerca de 100 kg, e machos mais velhos não raramente chegavam a pesar mais de 130 kg.[32] [33] Onças que ocorrem em ambientes florestais frequentemente são mais escuras na coloração da pelagem e menores do que aquelas encontradas em regiões de campos abertos (como no Pantanal), possivelmente, devido ao menor número de presas de grande porte em florestas.[27]
Brevard Zoo in Viera FL - Flickr - Rusty Clark (6).jpg
Pata dianteira (acima). Pegada (abaixo).
Pata dianteira (acima). Pegada (abaixo).
crânio pode ter até mais de 27,5 cm de comprimento, mas geralmente tem entre 19 e 26 cm, sendo robusto, curto e largo no rostro, principalmente nos machos.[16] Pode apresentar uma crista sagital, especialmente em machos mais velhos.[16] O crânio da onça-pintada é semelhante ao da onça-parda (Puma concolor), mas se diferencia por ser maior e ter o osso nasal em formato côncavo.[34] A anatomiafuncional do crânio é semelhante a dos outros grandes felinos: existe um ligamento elástico no aparato hioide, o que permite a onça-pintada rugir.[16] A sínfise mandibular é rígida, o que permite recrutar mais músculos na mastigação.[16] A fórmula dentária na onça-pintada é a mesma para outros felinos: Superior: 3.1.3.1 / Inferior: 3.1.2.1, Total = 30. Os caninos são longos e podem ter 23,5 mm de comprimento, mas geralmente, possuem entre 17,5 e 18,6 mm de comprimento.[16] Eles servem para segurar e matar as presas.[16]
Leopard (Panthera pardus).jpg
Comparação entre leopardo (acima) e onça-pintada (abaixo). A onça tem rosetas maiores e mais grossas com pintas em seu interior e é mais atarracada.
Comparação entre leopardo (acima) e onça-pintada (abaixo). A onça tem rosetas maiores e mais grossas com pintas em seu interior e é mais atarracada.
A forma corporal atarracada e robusta torna a onça-pintada capaz de nadar, rastejar e escalar.[30] A cabeça é grande e a mandíbula é desenvolvida e forte.[35] A onça-pintada possui a mordida mais forte de todos os felinos, capaz de alcançar até 910 kgf e ela pode abrir a boca até a 13,1 cm de diâmetro, em um ângulo de 65 a 70 graus.[16] É duas vezes a força da mordida de um leão e só não é maior que a da mordida de uma hiena; tal força é capaz de quebrar o casco de tartarugas.[36] Um estudo comparativo colocou a onça-pintada como em primeiro lugar em força de mordida, ao lado do leopardo-das-neves, e à frente do leão e do tigre.[37] É dito que uma onça é capaz de arrastar um touro de até 360 kg por 8 m e quebrar ossos com as mandíbulas.[38] A onça-pintada caça grandes herbívoros de até 300 kg em florestas densas, como a anta (Tapirus terrestris), e seu corpo forte e atarracado é uma adaptação a esse tipo de presa e ambiente, como evidenciado pela morfologia de seu cotovelo e dos membros, o que mostra que ela não costuma correr tanto quanto felinos de áreas abertas.[16] As patas são digitígradas como outros carnívoros e sua estrutura é típica de membros do gênero Panthera.[16] As garras são retráteis, o que faz com que suas pegadas geralmente não apresentem marcas de garras, como outros felinos.[16] [39] A sua pegada é semelhante a da onça-parda, mas não possui os lobos da almofada plantar tão evidentes quanto a deste felino e é nitidamente maior, tendo até 12 cm de diâmetro as pegadas das patas dianteiras e 7,5 cm as das patas traseiras.[39] [16] Suas pegadas também possuem um aspecto arredondado, sendo mais largas do que redondas, principalmente as pegadas das patas dianteiras.[40]
A cor de fundo da pelagem da onça é amarelo acastanhado (às vezes mais pálido), mas pode chegar ao avermelhado, marrom e preto, para todo o corpo.[30] [16] As áreas ventrais são brancas.[30] A pelagem é coberta por rosetas, que servem como camuflagem, usando o jogo de luz e sombra do interior de florestas densas.[16] As manchas variam entre os indivíduos: rosetas podem incluir um ou várias pintas em seu interior, e a forma das pintas também pode variar.[16] As manchas e pintas da cabeça e pescoço costumam ser sólidas, e na cauda, elas se unem, de forma a aparecer bandas.[16]
Variedades melânicas da onça-pintada ocorrem com uma frequência de 6% nas populações selvagens.
Enquanto a onça-pintada lembra o leopardo (Panthera pardus), além dela ser maior e mais robusta, as rosetas são diferentes nessas duas espécies: as rosetas da pelagem da onça-pintada são maiores, menos numerosas, mais escuras, são formadas por linhas mais grossas e possuem pintas no meio delas, que não são encontradas nas rosetas do leopardo.[22] [16] As onças também possuem cabeças maiores e arredondadas, e membros mais atarracados se comparados com os do leopardo.[22]

Melanismo[editar | editar código-fonte]

Polimorfismo na cor ocorre na espécie e variedades melânicas são frequentes, sendo a principal variação na pelagem encontrada em animais selvagens.[41] Em indivíduos totalmente pretos, quando visto sob a luz e de perto, é possível observar as rosetas.[22] [41] Apesar de ser conhecida popularmente como onça-preta, é apenas uma variação natural, não sendo uma espécie propriamente dita.[42] [43] [26]
A forma totalmente preta é mais rara que a forma de cor amarelo-acastanhado, representando cerca de 6 % da população, o que é uma frequência muito maior do que a taxa de mutação.[43] Portanto, a seleção natural contribuiu para a frequência de indivíduos totalmente negros na população. Existem evidências de que o alelo para o melanismo na onça-pintada é dominante.[42] Ademais, a forma melânica é um exemplo de vantagem do heterozigoto; mas dados de cativeiro não são conclusivos quanto a isso.[42]
Indivíduos albinos são muito raros, e foi reportada a ocorrência na onça-pintada, assim como em outros grandes felinos.[27] [41] Como é usual com o albinismo na natureza, a seleção natural mantém a frequência da característica próxima à taxa de mutação.[27]

Ecologia e comportamento[editar | editar código-fonte]

A onça-pintada tem uma mordida excepcionalmente forte que permite quebrar cascos de tartarugas.
A onça-pintada é um superpredador, o que significa que está no topo da cadeia alimentar, e praticamente, seu maior predador é o ser humano.[16] Entretanto, filhotes podem ser mortos por outras onças, jacarés e grandes cobras da família Boidae.[16] É considerada uma espécie-chave nos ambientes em que vive, já que é importante no controle das populações de mamíferos herbívoros e mesopredadores, contribuindo para a manutenção da integridade dos ecossistemas florestais.[44] [45] Entretanto, predizer quel o efeito que a onça-pintada tem no ecossistema é difícil, principalmente no que se diz respeito ao controle de mesopredadores, pois os dados devem ser comparados com ambientes em que ela não ocorre, e controlar o efeito das atividades humanas em tais ambientes.[46] É aceito que mesopredadores aumentam de população na ausência de superpredadores, e pensa-se que isso tem um efeito cascata negativo no ecossistema.[47] [48] Porém, trabalhos de campo mostraram que isso pode ser uma variabilidade natural, e que o aumento populacional não se sustenta. Portanto, a hipótese de uma grande importância ecológica para os superpredadores no controle de mesopredadores não é largamente aceita.[46]
A onça-pintada também possui um efeito em outros predadores. Ela e a onça-parda (Puma concolor), são frequentemente simpátricos e são estudadas em conjunto.[49]Onde a onça-parda é simpátrica com a onça-pintada, o tamanho da primeira tende a ser menor que o das onça-pintadas locais.[49] Estas últimas tendem a matar presas maiores, geralmente, com mais de 22 kg, e a onça-parda, menores, entre 2 e 22 kg.[50] [51] Esta parece ser uma situação vantajosa para a onça-parda. Sua capacidade de expandir seu nicho ecológico, incluindo, de se alimentar de presas menores, a torna mais adaptável que a onça-pintada a ambientes perturbados pelo homem;[44] o que se reflete em sua maior distribuição geográfica e menor risco de extinção.[52] Aparentemente, a onça-pintada e a onça-parda se evitam, mas não se pode afirmar se isso parte dos dois lados, ou apenas de um deles.[49] É provável que a onça-parda evite a onça-pintada, dado o seu maior porte e força.[49]
Como os outros felinos, a onça-pintada costuma dormir durante o dia.
A onça-pintada é geralmente descrita como um animal noturno, mas é, mais especificamente, crepuscular (pico de atividade é durante a madrugada ou o crepúsculo), como os outros felinos.[26] Entretanto, pode ser observada caçando durante o dia, e a escolha de ser mais ativa à noite ou durante o dia, depende do padrão de atividade de suas presas habituais no local que vive.[22]

Dieta, forrageamento e caça[editar | editar código-fonte]

Como todos os felinos, a onça-pintada é um carnívoro obrigatório, se alimentando somente de carne. É um caçador oportunista, e sua dieta inclui até 87 espécies de animais.[49] A onça pode predar, teoricamente, qualquer vertebrado terrestre ou semi-aquático nas Américas Central e do Sul, com preferência por presas maiores. Ela regularmente preda jacarésveadoscapivarasantasporcos-do-matotamanduás e até mesmo sucuris.[16] [53] [54] Entretanto, o felino pode comer qualquer pequena espécie que puder pegar, como ratossaposaves (principalmente mutuns), peixes, preguiçasmacacos e tartarugas.[22] Um estudo conduzido no Santuário de Cockscomb, em Belize, revelou que a dieta das onças era constituída principalmente por tatus e pacas.[55] Mas, por ter preferência a áreas próximas a cursos d'água, a onça-pintada acaba se alimentando preferencialmente de ungulados como a queixada (Tayassu pecari) e a anta (Tapirus terrestris).[56]
Em áreas mais povoadas ou com grande número de pecuaristas, a onça-pintada preda o gado doméstico, e muitas vezes parece ter um preferência por esse tipo de presa (no Pantanal, foi constatado que até 31,7% de sua alimentação era constituída por bezerros de gado bovino).[54] [57] Porém, apesar de alguns estudos sugerirem que onças que atacam o gado doméstico são machos jovens ou animais velhos, outros têm sugerido que não existe um padrão individual para determinar a preferência das onças em atacar o gado doméstico.[58] Alguns estudos têm sido conclusivos de que a onça-pintada ataca o gado doméstico quando suas presas habituais, como a queixada (Tayassu pecari), tornam-se mais raras.[58]
Apesar de preferir presas maiores, a onça pode comer qualquer animal, até mesmo pequenos roedores.
Pelo grande porte, é capaz de se alimentar até de outros felinos de tamanho menor, como a jaguatirica (Leopardus pardalis), apesar de ser incomum.[59] Outros carnívoros, como o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), o cachorro-do-mato (Cerdocyon thous), o quati (Nasua nasua) e o mão-pelada (Procyon cancrivorus) também podem ser predados pela onça-pintada, e ela é o principal predador desses animais.[58] [56]
A onça-pintada raramente mata com uma mordida no pescoço, sufocando a presa, como é típico entre os membros do gênero Panthera, preferindo matar por uma técnica única entre os felinos: ela morde o osso temporal no crânio, entre as orelhas da presa (especialmente se for uma capivara) com os caninos, acertando o cérebro.[60] [61] Isto também permite quebrar cascos de tartaruga, após as extinções do Pleistoceno, quelônios podem ter se tornado presas abundantes em seu habitat.[27] [62] A mordida na cabeça é empregada em mamíferos, principalmente, enquanto que em répteis, como jacarés, a onça-pintada ataca o dorso do animal, acertando a coluna cervical, imobilizando o alvo. Embora capaz de rachar o casco de tartarugas, a onça pode simplesmente esmagar o escudo com a pata e retirar a carne.[63] Quando ataca tartarugas-marinhas que vão nidificar na praia, a onça ataca a cabeça, e frequentemente decapita o animal, antes de arrastá-la para comer.[64]Ao caçar cavalos, a onça pode pular sobre o dorso, colocar uma pata no focinho e outra na nuca, de forma de deslocar o pescoço. Moradores de ambientes em que ocorre a onça-pintada já contaram anedotas de uma onça que atacou um par de cavalos, e depois de ter matado um, ainda arrastou o outro, ainda vivo.[65]
A onça-pintada mata preferencialmente com uma mordida na base da nuca.
A onça-pintada caça em espreita e formando emboscadas, perseguindo pouco a presa. O felino anda de forma lenta, ouvindo e espreitando a presa, antes de armar a emboscada ou atacá-la. Ela ataca por cima, através de algum ponto cego da presa, com um salto rápido: as habilidades de espreita e emboscada dessa espécie são consideradas inigualáveis tanto por povos indígenas quanto por pesquisadores, e tal capacidade deve derivar do papel de ser um superpredador nos ambientes em que vive. Quando arma a emboscada, a onça pode saltar na água enquanto persegue a presa, já que é capaz de carregar grandes presas nadando, sua força permite levar novilhos para a copa das árvores.[63]
Após matar a presa, a onça arrasta a carcaça para alguma capoeira ou outro lugar seguro, podendo a arrastar por até 1,5 km.[39] Começa a comer pelo pescoço e peito, em vez de começar pelo ventre.[39] O coração e pulmões são consumidos, seguidos pelos ombros e ela frequentemente deixa as partes traseiras da carcaça intactas.[39] Entretanto, bezerros podem ser consumidos completamente.[39] Elas raramente cobrem suas carcaças com folhas, o que a diferencia daonça-parda.[39]
A necessidade diária alimentar de um indivíduo com 34 kg (que é menor peso encontrado em um indivíduo adulto) é de 1,4 kg.[23] Para animais em cativeiro, pesando entre 50 a 60 kg, mais de 2 kg de carne são recomendados.[66] Em liberdade, o consumo é naturalmente mais irregular: felinos selvagens gastam considerável energia e tempo para obter alimento, e podem comer até 25 kg de carne de uma só vez, seguidos por longos períodos sem se alimentar.[67] Ao contrário das outras espécies do gênero Panthera, a onça-pintada raramente ataca seres humanos.[68] Não existem casos de man-eaters como é reportado para os leopardos.[68] Muitos dos escassos casos reportados mostram que se tratavam de indivíduos velhos ou feridos, com dentes danificados ou em momentos que eram caçadas.[68] Às vezes, se feridas ou ameaçadas, as onças podem atacar os tratadores em zoológicos.[69]

Território e comportamento social[editar | editar código-fonte]

Rugidos são utilizados para demarcar território, e lembram uma tosse repetitiva.
Como muitos felinos, a onça-pintada é solitária, exceto quando formam pequenos grupos de mãe e filhotes.[22] [26] Adultos encontram-se somente no período de corte e acasalamento (embora socializações não relacionadas a esses eventos foram observados anedoticamente[63] ) e mantém grandes territórios para si. Os territórios das fêmeas podem se sobrepor, mas os animais geralmente se evitam nesses locais.[22] Os territórios dos machos frequentemente englobam o de duas ou três fêmeas, variando o tamanho de acordo com a disponibilidade de recursos, e seus territórios dificilmente se sobrepõem.[63] [70] De fato, os territórios das onças podem variar de tamanho em diversas áreas em que elas são estudadas e pode variar de acordo com as estações do ano, como mostrado em alguns estudos no Pantanal: na fazenda Miranda, os territórios variavam de 92 a 168 km² e durante a estação chuvosa, as distâncias percorridas pelos animais era bem menores do que na estação seca.[22] Em outra fazenda no Pantanal, Acurizal, em que as cheias são menos severas do que na fazenda Miranda, os territórios eram menores e variavam de 25 a 38 km².[22] O mesmo padrão é observado nos llanos da Venezuela.[22]
A onça-pintada usa marcas de arranhões, urina e fezes para marcar território, além de utilizar uma série de vocalizações, incluindo rugidos, para se comunicar.[22] [55] [71]Mas, comparada a outros grandes felinos, a onça-pintada faz isso com menos freqüência.[22] Foi observado, em Belize, um aumento significativo nesses comportamentos de marcação de território em áreas de disputa, quando dois machos morreram e animais mais jovens visavam conquistar o território, o que sugere que a territorialidade só é mais evidente em áreas com instabilidade demográfica.[22]
Como outros grandes felinos, a onça é capaz de rugir[72] [73] e faz isso para repelir competidores: ataques com indivíduos intrusos podem ser observados em liberdade.[62] Seu rugido lembra uma repetitiva tosse, e as vocalizações podem consistir também de grunhidos.[33] Brigas por cópulas entre machos podem ocorrer, mas são raras, e comportamentos evitando a agressão podem ser observados.[55]
Ambos os sexos caçam, mas os machos se deslocam para mais longe do que as fêmeas, diariamente, o que é condizente com seus grandes territórios.[26] A onça-pintada pode caçar durante o dia se existe caça disponível; é um felino relativamente enérgico, com cerca de 50 a 60% do tempo mantendo-se ativo.[27] A natureza arredia e a inacessibilidade de seus habitats preferidos tornam a onça-pintada um animal difícil de ser avistado e de ser estudado.[68]

Reprodução e ciclo de vida[editar | editar código-fonte]

Ficheiro:Jaguars (Panthera onca) playing in a zoo.webm
A fêmea é responsável por todo cuidado parentalaté 20 meses de idade.
As fêmeas da onça-pintada alcançam a maturidade sexual com cerca de 2 anos de idade, e os machos entre 3 e 4 anos.[26] Acredita-se que esse felino copule durante todo o ano em estado selvagem, e os nascimentos podem ocorrer durante o ano todo, mas em áreas mais temperadas, eles podem se concentrar no verão.[22] [74] Pesquisas com machos em cativeiro corroboram a hipótese de que os acasalamentos ocorrem durante o ano todo, com nenhuma variação em características do sêmen e da ejaculação: baixo sucesso reprodutivo também tem sido observado em cativeiro.[75] O estro dura entre 6 e 17 dias, em um ciclo de 37 dias, e fêmeas demonstram o período fértil com marcação de urina e aumento nas vocalizações.[74] Ambos os sexos se deslocam mais durante o período da corte.[26]
O casal se separa após o ato sexual e as fêmeas providenciam todo o cuidado parental.[26] A gestação dura entre 93 e 105 dias: elas podem dar à luz a até quatro filhotes, mas o mais comum é nascerem dois de cada vez.[26] A mãe não tolera a presença de machos após o nascimento dos filhotes, visto o risco de infanticídio: tal comportamento também se observa no tigre.[63] [26]
Os filhotes nascem cegos, e abrem os olhos após duas semanas pesando entre 700 e 900 gramas.[22] Os dentes começama aparecer depois de um mês de idade.[22] São desmamados após três meses, mas podem permanecer no ninho por até 6 meses, quando passam a acompanhar a mãe nas caçadas.[76] A partir de vinte meses de idade eles dispersam do território natal e os machos raramente voltam, enquanto que as fêmeas podem voltar algumas vezes.[22] Os machos também dispersam consideravelmente mais que as fêmeas, indo até 30 km mais longe que elas.[22] Jovens machos são primeiramente nômades, competindo com outros mais velhos até que conseguem obter um território.[22] Deve-se salientar que essa dispersão se dá antes da maturidade sexual dos indivíduos.[22]
Em estado selvagem, a onça-pintada vive entre 12 e 15 anos de idade, mas em cativeiro, pode viver até mais de 23 anos, sendo um dos felinos com maior longevidade.[33] Foi reportado uma fêmea que viveu até os 30 anos de idade.[22]

Conservação[editar | editar código-fonte]

O comércio internacional de peles de onça-pintada é proibido.
Atualmente, é classificada, pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais, como "quase ameaçada", visto sua ampla distribuição geográfica.[2] A onça-pintada é regulada pelo Appêndice I da CITES: todo comércio internacional de onças-pintada é proibido. A caça é proibida na maior parte dos países onde ocorre: ArgentinaColômbiaGuiana FrancesaHondurasNicaráguaPanamáParaguaiVenezuelaEstados Unidos e Uruguai; sendo que a caça de "animais-problemas" (aqueles que atacam o gado doméstico) é permitida no BrasilCosta RicaGuatemalaMéxico e Peru.[32] Na Guiana e no Equador, a espécie carece de proteção legal.[32]
Estudos detalhados realizados pela Wildlife Conservation Society mostraram que a espécie perdeu 37 % da sua distribuição histórica, e possui um status de conservação desconhecido em 17 % da sua área de ocorrência atual.[21] A onça-pintada foi extinta em grande parte do extremo norte e sul de sua distribuição geográfica, assim como em algumas regiões da América Central e no nordeste, leste e sul do Brasil.[21] [26] Encorajador para a conservação da espécie, é de que a probabilidade de sobrevivência a longo prazo é considerada alta em 70 % de seu habitat, notadamente nas regiões da Amazônia, do Gran Chaco e do Pantanal.[21] Entretanto, apenas nesta regiões citadas a onça ainda tem chances de sobrevivência a longo prazo, enquanto que no restante de sua ocorrência, incluindo o México; a América Central; oCerrado, a Caatinga e a Mata Atlântica, no Brasil; ela encontra-se em algum grau de ameaça de extinção a curto e médio prazo.[2] As estimativas populacionais variam ao longo da distribuição geográfica, sendo que em Belize, estimou-e que existiam cerca de 600 a mil onças no país; no México, há variação do grau de conservação ao longo do país , sendo que, em 1990, por exemplo, na província de Chiapas, havia 350 onças; e na Reserva da Biosfera Maya na Guatemala havia entre 465-550.[32] NaArgentina, ela ainda ocorre na província de Misiones, área ainda densamente florestada, mas que tem mostrado não ser suficiente para proteger as onças restantes: calculava-se uma população entre 25 a 53 animais em meados dos anos 2000, com densidades frequentemente mais baixas do que era reportado na região do Parque Nacional Iguazú, no início dos anos 1990.[77]
As maiores ameaças à onça-pintada são a fragmentação de seu habitat e a caça.[2] A caça a suas presas habituais e consequente diminuição da densidade dessas em seu ambiente, também impacta negativamente as populaçoes de onças.[78] [2] Em áreas mais alteradas pelo homem, atropelamentos em rodovias que cortam unidades de conservação são também fatores que diminuem significativamente as populações.[79] [80]
A caça para obtenção para o comércio de peles já foi um grande problema na conservação da espécie: na década de 1960, houve uma diminuição significativa no número de indivíduos, pois anualmente mais de 15.000 peles foram exportadas ilegalmente da Amazônia Brasileira.[81] A implementação da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção, em 1973, resultou numa forte queda do comércio de peles.[81]
Pantanal, no Brasil, é uma das áreas em que existem as maiores populações de onça-pintada.
Entretanto, é a caça por parte de fazendeiros, que considera o animal uma ameaça às criações de gado, uma das atividades que mais tem contribuído para extinções locais da espécie.[32] Em áreas próximas a grandes populações humanas, como em Guaraqueçaba, as onças-pintadas acabam mostrando uma preferência pelo gado doméstico, talvez por uma diminuição na densidade populacional de suas presas habituais, o que acaba incomodando os criadores de gado.[57] No Pantanal, esta atividade é parte da cultura local.[68] A maior parte da caça se dá por conta de retaliações por conta de ataques ao gado, mas é frequente uma caçada esportiva (assim como da onça-parda) mesmo que ainda seja ilegal em muito dos países que habita, principalmente no Brasil.[68] Dado esse tipo de relação, a onça é considerada um animal problema para muitos dos habitantes de sua área de distruibição, mas uma importante espécie bandeira para a comunidade científica, o que pode ser fonte de conflitos entre essas duas "culturas" e pode dificultar estratégias de conservação que visam evitar a caça.[68] Já houve situações em que estudos de ecologia tiveram que ser interrompidos, pois os animais estudados foram mortos por caçadores, como foi o caso dos estudos de George Schaller em 1980.[22] [68] Por isso, uma das principais estratégias na conservação da onça-pintada é a educação ambiental e uma integração entre pesquisadores e os habitantes das áreas que ela ocorre.[68] Em algumas localidades do Pantanal, tal integração ocorre e isso tem se mostrado eficiente nos esforços de conservação e estudos da biologia da espécie.[68] Essa integração conta com a ajuda de ex-caçadores, e as onças passam a se estudadas com eficientes métodos de caça utilizando cães, armadilhas fotográficas e rádio-colares.[68] Alguns autores sugerem que uma caça manejada pode ser uma importante estratégia na conservação da onça-pintada.[68]
Como observado na região da Mata Atlântica, as estratégias de conservação da onça-pintada são dificultadas pela intensa fragmentação de seu habitat em algumas regiões. Algumas unidades de conservação em que existem onças em pequeno número estão isoladas: como o caso da Reserva Biológica de Sooretama e a Reserva Natural Vale, que contam com menos de 20 indivíduos e são os únicos fragmentos de floresta capazes de abrigar onças-pintada no Espírito Santo.[82] Sendo assim, é necessário que se criem "corredores" unindo as unidades de conservação, impedindo, inclusive, que os animais precisem sair de áreas florestadas e causar problemas às populações rurais.[21] [83] [84] Foi criada a iniciativa, idealizada por Alan Rabinowitz, de que se una todas as áreas de ocorrência da onça-pintada, desde o norte do México até a América do Sul, constituindo o chamado Paseo del Jaguar.[83] [84]
A onça-pintada possui uma grande população em cativeiro, dado ser um animal popular em zoológicos e coleções particulares, e se reproduz com relativa facilidade.[22]A onça-pintada (nome científico: Panthera onca), também conhecida por pintada, onça-verdadeira, jaguar, jaguarapinima, jaguaretê, acanguçu, canguçu[4] e onça-preta (somente no caso dos indivíduos melânicos), é uma espécie de mamífero carnívoro da família Felidae encontrada nas Américas. É o terceiro maior felino do mundo, após o tigre e o leão, e o maior do continente americano. Apesar da semelhança com o leopardo (Panthera pardus) é evolutivamente mais próxima ao leão (Panthera leo). Ocorre desde o sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina, mas está extinta em diversas partes dessa região atualmente. Nos Estados Unidos, por exemplo, estáextinta desde o início do século XX, mas possivelmente ainda ocorre no Arizona. É encontrada principalmente em ambientes de florestas tropicais, e geralmente não ocorre acima dos 1 200 m de altitude. A onça-pintada está fortemente associada com a presença de água e é notável como um felino que gosta de nadar.
É um felino de porte grande, com peso variando de 56 a 92 kg, podendo ter até 158 kg, e comprimento variando de 1,12 a 1,85 m sem a cauda, que é relativamente curta. Se assemelha ao leopardo fisicamente, se diferindo desse, porém, pelo padrão de manchas na pele e pelo tamanho maior. Existem indivíduos totalmente pretos. Tem uma mordida excepcionalmente poderosa, mesmo em relação aos outros grandes felinos. Isso permite que ela fure a casca dura de répteis como a tartaruga e de utilizar um método de matar incomum: ela morde diretamente através do crânio da presa entre os ouvidos, uma mordida fatal no cérebro.
É um animal crepuscular e solitário. É um importante predador e pode comer qualquer animal que seja capaz de capturar, desempenhando um papel na estabilização dos ecossistemas e na regulação das populações de espécies de presas. Porém, tem preferência por grandes herbívoros, podendo atacar o gado doméstico. Frequentemente convive com a onça-parda (Puma concolor), influenciando os hábitos e comportamento deste outro felino. Caça formando emboscadas. A área de vida pode ter mais de 100 km², com os machos tendo territórios englobando o de duas ou três fêmeas. A onça-pintada é capaz de rugir e usa esse tipo de vocalização em contextos deterritorialidade. Alcança a maturidade sexual com cerca de 2 anos de idade, e as fêmeas dão à luz geralmente a dois filhotes por vez, pesando entre 700 e 900 gramas. Em cativeiro, a onça-pintada pode viver até 23 anos, mais do que em estado selvagem.
IUCN considera a espécie como "quase ameaçada", dado sua ampla distribuição geográfica, mas suas populações estão caindo, principalmente por causa da perda e fragmentação do seu habitat. Entretanto, localmente ela pode estar em sério risco de extinção, como em áreas da América Central e do Norte e na Mata Atlântica brasileira. O comércio internacional de onças ou de suas partes é proibido, mas o felino ainda é frequentemente caçado por fazendeiros e agricultores na América do Sul. Apesar de ter se reduzido, sua distribuição geográfica ainda é ampla, e há boas chances de sobrevivência da espécie a longo prazo na Amazônia e no Pantanal. Ela faz parte damitologia de diversas culturas indígenas americanas, incluindo a dos maiasastecas e guaranis e a caça à onça-pintada é uma atividade carregada de simbolismo, principalmente entre os pantaneiros.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Onça origina-se do termo grego lygx, através do termo latino luncea e do termo italiano lonza.[4] No Brasil, o nome onça-pintada é o mais utilizado, sendo que pintada é uma alusão à pelagem cheia de manchas e rosetas, ao contrário da outra onça, a onça-parda.[4]
Jaguar origina-se do termo tupi ya'wara, e pode ser traduzido como fera e até cão, já que o termo era utilizado pelos indígenas para se referir a qualquer "fera" antes da chegada dos europeus.[5] Com a colonização européia e a chegadas dos cães, a palavra passou a ser usada apenas como referência aos cachorros, e ya'war-e'te ("fera verdadeira") passou a se referir à onça-pintada, originando o termo jaguaretê.[5] "Yaguareté" é um nome usado em países de língua espanhola em que há muitos descendentes dos guaranis, como a Argentina e Paraguai.[5] Acanguçu e canguçu originam-se do termo tupi akãgu'su, que significa "cabeça grande", através da junção dea'kãga (cabeça) e u'su ("grande").[4] Jaguarapinima vem do tupi ya'wara (onça) e pi'nima (pintada)[4] .
A designição pantera no nome científico, vem do latimpantheraPanthera, em grego, é uma palavra para leopardo, πάνθηρ. A palavra é uma composição de παν- "todos" e θήρ vem de θηρευτής "predador", significando "predador de todos" (animais), apesar de que esta deve ser considerada uma etimologia popular.[6] A palavra deve ter uma origem do Sânscritopundarikam, que significa tigre.[7]

Taxonomia e evolução[editar | editar código-fonte]

Embora numerosas subespécies foram reconhecidas no passado, estudos recentes sugerem a existência de três apenas.
A onça-pintada é o único membro atual do gênero Panthera no Novo MundoFilogenias moleculares evidenciaram que o leão, o tigre, o leopardo, o leopardo-das-nevese o leopardo-nebuloso compartilham um ancestral em comum exclusivo, e esse ancestral viveu entre seis e dez milhões de anos atrás apesar do registro fóssil apontar o surgimento do gênero Panthera entre 2 000 000 e 3 800 000 de anos atrás.[8] [9] Estudos filogenéticos geralmente mostram o leopardo-nebuloso como um táxon basal ao gênero Panthera.[8]
Baseado em evidências morfológicas, o zoológo britânico Reginald Pocock concluiu que a onça-pintada é mais próxima ao leopardo.[10] Entretanto, filogenias baseadas no DNA são inconclusivas à posição da onça-pintada em relação às outras espécies do gênero, mas coloca a onça-pintada como mais próxima do leão.[8] Fósseis de espécies extintas do gênero Panthera, como o jaguar-europeu (Panthera gombaszoegensis) e o leão-americano(Panthera atrox), mostram características tanto da onça-pintada quanto do leão.[10] Análise do DNA mitocondrial apontam para o surgimento da espécie entre 280 000 e 510 000 anos atrás, bem depois do que é sugerido pelo registro fóssil, que considera seu surgimento há cerca de 1,5 milhões de anos.[11] [12]
Relações filogenéticas da onça-pintada.[8]


Neofelis nebulosa - pantera-nebulosa




Panthera tigris - tigre


Panthera uncia - leopardo-das-neves




Panthera pardus - leopardo



Panthera leo - leão


Panthera onca- onça-pintada





Filogenia inferida a partir de estudoscitogenéticos e moleculares.

Ancestrais[editar | editar código-fonte]

Apesar de habitar o continente americano, a onça-pintada descende de felinos do Velho Mundo. Cerca de 2,87 milhões de anos atrás, a onça-pintada, o leão e o leopardo, compartilharam um ancestral comum na Ásia.[8] [13] No início do Pleistoceno, os precursores da atual onça atravessaram aBeríngia e chegaram na América do Norte: a partir daí alcançaram a América Central e a América do Sul.[13] [14] A linhagem da onça-pintada se separou da linhagem do leão (que compartilham um ancestral comum exclusivo, sendo a espécie mais próxima da onça-pintada), há cerca de 2 milhões de anos.[8]
Existe a discussão se Panthera gombaszoegensis seria uma subespécie da atual onça-pintada.[15] Isso pode mudar a história evolutiva da onça, considerando até de que ela surgiu na África e não na Ásia.[14]

Subespécies e variação geográfica[editar | editar código-fonte]

A última delineação taxonômica foi feita por Pocock em 1939. Baseado em origens geográficas e morfologia de crânio, ele reconheceu oito subespécies. Entretanto, ele não teve acesso a um número suficiente de espécimes para fazer uma análise crítica das subespécies, e expressou dúvida sobre a validade de várias delas. Uma reconsideração posterior reconheceu apenas três subespécies.[16]
Estudos recentes não demonstraram a existência de subespécies bem definidas, e muitos nem reconhecem a existência delas.[17] Larson (1997) estudou a variação morfológica na onça-pintada e demonstrou que existe variação clinal entre a ocorrência sul e norte da espécie, mas a variação dentro das subespécies é maior do que entre elas, e portanto, não há garantia da existência das subespécies.[18] Um estudo genético confirmou a ausência de divisões geográficas entre as populações, apesar de que foi demonstrado que grandes barreiras geográficas, como o rio Amazonas, limita o fluxo gênico entre as populações.[11] Um estudo subsequente, caracterizou mais detalhadamente a variação genética e encontrou diferenças populacionais nas onças da Colômbia.[19]
As divisões de Pocock (1939) ainda são regularmente citadas em muitas decrições do felino. Seymour reconhece apenas três subespécies.[1] [16]
  1. Panthera onca onca Linnaeus, 1758Venezuela através da bacia amazônica, incluindo
    • P. onca peruviana Blainville, 1843: costa do Peru
  2. P. onca hernandesii Gray, 1857: oeste do México – incluindo
  3. P. onca palustris Ameghino, 1888(a maior subespécie, pesando mais de 135 kg):[20] Ocorre no Pantanal, regiões do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Brasil, ao longo da bacia do rio Paraguai no Paraguai e nordeste da Argentina.
Mammal Species of the World continua a reconhecer nove subespécies, adicionando P. o. paraguensis Hollister, 1914.[1]

Distribuição geográfica e habitat[editar | editar código-fonte]

A onça-pintada é presente desde o México, passando pela América Central, até a América do Sul, incluindo toda a bacia Amazônica, no Brasil.[21] Os países que a onça-pintada ocorrem são: ArgentinaBelize,BrasilBolíviaColômbiaCosta Rica (particularmente na península de Osa), EquadorGuiana FrancesaGuatemalaGuianaHondurasMéxico,NicaráguaPanamáParaguaiPeruSurinameEstados Unidos eVenezuela. Foi extinta de El Salvador, do Uruguai e de quase toda a Argentina.[2] [22] Ocorre nos 400 km² do Reserva Natural de Cockscomb em Belize, nos 5 300 km² da Reserva da Biosfera Sian Ka'an, no México, nos 15 000 km² do Parque Nacional de Manú no Peru, nos 26 000 km² do Parque Indígena do Xingu e nos cerca de 1 800 km² do Parque Nacional do Iguaçu, ambos no Brasil, e em muitas outras unidades de conservação ao longo de sua distribuição.[2]
A onça-pintada vive em uma ampla variedade de habitats, desde campos abertos até florestas densas, mas geralmente, associados a cursos d'água permanentes.
A inclusão dos Estados Unidos na lista é baseada em ocorrências casuais no sudoeste do país, nos estados do ArizonaTexas e Novo México.[23] No início do século XX, a onça-pintada ocorria ao norte até o Grand Canyon e a oeste até o Sul da Califórnia.[23] É provável que em tempos pré-históricos, a onça-pintada tivesse uma ampla distribuição pela América do Norte, como fica evidenciado pela existência de fósseis e representações culturais de uma subespécie da região,Panthera onca augusta.[24] Fósseis de onça-pintada, datados entre 40 000 e 15 000 anos atrás, mostram a ocorrência dessa espécie na era do Gelo até oMissouri.[25]
A ocorrência em tempos históricos da espécie inclui a metade sul dos Estados Unidos no limite norte, e quase todo continente sul-americano, no limite sul.[26] [2]Atualmente, sua distribuição ao norte recuou 1 000 km, e ao sul, cerca de 1500 km.[2] [22]
A onça-pintada habita florestas tropicais na América do Sul e América Central, áreas abertas, e com inundações periódicas, como o Pantanal.[22] Historicamente, ocorria nas florestas de carvalho dos Estados Unidos.[22] Estudos com armadilhas fotográficas e rádio colar mostram que elas preferem áreas com densa vegetação, evitando áreas abertas, o que se reflete em uma preferência por áreas de floresta densa e chuvosa, sendo escassa em regiões mais secas, como nos pampas argentinos, nas secas savanas do México, e centro-sul dos Estados Unidos.[22] [27] A onça-pintada é dependente de cursos d'água permanentes, vivendo preferencialmente próximo a rios e pântanos, e é uma boa nadadora, apreciando passar parte significativa do dia dentro d'água.[22] [26] Não costuma ocorrer em altitudes maiores de 1 200 m, mas há registros em altitudes de até 3 800 m na Costa Rica, 2 700 na Bolívia e 2 100 m no Peru.[22]

Descrição[editar | editar código-fonte]

A cabeça da onça-pintada é robusta e a mandíbula é extremamente poderosa. O tamanho dos indivíduos tende a ser maior quanto mais longe das regiões equatoriais.
A onça-pintada é um animal robusto e musculoso. Tamanho e peso variam consideravelmente: o peso normalmente está entre 56 a 96 kg. Os maiores machos registrados pesavam até 158 kg (tendo o peso de uma leoa ou tigresa), e as menores fêmeas chegavam a ter 36 kg.[28] [17] As fêmeas são entre 10 a 20 % menores que os machos.[16]O comprimento da ponta do focinho até a ponta da cauda varia de 1,12 m a 1,85 m.[17] [29] Sua cauda é a menor dentre os grandes felinos, tendo entre 45 e 75 cm de comprimento. Suas pernas são consideravelmente mais curtas se comparadas a um tigre ou leão com mesma massa corporal, mas são mais grossas e robustas. A onça-pintada tem entre 63 a 76 cm na altura da cernelha.[30] É o maior felino das Américas e o terceiro maior do mundo, só não sendo maior que o leão e o tigre.[22] [26] [16]
Variações no tamanho são observadas ao longo das regiões de ocorrência da onça, com o tamanho tendendo a aumentar nos indivíduos nos limites norte e sul da distribuição geográfica, com os menores indivíduos sendo encontrados na Amazônia e regiões equatoriais adjacentes.[22] Um estudo realizado na Reserva da Biosfera Chamela-Cuixmala na costa do Pacífico no México, reportou medidas de massa corporal ao redor de 50 kg, não muito maior que uma onça-parda.[31] Em contraste, noPantanal, a média de peso foi de cerca de 100 kg, e machos mais velhos não raramente chegavam a pesar mais de 130 kg.[32] [33] Onças que ocorrem em ambientes florestais frequentemente são mais escuras na coloração da pelagem e menores do que aquelas encontradas em regiões de campos abertos (como no Pantanal), possivelmente, devido ao menor número de presas de grande porte em florestas.[27]
Brevard Zoo in Viera FL - Flickr - Rusty Clark (6).jpg
Pata dianteira (acima). Pegada (abaixo).
Pata dianteira (acima). Pegada (abaixo).
crânio pode ter até mais de 27,5 cm de comprimento, mas geralmente tem entre 19 e 26 cm, sendo robusto, curto e largo no rostro, principalmente nos machos.[16] Pode apresentar uma crista sagital, especialmente em machos mais velhos.[16] O crânio da onça-pintada é semelhante ao da onça-parda (Puma concolor), mas se diferencia por ser maior e ter o osso nasal em formato côncavo.[34] A anatomiafuncional do crânio é semelhante a dos outros grandes felinos: existe um ligamento elástico no aparato hioide, o que permite a onça-pintada rugir.[16] A sínfise mandibular é rígida, o que permite recrutar mais músculos na mastigação.[16] A fórmula dentária na onça-pintada é a mesma para outros felinos: Superior: 3.1.3.1 / Inferior: 3.1.2.1, Total = 30. Os caninos são longos e podem ter 23,5 mm de comprimento, mas geralmente, possuem entre 17,5 e 18,6 mm de comprimento.[16] Eles servem para segurar e matar as presas.[16]
Leopard (Panthera pardus).jpg
Comparação entre leopardo (acima) e onça-pintada (abaixo). A onça tem rosetas maiores e mais grossas com pintas em seu interior e é mais atarracada.
Comparação entre leopardo (acima) e onça-pintada (abaixo). A onça tem rosetas maiores e mais grossas com pintas em seu interior e é mais atarracada.
A forma corporal atarracada e robusta torna a onça-pintada capaz de nadar, rastejar e escalar.[30] A cabeça é grande e a mandíbula é desenvolvida e forte.[35] A onça-pintada possui a mordida mais forte de todos os felinos, capaz de alcançar até 910 kgf e ela pode abrir a boca até a 13,1 cm de diâmetro, em um ângulo de 65 a 70 graus.[16] É duas vezes a força da mordida de um leão e só não é maior que a da mordida de uma hiena; tal força é capaz de quebrar o casco de tartarugas.[36] Um estudo comparativo colocou a onça-pintada como em primeiro lugar em força de mordida, ao lado do leopardo-das-neves, e à frente do leão e do tigre.[37] É dito que uma onça é capaz de arrastar um touro de até 360 kg por 8 m e quebrar ossos com as mandíbulas.[38] A onça-pintada caça grandes herbívoros de até 300 kg em florestas densas, como a anta (Tapirus terrestris), e seu corpo forte e atarracado é uma adaptação a esse tipo de presa e ambiente, como evidenciado pela morfologia de seu cotovelo e dos membros, o que mostra que ela não costuma correr tanto quanto felinos de áreas abertas.[16] As patas são digitígradas como outros carnívoros e sua estrutura é típica de membros do gênero Panthera.[16] As garras são retráteis, o que faz com que suas pegadas geralmente não apresentem marcas de garras, como outros felinos.[16] [39] A sua pegada é semelhante a da onça-parda, mas não possui os lobos da almofada plantar tão evidentes quanto a deste felino e é nitidamente maior, tendo até 12 cm de diâmetro as pegadas das patas dianteiras e 7,5 cm as das patas traseiras.[39] [16] Suas pegadas também possuem um aspecto arredondado, sendo mais largas do que redondas, principalmente as pegadas das patas dianteiras.[40]
A cor de fundo da pelagem da onça é amarelo acastanhado (às vezes mais pálido), mas pode chegar ao avermelhado, marrom e preto, para todo o corpo.[30] [16] As áreas ventrais são brancas.[30] A pelagem é coberta por rosetas, que servem como camuflagem, usando o jogo de luz e sombra do interior de florestas densas.[16] As manchas variam entre os indivíduos: rosetas podem incluir um ou várias pintas em seu interior, e a forma das pintas também pode variar.[16] As manchas e pintas da cabeça e pescoço costumam ser sólidas, e na cauda, elas se unem, de forma a aparecer bandas.[16]
Variedades melânicas da onça-pintada ocorrem com uma frequência de 6% nas populações selvagens.
Enquanto a onça-pintada lembra o leopardo (Panthera pardus), além dela ser maior e mais robusta, as rosetas são diferentes nessas duas espécies: as rosetas da pelagem da onça-pintada são maiores, menos numerosas, mais escuras, são formadas por linhas mais grossas e possuem pintas no meio delas, que não são encontradas nas rosetas do leopardo.[22] [16] As onças também possuem cabeças maiores e arredondadas, e membros mais atarracados se comparados com os do leopardo.[22]

Melanismo[editar | editar código-fonte]

Polimorfismo na cor ocorre na espécie e variedades melânicas são frequentes, sendo a principal variação na pelagem encontrada em animais selvagens.[41] Em indivíduos totalmente pretos, quando visto sob a luz e de perto, é possível observar as rosetas.[22] [41] Apesar de ser conhecida popularmente como onça-preta, é apenas uma variação natural, não sendo uma espécie propriamente dita.[42] [43] [26]
A forma totalmente preta é mais rara que a forma de cor amarelo-acastanhado, representando cerca de 6 % da população, o que é uma frequência muito maior do que a taxa de mutação.[43] Portanto, a seleção natural contribuiu para a frequência de indivíduos totalmente negros na população. Existem evidências de que o alelo para o melanismo na onça-pintada é dominante.[42] Ademais, a forma melânica é um exemplo de vantagem do heterozigoto; mas dados de cativeiro não são conclusivos quanto a isso.[42]
Indivíduos albinos são muito raros, e foi reportada a ocorrência na onça-pintada, assim como em outros grandes felinos.[27] [41] Como é usual com o albinismo na natureza, a seleção natural mantém a frequência da característica próxima à taxa de mutação.[27]

Ecologia e comportamento[editar | editar código-fonte]

A onça-pintada tem uma mordida excepcionalmente forte que permite quebrar cascos de tartarugas.
A onça-pintada é um superpredador, o que significa que está no topo da cadeia alimentar, e praticamente, seu maior predador é o ser humano.[16] Entretanto, filhotes podem ser mortos por outras onças, jacarés e grandes cobras da família Boidae.[16] É considerada uma espécie-chave nos ambientes em que vive, já que é importante no controle das populações de mamíferos herbívoros e mesopredadores, contribuindo para a manutenção da integridade dos ecossistemas florestais.[44] [45] Entretanto, predizer quel o efeito que a onça-pintada tem no ecossistema é difícil, principalmente no que se diz respeito ao controle de mesopredadores, pois os dados devem ser comparados com ambientes em que ela não ocorre, e controlar o efeito das atividades humanas em tais ambientes.[46] É aceito que mesopredadores aumentam de população na ausência de superpredadores, e pensa-se que isso tem um efeito cascata negativo no ecossistema.[47] [48] Porém, trabalhos de campo mostraram que isso pode ser uma variabilidade natural, e que o aumento populacional não se sustenta. Portanto, a hipótese de uma grande importância ecológica para os superpredadores no controle de mesopredadores não é largamente aceita.[46]
A onça-pintada também possui um efeito em outros predadores. Ela e a onça-parda (Puma concolor), são frequentemente simpátricos e são estudadas em conjunto.[49]Onde a onça-parda é simpátrica com a onça-pintada, o tamanho da primeira tende a ser menor que o das onça-pintadas locais.[49] Estas últimas tendem a matar presas maiores, geralmente, com mais de 22 kg, e a onça-parda, menores, entre 2 e 22 kg.[50] [51] Esta parece ser uma situação vantajosa para a onça-parda. Sua capacidade de expandir seu nicho ecológico, incluindo, de se alimentar de presas menores, a torna mais adaptável que a onça-pintada a ambientes perturbados pelo homem;[44] o que se reflete em sua maior distribuição geográfica e menor risco de extinção.[52] Aparentemente, a onça-pintada e a onça-parda se evitam, mas não se pode afirmar se isso parte dos dois lados, ou apenas de um deles.[49] É provável que a onça-parda evite a onça-pintada, dado o seu maior porte e força.[49]
Como os outros felinos, a onça-pintada costuma dormir durante o dia.
A onça-pintada é geralmente descrita como um animal noturno, mas é, mais especificamente, crepuscular (pico de atividade é durante a madrugada ou o crepúsculo), como os outros felinos.[26] Entretanto, pode ser observada caçando durante o dia, e a escolha de ser mais ativa à noite ou durante o dia, depende do padrão de atividade de suas presas habituais no local que vive.[22]

Dieta, forrageamento e caça[editar | editar código-fonte]

Como todos os felinos, a onça-pintada é um carnívoro obrigatório, se alimentando somente de carne. É um caçador oportunista, e sua dieta inclui até 87 espécies de animais.[49] A onça pode predar, teoricamente, qualquer vertebrado terrestre ou semi-aquático nas Américas Central e do Sul, com preferência por presas maiores. Ela regularmente preda jacarésveadoscapivarasantasporcos-do-matotamanduás e até mesmo sucuris.[16] [53] [54] Entretanto, o felino pode comer qualquer pequena espécie que puder pegar, como ratossaposaves (principalmente mutuns), peixes, preguiçasmacacos e tartarugas.[22] Um estudo conduzido no Santuário de Cockscomb, em Belize, revelou que a dieta das onças era constituída principalmente por tatus e pacas.[55] Mas, por ter preferência a áreas próximas a cursos d'água, a onça-pintada acaba se alimentando preferencialmente de ungulados como a queixada (Tayassu pecari) e a anta (Tapirus terrestris).[56]
Em áreas mais povoadas ou com grande número de pecuaristas, a onça-pintada preda o gado doméstico, e muitas vezes parece ter um preferência por esse tipo de presa (no Pantanal, foi constatado que até 31,7% de sua alimentação era constituída por bezerros de gado bovino).[54] [57] Porém, apesar de alguns estudos sugerirem que onças que atacam o gado doméstico são machos jovens ou animais velhos, outros têm sugerido que não existe um padrão individual para determinar a preferência das onças em atacar o gado doméstico.[58] Alguns estudos têm sido conclusivos de que a onça-pintada ataca o gado doméstico quando suas presas habituais, como a queixada (Tayassu pecari), tornam-se mais raras.[58]
Apesar de preferir presas maiores, a onça pode comer qualquer animal, até mesmo pequenos roedores.
Pelo grande porte, é capaz de se alimentar até de outros felinos de tamanho menor, como a jaguatirica (Leopardus pardalis), apesar de ser incomum.[59] Outros carnívoros, como o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), o cachorro-do-mato (Cerdocyon thous), o quati (Nasua nasua) e o mão-pelada (Procyon cancrivorus) também podem ser predados pela onça-pintada, e ela é o principal predador desses animais.[58] [56]
A onça-pintada raramente mata com uma mordida no pescoço, sufocando a presa, como é típico entre os membros do gênero Panthera, preferindo matar por uma técnica única entre os felinos: ela morde o osso temporal no crânio, entre as orelhas da presa (especialmente se for uma capivara) com os caninos, acertando o cérebro.[60] [61] Isto também permite quebrar cascos de tartaruga, após as extinções do Pleistoceno, quelônios podem ter se tornado presas abundantes em seu habitat.[27] [62] A mordida na cabeça é empregada em mamíferos, principalmente, enquanto que em répteis, como jacarés, a onça-pintada ataca o dorso do animal, acertando a coluna cervical, imobilizando o alvo. Embora capaz de rachar o casco de tartarugas, a onça pode simplesmente esmagar o escudo com a pata e retirar a carne.[63] Quando ataca tartarugas-marinhas que vão nidificar na praia, a onça ataca a cabeça, e frequentemente decapita o animal, antes de arrastá-la para comer.[64]Ao caçar cavalos, a onça pode pular sobre o dorso, colocar uma pata no focinho e outra na nuca, de forma de deslocar o pescoço. Moradores de ambientes em que ocorre a onça-pintada já contaram anedotas de uma onça que atacou um par de cavalos, e depois de ter matado um, ainda arrastou o outro, ainda vivo.[65]
A onça-pintada mata preferencialmente com uma mordida na base da nuca.
A onça-pintada caça em espreita e formando emboscadas, perseguindo pouco a presa. O felino anda de forma lenta, ouvindo e espreitando a presa, antes de armar a emboscada ou atacá-la. Ela ataca por cima, através de algum ponto cego da presa, com um salto rápido: as habilidades de espreita e emboscada dessa espécie são consideradas inigualáveis tanto por povos indígenas quanto por pesquisadores, e tal capacidade deve derivar do papel de ser um superpredador nos ambientes em que vive. Quando arma a emboscada, a onça pode saltar na água enquanto persegue a presa, já que é capaz de carregar grandes presas nadando, sua força permite levar novilhos para a copa das árvores.[63]
Após matar a presa, a onça arrasta a carcaça para alguma capoeira ou outro lugar seguro, podendo a arrastar por até 1,5 km.[39] Começa a comer pelo pescoço e peito, em vez de começar pelo ventre.[39] O coração e pulmões são consumidos, seguidos pelos ombros e ela frequentemente deixa as partes traseiras da carcaça intactas.[39] Entretanto, bezerros podem ser consumidos completamente.[39] Elas raramente cobrem suas carcaças com folhas, o que a diferencia daonça-parda.[39]
A necessidade diária alimentar de um indivíduo com 34 kg (que é menor peso encontrado em um indivíduo adulto) é de 1,4 kg.[23] Para animais em cativeiro, pesando entre 50 a 60 kg, mais de 2 kg de carne são recomendados.[66] Em liberdade, o consumo é naturalmente mais irregular: felinos selvagens gastam considerável energia e tempo para obter alimento, e podem comer até 25 kg de carne de uma só vez, seguidos por longos períodos sem se alimentar.[67] Ao contrário das outras espécies do gênero Panthera, a onça-pintada raramente ataca seres humanos.[68] Não existem casos de man-eaters como é reportado para os leopardos.[68] Muitos dos escassos casos reportados mostram que se tratavam de indivíduos velhos ou feridos, com dentes danificados ou em momentos que eram caçadas.[68] Às vezes, se feridas ou ameaçadas, as onças podem atacar os tratadores em zoológicos.[69]

Território e comportamento social[editar | editar código-fonte]

Rugidos são utilizados para demarcar território, e lembram uma tosse repetitiva.
Como muitos felinos, a onça-pintada é solitária, exceto quando formam pequenos grupos de mãe e filhotes.[22] [26] Adultos encontram-se somente no período de corte e acasalamento (embora socializações não relacionadas a esses eventos foram observados anedoticamente[63] ) e mantém grandes territórios para si. Os territórios das fêmeas podem se sobrepor, mas os animais geralmente se evitam nesses locais.[22] Os territórios dos machos frequentemente englobam o de duas ou três fêmeas, variando o tamanho de acordo com a disponibilidade de recursos, e seus territórios dificilmente se sobrepõem.[63] [70] De fato, os territórios das onças podem variar de tamanho em diversas áreas em que elas são estudadas e pode variar de acordo com as estações do ano, como mostrado em alguns estudos no Pantanal: na fazenda Miranda, os territórios variavam de 92 a 168 km² e durante a estação chuvosa, as distâncias percorridas pelos animais era bem menores do que na estação seca.[22] Em outra fazenda no Pantanal, Acurizal, em que as cheias são menos severas do que na fazenda Miranda, os territórios eram menores e variavam de 25 a 38 km².[22] O mesmo padrão é observado nos llanos da Venezuela.[22]
A onça-pintada usa marcas de arranhões, urina e fezes para marcar território, além de utilizar uma série de vocalizações, incluindo rugidos, para se comunicar.[22] [55] [71]Mas, comparada a outros grandes felinos, a onça-pintada faz isso com menos freqüência.[22] Foi observado, em Belize, um aumento significativo nesses comportamentos de marcação de território em áreas de disputa, quando dois machos morreram e animais mais jovens visavam conquistar o território, o que sugere que a territorialidade só é mais evidente em áreas com instabilidade demográfica.[22]
Como outros grandes felinos, a onça é capaz de rugir[72] [73] e faz isso para repelir competidores: ataques com indivíduos intrusos podem ser observados em liberdade.[62] Seu rugido lembra uma repetitiva tosse, e as vocalizações podem consistir também de grunhidos.[33] Brigas por cópulas entre machos podem ocorrer, mas são raras, e comportamentos evitando a agressão podem ser observados.[55]
Ambos os sexos caçam, mas os machos se deslocam para mais longe do que as fêmeas, diariamente, o que é condizente com seus grandes territórios.[26] A onça-pintada pode caçar durante o dia se existe caça disponível; é um felino relativamente enérgico, com cerca de 50 a 60% do tempo mantendo-se ativo.[27] A natureza arredia e a inacessibilidade de seus habitats preferidos tornam a onça-pintada um animal difícil de ser avistado e de ser estudado.[68]

Reprodução e ciclo de vida[editar | editar código-fonte]

Ficheiro:Jaguars (Panthera onca) playing in a zoo.webm
A fêmea é responsável por todo cuidado parentalaté 20 meses de idade.
As fêmeas da onça-pintada alcançam a maturidade sexual com cerca de 2 anos de idade, e os machos entre 3 e 4 anos.[26] Acredita-se que esse felino copule durante todo o ano em estado selvagem, e os nascimentos podem ocorrer durante o ano todo, mas em áreas mais temperadas, eles podem se concentrar no verão.[22] [74] Pesquisas com machos em cativeiro corroboram a hipótese de que os acasalamentos ocorrem durante o ano todo, com nenhuma variação em características do sêmen e da ejaculação: baixo sucesso reprodutivo também tem sido observado em cativeiro.[75] O estro dura entre 6 e 17 dias, em um ciclo de 37 dias, e fêmeas demonstram o período fértil com marcação de urina e aumento nas vocalizações.[74] Ambos os sexos se deslocam mais durante o período da corte.[26]
O casal se separa após o ato sexual e as fêmeas providenciam todo o cuidado parental.[26] A gestação dura entre 93 e 105 dias: elas podem dar à luz a até quatro filhotes, mas o mais comum é nascerem dois de cada vez.[26] A mãe não tolera a presença de machos após o nascimento dos filhotes, visto o risco de infanticídio: tal comportamento também se observa no tigre.[63] [26]
Os filhotes nascem cegos, e abrem os olhos após duas semanas pesando entre 700 e 900 gramas.[22] Os dentes começama aparecer depois de um mês de idade.[22] São desmamados após três meses, mas podem permanecer no ninho por até 6 meses, quando passam a acompanhar a mãe nas caçadas.[76] A partir de vinte meses de idade eles dispersam do território natal e os machos raramente voltam, enquanto que as fêmeas podem voltar algumas vezes.[22] Os machos também dispersam consideravelmente mais que as fêmeas, indo até 30 km mais longe que elas.[22] Jovens machos são primeiramente nômades, competindo com outros mais velhos até que conseguem obter um território.[22] Deve-se salientar que essa dispersão se dá antes da maturidade sexual dos indivíduos.[22]
Em estado selvagem, a onça-pintada vive entre 12 e 15 anos de idade, mas em cativeiro, pode viver até mais de 23 anos, sendo um dos felinos com maior longevidade.[33] Foi reportado uma fêmea que viveu até os 30 anos de idade.[22]

Conservação[editar | editar código-fonte]

O comércio internacional de peles de onça-pintada é proibido.
Atualmente, é classificada, pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais, como "quase ameaçada", visto sua ampla distribuição geográfica.[2] A onça-pintada é regulada pelo Appêndice I da CITES: todo comércio internacional de onças-pintada é proibido. A caça é proibida na maior parte dos países onde ocorre: ArgentinaColômbiaGuiana FrancesaHondurasNicaráguaPanamáParaguaiVenezuelaEstados Unidos e Uruguai; sendo que a caça de "animais-problemas" (aqueles que atacam o gado doméstico) é permitida no BrasilCosta RicaGuatemalaMéxico e Peru.[32] Na Guiana e no Equador, a espécie carece de proteção legal.[32]
Estudos detalhados realizados pela Wildlife Conservation Society mostraram que a espécie perdeu 37 % da sua distribuição histórica, e possui um status de conservação desconhecido em 17 % da sua área de ocorrência atual.[21] A onça-pintada foi extinta em grande parte do extremo norte e sul de sua distribuição geográfica, assim como em algumas regiões da América Central e no nordeste, leste e sul do Brasil.[21] [26] Encorajador para a conservação da espécie, é de que a probabilidade de sobrevivência a longo prazo é considerada alta em 70 % de seu habitat, notadamente nas regiões da Amazônia, do Gran Chaco e do Pantanal.[21] Entretanto, apenas nesta regiões citadas a onça ainda tem chances de sobrevivência a longo prazo, enquanto que no restante de sua ocorrência, incluindo o México; a América Central; oCerrado, a Caatinga e a Mata Atlântica, no Brasil; ela encontra-se em algum grau de ameaça de extinção a curto e médio prazo.[2] As estimativas populacionais variam ao longo da distribuição geográfica, sendo que em Belize, estimou-e que existiam cerca de 600 a mil onças no país; no México, há variação do grau de conservação ao longo do país , sendo que, em 1990, por exemplo, na província de Chiapas, havia 350 onças; e na Reserva da Biosfera Maya na Guatemala havia entre 465-550.[32] NaArgentina, ela ainda ocorre na província de Misiones, área ainda densamente florestada, mas que tem mostrado não ser suficiente para proteger as onças restantes: calculava-se uma população entre 25 a 53 animais em meados dos anos 2000, com densidades frequentemente mais baixas do que era reportado na região do Parque Nacional Iguazú, no início dos anos 1990.[77]
As maiores ameaças à onça-pintada são a fragmentação de seu habitat e a caça.[2] A caça a suas presas habituais e consequente diminuição da densidade dessas em seu ambiente, também impacta negativamente as populaçoes de onças.[78] [2] Em áreas mais alteradas pelo homem, atropelamentos em rodovias que cortam unidades de conservação são também fatores que diminuem significativamente as populações.[79] [80]
A caça para obtenção para o comércio de peles já foi um grande problema na conservação da espécie: na década de 1960, houve uma diminuição significativa no número de indivíduos, pois anualmente mais de 15.000 peles foram exportadas ilegalmente da Amazônia Brasileira.[81] A implementação da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção, em 1973, resultou numa forte queda do comércio de peles.[81]
Pantanal, no Brasil, é uma das áreas em que existem as maiores populações de onça-pintada.
Entretanto, é a caça por parte de fazendeiros, que considera o animal uma ameaça às criações de gado, uma das atividades que mais tem contribuído para extinções locais da espécie.[32] Em áreas próximas a grandes populações humanas, como em Guaraqueçaba, as onças-pintadas acabam mostrando uma preferência pelo gado doméstico, talvez por uma diminuição na densidade populacional de suas presas habituais, o que acaba incomodando os criadores de gado.[57] No Pantanal, esta atividade é parte da cultura local.[68] A maior parte da caça se dá por conta de retaliações por conta de ataques ao gado, mas é frequente uma caçada esportiva (assim como da onça-parda) mesmo que ainda seja ilegal em muito dos países que habita, principalmente no Brasil.[68] Dado esse tipo de relação, a onça é considerada um animal problema para muitos dos habitantes de sua área de distruibição, mas uma importante espécie bandeira para a comunidade científica, o que pode ser fonte de conflitos entre essas duas "culturas" e pode dificultar estratégias de conservação que visam evitar a caça.[68] Já houve situações em que estudos de ecologia tiveram que ser interrompidos, pois os animais estudados foram mortos por caçadores, como foi o caso dos estudos de George Schaller em 1980.[22] [68] Por isso, uma das principais estratégias na conservação da onça-pintada é a educação ambiental e uma integração entre pesquisadores e os habitantes das áreas que ela ocorre.[68] Em algumas localidades do Pantanal, tal integração ocorre e isso tem se mostrado eficiente nos esforços de conservação e estudos da biologia da espécie.[68] Essa integração conta com a ajuda de ex-caçadores, e as onças passam a se estudadas com eficientes métodos de caça utilizando cães, armadilhas fotográficas e rádio-colares.[68] Alguns autores sugerem que uma caça manejada pode ser uma importante estratégia na conservação da onça-pintada.[68]
Como observado na região da Mata Atlântica, as estratégias de conservação da onça-pintada são dificultadas pela intensa fragmentação de seu habitat em algumas regiões. Algumas unidades de conservação em que existem onças em pequeno número estão isoladas: como o caso da Reserva Biológica de Sooretama e a Reserva Natural Vale, que contam com menos de 20 indivíduos e são os únicos fragmentos de floresta capazes de abrigar onças-pintada no Espírito Santo.[82] Sendo assim, é necessário que se criem "corredores" unindo as unidades de conservação, impedindo, inclusive, que os animais precisem sair de áreas florestadas e causar problemas às populações rurais.[21] [83] [84] Foi criada a iniciativa, idealizada por Alan Rabinowitz, de que se una todas as áreas de ocorrência da onça-pintada, desde o norte do México até a América do Sul, constituindo o chamado Paseo del Jaguar.[83] [84]
A onça-pintada possui uma grande população em cativeiro, dado ser um animal popular em zoológicos e coleções particulares, e se reproduz com relativa facilidade.[22]

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