sábado, 23 de janeiro de 2016

ANESTASIA

Todos têm medo do desconhecido. Nesse sentido, podemos comparar a Anestesia a uma viagem de avião. Alguns dos passageiros estão vivendo aquela experiência pela primeira vez e morrem de medo. Outros, embora viajem sempre, sentem aquela inquietação a cada viagem. Na realidade, milhares de vôos acontecem no mundo inteiro na mais absoluta segurança. No entanto, os (raros) acidentes que ocorrem são amplamente divulgados pela imprensa, o que provoca, ou aumenta, a insegurança das pessoas. O mesmo acontece na Anestesia. Diariamente, em todo o mundo, Anestesiologistas qualificados aplicam milhares de Anestesias com a maior segurança. São muito poucos os acidentes. Por isso, você deve exigir que somente um Anestesista qualificado o examine antes da operação, o oriente e faça sua Anestesia. Ouvir explicações sinceras e seguras traz o conhecimento e reduz a ansiedade e o medo. 

O QUE É ANESTESIA? A Anestesia é a total ausência de dor durante uma cirurgia, exame diagnóstico ou curativo. Ela pode ser geral ou parcial (também chamada regional). Na geral todo o corpo fica anestesiado e você dorme. Com a anestesia regional ou parcial apenas uma parte do corpo fica anestesiada e você pode dormir ou não, dependendo do que for melhor para o paciente. 

QUANTO TEMPO DURA UMA ANESTESIA? A Anestesia dura o tempo necessário para que o Cirurgião faça o trabalho dele. O seu efeito pode continuar depois da operação para que o paciente não sinta as dores do pós-operatório. 

QUEM APLICA A ANESTESIA? A Anestesia só pode ser aplicada por médico especialista. Os Anestesiologistas cursam seis anos de faculdade de medicina e mais dois ou três de especialização. Esses médicos aplicam o anestésico e cuidam de você durante e depois da operação. Eles controlam a sua pressão arterial, pulso, ritmo cardíaco, respiração, temperatura e outras funções importantíssimas para que você não sofra, se sinta seguro e o Cirurgião possa trabalhar com tranqüilidade. O Anestesista é o guardião da sua vida durante e logo após uma operação. Ele estará ao seu lado por todo o tempo da cirurgia exclusivamente para cuidar de você - mesmo que você não perceba ou não lembre de nada depois da Anestesia. 

QUE TIPOS DE ANESTÉSICOS SÃO USADOS? Existem diversos tipos de anestésicos. Os usados para Anestesia regional são injetados próximo aos nervos. Os que servem para a Anestesia geral são administrados pela veia ou através da respiração. A escolha do anestésico varia de acordo com o tempo e o tipo de operação. Essa escolha vai depender também das condições físicas e emocionais do paciente. Depois de conhecê-lo, avaliar os exames pré-operatórios dele e saber qual a cirurgia proposta, o Anestesista indicará a melhor opção para o seu caso. 

QUEM DEVE ESCLARECER VOCÊ SOBRE ANESTESIA? Seu médico já deve ter conversado com você sobre a Anestesia. Mas você só terá todos os esclarecimentos de que precisa durante a consulta pré-anestésica com seu médico Anestesista. Existe muita desinformação e fantasia sobre a Anestesia. Não aceite informações, seja qual for, de pessoas não especializadas. 

QUEM ESCOLHE O ANESTESISTA? Você tem o direito de escolher seu Anestesista. Mas as equipes cirúrgicas normalmente já incluem os Anestesiologistas com os quais o cirurgião já está acostumado a trabalhar. A operação é um trabalho em equipe e, quanto mais completa e integrada for essa equipe, maior é a garantia de sucesso da sua cirurgia. 

O QUE ACONTECE ANTES DA OPERAÇÃO? Primeiro, o Anestesista o examinará, lhe dará informações e o orientará sobre a Anestesia. Talvez você precise de alguns exames de raios X e de laboratório. Os preparativos da enfermagem, a pedido dos médicos, podem incluir raspagem dos pêlos próximos ou na parte do seu corpo a ser operada, aplicação de algum remédio e muita atenção. Na noite anterior e cerca de 1 hora antes da operação, dependendo do dia e horário da sua internação, é provável que você tome um sedativo, através de comprimido ou injeção, que tornará o transporte e a chegada à sala de operação mais confortável. 

O QUE VOCÊ DEVE FAZER PARA COLABORAR COM SUA PRÓPRIA SEGURANÇA? Não coma nem beba nada pelo menos 8 horas antes da operação. Nem mesmo água. É para ficar de jejum mesmo! Diga ao Anestesista o nome de todos os remédios que você toma ou tomou regularmente. Não esqueça, principalmente, daqueles que lhe darão alergia. Serão removidas da sua boca qualquer peça dentária móvel, como dentadura, pivô, ponte (especialmente, as de menor tamanho). Não use cosméticos ou produtos de beleza no dia da operação. Não leve para o hospital, e muito menos para a sala de operação, jóias (brincos, pulseiras, relógios de pulso), alfinetes, cílios postiços, grampos de cabelo, perucas, e outros objetos desnecessários. Não mastigue goma de mascar antes da cirurgia, porque isso provoca aumento de ar e de sucos no estômago, o que pode causar vômito depois da operação. Também é bom largar o cigarro, no mínimo, 15 dias antes da operação. Siga, de forma obediente, as orientações de seus médicos. 

O QUE É A SALA DE RECUPERAÇÃO? Termina a cirurgia. O Anestesista suspende os anestésicos e começa o processo de recuperação, que pode demorar alguns minutos ou horas. Tudo depende da duração e do tipo de Anestesia aplicada. Durante esse tempo, você ficará na Sala de Recuperação Pós-Anestésica, ou na própria Sala de Cirurgia, aos cuidados de pessoal especializado. Só depois de você estar completamente desperto ou recuperado é que o Anestesista dará autorização para que você seja levado para uma sala especial, na qual receberá maior atenção para que você não sofra ou corra risco. Se for este o seu caso, o Anestesista lhe explicará antes da cirurgia. 

O QUE VOCÊ VAI SENTIR APÓS A ANESTESIA? Depende muito da operação, do tipo de Anestesia e de suas condições físicas. As modernas técnicas de Anestesia oferecem muito mais segurança e conforto ao paciente. Apenas um reduzido número de pessoas chegam a se sentir mal. O importante é que você saiba que não vai sentir nada nem lembrará de nada após o ato cirúrgico. O Anestesista zelará para que você tenha o máximo de conforto. 

QUAL O RISCO DE UMA ANESTESIA? São muitos raros, atualmente, os riscos ou complicações de uma Anestesia. Com instrumental, técnicas, conhecimentos e medicamentos modernos, o Anestesista reduz ao máximo o risco de acidente anestésico. O Anestesista, além do conhecimento e da especialização médica, empregará toda a sua perícia e experiência clínica para o sucesso completo do tratamento. 

POR TUDO ISSO, NÃO ESQUEÇA: A Anestesia só pode ser aplicada por Médico Anestesista, com um mínimo de dois anos de residência médica em Anestesia e pela Associação Médica Brasileira, devidamente registrados no Conselho Regional de Medicina do seu estado. 

Fonte: Sociedade Brasileira de AnestesiologiaAnestesia local' corresponde ao bloqueio reversível da condução nervosa, determinando perda das sensações sem alteração do nível de consciência. Reversibilidade de efeito é a principal característica que diferencia anestésicos locais de agentes neurolíticos, como fenol e álcool.
A molécula típica de anestésico local é constituída por um grupo lipofílico (usualmente um anel benzeno) e um grupo hidrofílico (usualmente amina terciária), separada por uma cadeia intermediária que incluem ligação éster ou amida. O grupo lipofílico (lipossolúvel) é necessário para a passagem da molécula pela membrana da célula nervosa, enquanto o grupamento hidrofílico (ionizável) interage com o receptor celular.

Classificação[editar | editar código-fonte]

De acordo com a natureza da cadeia intermediária, os anestésicos locais classificam-se em agentes tipo éster ou amida.
Classificação dos anestésicos locais de acordo com a estrutura química
Ésteres
De ácido
Cocaína
Benzocaína
Tetracaína
De ácido para-aminobenzóico (PABA)
Cloroprocaína
Propoxicaína
Amidas
Agentes derivados da xilidina
Lidocaína
Mepivacaína
Bupivacaína
Ropivacaína
Etidocaína
Agentes derivados da toluidina
Articaína
A importância clínica dessa divisão está associada à duração do efeito (forma de inativação dos compostos) e, especialmente, ao risco de reações alérgicas. Os ésteres são hidrolisados por enzimas encontradas de forma ampla em plasma e diferentes tecidos. Isso geralmente determina duração de efeito menor. Faz exceção a tetracaína, de efeito mais prologando. Amidas sofrem metabolismo hepático, com conseqüente maior duração de ação. Ésteres determinam maior taxa de reações de hipersensibilidade, enquanto alergias são raras com anestésicos tipo amida.
Anestésicos locais são bases orgânicas fracas, pobremente solúvel em água. Por isso, as soluções comerciais são preparadas como sais ácidos (hidrossolúvel), geralmente obtidos por adição de ácido clorídrico. Assim, apesar de os agentes serem bases fracas, as preparações farmacêuticas (sais de hidrocloretos) são levementes ácidas, com o pH variando de 4,5 a 6,0 em tubetes odontológicos. Esta acidez aumenta a estabilidade das soluções anestésicas. Uma vez injetadas nos tecidos, com pH mais alcalino (pH = 7,4), há tamponamento do ácido, liberando base em forma não-ionizada, passível de ser absorvida. Quando o pH do meio não favorece essa transformação, a ação anestésica não se processa. É o que ocorre em presença de processos inflamatórios e/ou infecciosos, em que o pH tecidual extremamente baixo promove ionização da molécula, impedindo sua ação. Em meio ácido, as bases recebem íons hidrogênio e tornam-se carregadas positivamente (ionizadas ou polarizadas), diminuindo sua positividade de atravessar membranas celulares (menor lipossolubilidade). Suplementação excessiva de doses num mesmo local determina menor resposta, pois esgota a capacidade tamponante do meio, não liberando a base.
Anestésicos locais atuam sobre os processos de geração e condução nervosa, reduzindo ou prevenindo o aumento de permeabilidade de membranas excitáveis ao sódio, fenômeno produzido por despolarização celular. Embora vários modelos tenham sido propostos para explicar sua ação sobre fibras nervosas, aceita-se hoje que o principal mecanismo envolve sua interação com um ou mais sítios específicos de ligação em canais de sódio.

História[editar | editar código-fonte]

Embora inúmeras substâncias de estrutura química diversa sejam capazes de produzir anestesia local, a maioria das drogas de comprovada utilidade clínica (identificadas com o sufixo "caína") compartilham uma configuração fundamental com o primeiro anestésico local verdadeiro, a cocaína.
Durante séculos, os nativos das montanhas peruanas vêm utilizando folhas de coca para evitar a fome, aliviar a fadiga e elevar o espírito. O interesse pelas propriedades psicotrópicas da Erythroxylon coca levou ao isolamento da cocaína por Albert Niemann, em 1859, e ao estudo de sua farmacologia por Von Anrep, em 1880. Embora ambos tenham descrito a ação anestésica local da cocaína, o crédito para sua introdução na medicina pertence a Carl Koller, um médico vienense. Em 1884, Koller familiarizou-se com os efeitos fisiológicos da cocaína descrito por Sigmund Freud. Koller reconheceu o grande significado clínico da droga e logo demonstrou sua ação no alívio da dor em vários procedimentos oftalmológicos.
O conhecimento do potencial de reações adversas da cocaína logo acompanhou sua aceitação geral como anestésico local. No entanto, várias mortes atribuídas à cocainização aguda testemunharam o baixo índice terapêutico da droga. A tendência ao abuso da cocaína foi significativamente ilustrada pela autodependência de William Halsted, um pioneiro no bloqueio nervoso regional.

Mecanismo de ação[editar | editar código-fonte]

Os anestésicos locais bloqueiam fisicamente por interacções lipofílicas (ocluindo o poro) os canais de sódio das membranas dos terminais dos neurônios. Como o potencial de ação é dependente do influxo de sódio, ao não ocorrer não há propagação do sinal nervoso.
Os neurônios com axônios com menor diâmetro são mais facilmente bloqueados, o que permite ajustar a dose de forma a não inativar os neurônios motores, mas apenas os sensitivos e os do sistema nervoso autônomo, já que os motores têm diâmetros consideravelmente maiores.
A administração local concomitante de um vasoconstritor reduz os seus efeitos sistêmicos e potencializa e prolonga os seus efeitos locais.
O uso de anestesia local é indicado para operações simples, que envolvem pequenas áreas, como algumas cirurgias plásticas ou para suturar cortes (dar pontos).

Seleção[editar | editar código-fonte]

Anestésicos classificam em agentes de:

Curta duração[editar | editar código-fonte]

Clorprocaína[editar | editar código-fonte]

Média Duração[editar | editar código-fonte]

Lidocaína[editar | editar código-fonte]

As amidas surgiram em 1948, com a síntese da lidocaína. Usada a quase 50 anos, continua a ser o anestésico local padrão. Possui tempo de latência(inicio de ação)curto, de 2 a 3 minutos e duração curta (5 á 10 minutos de anestesia pulpar de 1 a 2 horas de anestesias de tecido duro devido a sua ação vasodilatadora. Quando associada a uma agente vasoconstritor, a anestesia aumenta e sua toxicidade diminui ainda mais. Quanto mais a porcentagem de lidocaína aumenta o risco de toxicidade no paciente. Lidocaína é a primeira opção em anestésicos.

Mepivacaína[editar | editar código-fonte]

É um anestésico local de média duração do tipo amida muito utilizado na odontologia. Tem maior indicação nos casos em que o uso de vasoconstrictores é perigoso para o paciente ou proibido , pois pode ser usado sem vasoconstritor e sem perda importante da potência e tempo de duração da analgesia. Como a prilocaína a mesma tem o mesmo poder de ação a ação vasodilatadora é menos que a lidocaína por isso é a primeira opção quando o paciente é proibido de utilizar vasoconstritores por doenças como hipertensões não controladas, arritmias cardíacas, diabetes, hipertireoidismo entre outras.

Prilocaína[editar | editar código-fonte]

Tem amplo uso em Odontologia, do grupo das Amidas apresenta toxicidade baixa e tem tempo de latência igual ao da Lidocaína. Tem poder dilatador menos que a da lidocaína. No Brasil a mesma é utilizada com Felipressina (vasoconstritor) que não é aminas simpatomiméticas( Agem nos receptores Alfa e Beta - relaxando e contraindo os músculos.

Longa duração[editar | editar código-fonte]

Tetracaína[editar | editar código-fonte]

Ropivacaína[editar | editar código-fonte]

Bupivacaína[editar | editar código-fonte]

Está indicada em procedimentos Odontológicos de maior duração ou em que se deseja analgesia pós-operatória mais prolongada (varias horas). Comparada com lidocaína, o início de efeito da bupivacaína é mais tardio, mas a duração é duas vezes maior. Durante seu uso em anestesia, especialmente obstétrica, foram relatadas casos de parada cardíaca de difícil recuperação. No entanto, o uso odontológico em baixas doses torna essa complicação improvável.

Etidocaína[editar | editar código-fonte]

Outros[editar | editar código-fonte]

Ropivacaína[editar | editar código-fonte]

Articaína[editar | editar código-fonte]

Efeitos úteis[editar | editar código-fonte]

Perda completa de sensação local, e em especial da dor, sem perda do controle muscular. O doente pode cooperar, respondendo a pedidos do cirurgião. Não há riscos elevados de efeitos dos anestésicos locais como para os anestésicos gerais.

Efeitos adversos[editar | editar código-fonte]

Apesar das precauções, alguma pequena quantidade de fármaco chega sempre a outros órgãos, nomeadamente ao cérebro e ao coração.
  • Ansiedade com tremores. Euforia, agitação.
  • Confusão
  • Convulsões (incomum)
  • Depressão nervosa, em altas doses algum risco de depressão respiratória.
  • Vasodilatação e redução da frequência cardíaca.
  • Hipotensão arterial
  • Reacções alérgicas.

Fármacos do grupo[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Farmacologia clínica para dentistas; Lenita Wannmacher, Maria Beatriz Cardoso Ferreira. Guanabara Koogan; 2º edição; 1999.

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